quinta-feira, 25 de agosto de 2016

LIÇÃO 09 - A EVANGELIZAÇÃO DAS CRIANÇAS - 3º TRIMESTRE/2016

A EVANGELIZAÇÃO DAS CRIANÇAS
Texto Áureo Mt. 18.14 – Leitura Bíblica Mt. 18.2-6; Mc. 10.13-16



INTRODUÇÃO
Quando a igreja local decide evangelizar, a iniciativa geralmente é a de ganhar os adultos. Mas não podemos esquecer que as crianças também precisam ser alcançadas para Cristo. Na aula de hoje estudaremos a esse respeito, destacando, inicialmente, a partir das Escrituras, pessoas que desde criança serviram a Deus. Em seguida, mostraremos a necessidade de evangelizar as crianças, bem como a importância de desenvolver estratégias eficazes.

1. CRIANÇAS QUE CRESCERAM
As Escrituras destacam a relevância do ensino para as crianças, a esse respeito destaca o autor dos Provérbios: “instrui o menino no caminho em que deve andar, e, até quando envelhecer, não se desviará dele” (Pv. 22.6). De fato, a criança que é educada “na doutrina e admoestação do Senhor” (Ef. 6.4), tende a dar menos trabalho, e a crescer no temor da Palavra de Deus. Na Bíblia encontramos vários personagens que ainda na infância deram seus frutos para o Senhor, e continuaram a fazê-lo depois que cresceram. Moisés desde pequeno recebeu os ensinamentos de sua mãe (Ex. 2.9), mais tarde foi levado ao palácio de Faraó, sendo adotado pela filha de Faraó (Hb. 11.24). Samuel também foi uma criança que cresceu no temor do Senhor, sua mãe Ana o dedicou ao serviço no templo (I Sm. 1.20-28). Desde a juventude aprendeu a ouvir a voz de Deus (I Sm. 3.19). A autor da Epístola aos Hebreus o colocou no rol dos heróis da fé (Hb. 11.32,33), destacando seu exemplo de fidelidade. Timóteo, desde a sua meninice, sabia “as sagradas letras” (II Tm. 3.15), que havia aprendido de sua mãe Eunice e esta, por sua vez, de sua mãe, Lóide (II Tm. 1.5). Davi aprendeu na juventude a importância de agradar a Deus, vindo a ser escolhido como rei de Israel (I Sm. 16.1). Deus era com Davi desde a infância, abençoando-o em tudo que fazia (I Sm. 16.13-18). Daniel e seus amigos, Hananias, Misael e Azarias, quando crianças, foram ensinados na Palavra de Deus, por isso decidiriam não se contaminar com as iguarias do rei (Dn. 1.8). O ensino bíblico para as crianças é uma orientação divina, a fim de que essas continuem servindo ao Senhor, mesmo quando vierem a crescer.

2. GANHANDO AS CRIANÇAS PARA CRISTO
As crianças também precisam ser alcançadas para Cristo, principalmente nos dias atuais, marcados pelo secularismo, predominante nos meios de comunicação. As mídias modernas estão semeando valores deturpados nos corações das crianças. Os pais, e a igreja em geral, precisam estar atentas, e levarem o evangelho para os pequeninos. Precisamos nos antecipar, e chegar antes do mundo, a fim de evitar que a semente fique à beira do caminho (Mt. 13.4-19). Há quem diga que a criança é apenas meia vida, mas na verdade, é uma vida inteira que pode ser dedicada a Cristo. Por isso, devemos lançar o pão sobre as águas, porque depois de muitos dias o acharemos (Ec. 11.1). Aproveitemos, pois, essa faixa etária, pois as crianças costumam, não ter malícia (I Co. 14.20), ouvir com atenção os ensinos, receberem a mensagem com simplicidade, potencial para guardar os ensinamentos, curiosidade e aprendizado rápido. Devemos considerar a importância que Jesus deu às crianças, certa feita Ele as colocou no meio dos discípulos (Mt. 18.2). E acrescentou: “qualquer que escandalizar um destes pequeninos que creem em mim, melhor lhe fora que se lhe pendurasse ao pescoço uma mó de azenha, e se submergisse na profundeza do mar” (Mt. 18.6). As congregações evangélicas devem despertar para valorizar o departamento infantil. Há igrejas que colocam as crianças em dependências que parecem mais depósitos. A valorização dessa faixa etária é demonstrada também pela posição que ocupam na arquitetura do templo.

3. ESTRATÉGIAS PARA EVANGELIZAR AS CRIANÇAS
Precisamos evangelizar tantos as crianças de fora quanto as de dentro da igreja. Os filhos dos crentes devem ser ensinados na Palavra, até que cresçam e tomem sua decisão por Cristo. É preciso planejar estratégias tanto para alcançar as crianças filhos ou não de evangélicos. Para isso precisamos usar uma linguagem acessível, utilizar figuras bíblicas, e até mesmo filmes cristãos, que despertem o interesse pela Bíblia. A Escola Bíblica Dominical continua sendo um dos meios mais eficazes para conduzir crianças a Cristo. Os pais devem esforçar-se para trazê-las ao templo (Dt. 6.6,7). Os pais de Jesus também deixaram esse exemplo, eles levaram o pequeno para o templo, a fim de adorar a Deus na pascoa (Lc. 2.27, 42). As Escolas Bíblicas de Férias também cumprem um papel importante na evangelização de crianças. A igreja deve investir na realização desse tipo de atividade, a fim de congregar as crianças em torno de atividades dinâmicas, que favoreçam a integração cristã. Existem ainda formas diversas de incentivá-las a permanecerem no temor do Senhor: inserindo-as em grupos de louvores, para cantarem ao Senhor (Sl. 8.2), sempre que possível dando-lhes oportunidade para cantar e pregar (Pv. 20.11), realizando cultos de oração para que essas aprendam a buscar a Deus, e a depender da providência do Senhor. Há outras estratégias produtivas para a evangelização de crianças, basta usar a criatividade, e o mais importante, mostrar que temos interesse por elas. É maravilho saber que existem pessoas vocacionadas para exercer esse ministério nas igrejas. Que sejamos despertamos não apenas a orar por elas, mas também apoiá-las a fim de que desempenhe as tarefas a contento.

CONCLUSÃO
A evangelização das crianças é uma tarefa da igreja, e não deve ser postergada. Os pequeninos, mesmo que não sejam valorizados pela sociedade, precisam ser estimados pelos cristãos, sobretudo aqueles que se encontram em condição de vulnerabilidade. Jesus, por também ter sido criado na fé desde a infância (Lc. 2.52), ressaltou o valor das crianças no Seu ministério (Mt. 18.14). Evangelizemos, pois, os infantes, cientes que esses, ao crerem em Cristo, se tornam parte do Corpo, não são o futuro da igreja, mas já o presente.

Prof. Ev. José Roberto A. Barbosa
Twitter: @subsidioEBD
BIBLIOGRAFIA
BÍCEGO, V. Manual de Evangelismo. Rio de Janeiro: CPAD, 2015.
BUENO, T. Ensinando a fé cristã às crianças. Rio de Janeiro: CPAD, 2013.

sábado, 20 de agosto de 2016

LIÇÃO 08 - A EVANGELIZAÇÃO DOS GRUPOS RELIGIOSOS - 3º TRIMESTRE/2016

A EVANGELIZAÇÃO DOS GRUPOS RELIGIOSOS
Texto Áureo Jo. 3.5 – Leitura Bíblica Dn. Jo. 3.1-16



INTRODUÇÃO
Na aula de hoje estudaremos a respeito da evangelização dos grupos religiosos. Essa não é uma tarefa fácil, considerando que cada religião pressupõe deter a verdade divina. Diante dessa realidade, destacaremos, inicialmente, os (des)caminhos da religião, ressaltando que essas, na medida em que tenta aproximar o ser humano de Deus, também dEle se distancia. Em seguida, mostraremos que nem todas as religiões levam a Deus, conforme pressupõe o pluralismo pós-moderno, e que a evangelização dos religiosos é um desafio do qual a igreja não poderá fugir.

1. OS (DES)CAMINHOS DA RELIGIÃO
A palavra religião vem do verbo latino religare – que aponta para a tentativa de se ligar à divindade. Nesse sentido, toda religião é uma empreitada humana, mais ou menos como aquela da construção da torre de Babel, a fim de encontrar uma alternativa ao caminho de Deus (Gn. 11). O pressuposto da religião é que essa detém o oráculo, isto é, a revelação da divindade. As religiões, com base em seus fundamentos, afirmam que podem conduzir o ser humano à transcendência. Existem posicionamentos distintos no contexto da pós-modernidade em relação ao papel da religião. Os materialistas defendem que essa serve apenas para alienar as pessoas da realidade, sobretudo da opressão daqueles que estão empoderados. Para outros, mais idealistas, a religião tem seu papel na sociedade, há aqueles que a abordam a partir de uma perspectiva pragmática – sua utilidade social, até os mais entusiastas, que argumentam que qualquer religião é um caminho para a transcendência. Uma análise ponderada da religião precisará considerar que nem todas as religiões são iguais. Com base em uma perspectiva antropológica, as religiões são construtos culturais, resultantes das impressões que uma comunidade tem sobre a vida e a morte. Nesse sentido, podemos afirmar que todas elas são diferentes, nenhuma pode ser assumida como se fosse superior a outra. No entanto, mesmo entre os cientistas religiosos, há discordância sobre a função das várias religiões. Há os que defendem que algumas são predominantemente violentas, enquanto outras são mais pacifistas. Mas é preciso avaliar os casos individualmente isso porque há religiões que servem apenas para justificar interesses econômicos. A religiosidade humana, enquanto fenômeno científico, é bastante complexa, e deve ser avaliada com base em critérios definidos, a fim de evitar generalizações indevidas. 

2. NEM TODAS AS RELIGIÕES LEVAM A DEUS
A partir de uma perspectiva bíblica, nem todas as religiões conduzem o ser humano a Deus. Desde a Antiga Aliança se reconheceu que há religiões danosas à sociedade. Entre os deuses estranhos, adorados pelos povos antigos, existiam aqueles que exigiam sacrifícios de crianças, como o deus-moloque (Lv. 18.21; Jr. 32.35). Por esse motivo, os evangélicos defendem que “nem todos os caminhos levam a Roma”, considerando que determinadas religiões levam à promiscuidade sexual (Os. 9.10), bem como a práticas abomináveis perante Deus (Nm. 25). Por isso, devemos assumir que há pessoas que ao invés de adorarem a Deus estão adorando aos ídolos (I Co. 10.20,21). Se existem religiões que são falsas, existe, por assim dizer, uma que é verdadeira, e a esse respeito escreveu Tiago: “A religião pura e imaculada para com Deus e Pai, é esta: Visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações, e guardar-se da corrupção do mundo” (Tg 1.27). O termo grego usado pelo apóstolo é threskeía, e que significa mais do que uma religião, diz respeito à adoração a Deus. Nesse sentido, a verdadeira espiritualidade tem a ver não apenas com um conjunto de dogmas, mas principalmente com uma prática de vida voltada para os outros, sobretudo aos mais pobres. Evidentemente Tiago se refere à religião judaico-cristã, que deveria se fundamentar não apenas na fé teórica, mas é uma fé prática, demonstrada em boas obras (Tg. 2.17). Para esse fim, faz-se necessário destacar que a fé cristã está fundamentada tanto em uma doutrina correta (ortodoxia) quanto em prática correta (ortopraxia). O fundamento da revelação cristã é que todos pecaram, por isso estão destituídos da glória de Deus (Rm. 3.23), que o salário do pecado é a morte (Rm. 6.23), demandando das pessoas arrependimentos dos seus pecados (At. 2.38). É preciso também enfatizar que Deus amou o mundo de uma maneira tal que enviou Seu Filho Unigênito, para que todo aquele que nEle crê não seja condenado, mas tenha vida eterna (Jo. 3.16). Esse é o Caminho providenciado por Deus, o próprio Cristo, que é O Caminho, a Verdade e a Vida (Jo. 14.6). Ao contrário do que se costuma afirmar, Deus não é exclusivista, antes inclusivista, na pois decidiu conduzir os pecadores à salvação, não por meio das obras humanas (Ef. 2.8,9), mas através da fé na graça de Deus.

3. O DESAFIO DE EVANGELIZAR GRUPOS RELIGIOSOS
Esse é justamente o problema da religião, pois nega o plano salvador de Deus, e defende que as pessoas são salvas – ou conduzidas a Deus – por meio dos seus méritos. Se quisermos saber identificar a veracidade ou falsidade de uma religião, devemos fazer a pergunta que o próprio Jesus fez: que dizem os homens ao meu respeito? (Mt. 16.17). Para algumas religiões Jesus não passa de um grande iniciador religioso, uma espécie de profeta enviado, ou mesmo um deus menor. Essa declaração não corresponde à revelação bíblica, que ressalta a divindade de Jesus, por meio do Qual todas as coisas foram criadas (Jo. 1.1-3). Ele é o Salvador do mundo, somente Ele, e não outro, é a Verdade, o Único Mediador entre Deus e os homens (I Tm. 2.5), o Único Nome pelo qual importa que as pessoas sejam salvas (At. 4.12). Existem religiões com muitos intermediários, e que se firmam em divindades mediadoras, que servem como meio de relação entre o homem e Deus. Contudo essas religiões são contrárias à Palavra de Deus, pois pretendem ter outros caminhos para chegar a Deus. Há aqueles que acreditam que o homem pode se aproximar da divindade por causa dos seus esforços, tendo inclusive os que argumento a favor da existência de um estágio de (de)gradação espiritual, dependo das realizações durante a vida. O texto bíblico, no entanto, é enfático ao declarar que depois da morte segue-se a juízo (Hb. 9.27). A religião, por causa dos fardos que impõe às pessoas, acaba servindo de impedimento para que os pecadores se aproximem de Deus (Mt. 23). Por isso, ao evangelizar os religiosos, devemos mostrar a simplicidade do evangelho, destacando o valor da graça maravilhosa que se manifestou em Cristo (Tt. 2.11).

CONCLUSÃO
Os grupos religiosos também precisam ser alcançados pelo evangelho – as boas novas – de Jesus Cristo. Há várias pessoas que estão carregando o fardo pesado da religiosidade, tentando chegar a Deus através dos seus méritos – as más notícias impostas pela religiosidade humana. A esses devemos declarar, com amor, graça e misericórdia, que Jesus os chama para conduzi-los ao Seu rebanho (Jo. 10.14). Aqueles que estão cansados e sobrecarregados – das regras e normas que os afastam de Deus - poderão encontrar descanso no Senhor, pois o jugo de Jesus é suave, e o Seu fardo é leve (Mt. 11.28).

                                      Prof. Ev. José Roberto A. Barbosa
Twitter: @subsidioEBD

BIBLIOGRAFIA
ANDRADE, C. de. O desafio da evangelização. Rio de Janeiro: CPAD, 2016.
BÍCEGO, V. Manual de Evangelismo. Rio de Janeiro: CPAD, 2015.

sábado, 13 de agosto de 2016

LIÇÃO O7 - O EVANGELHO NO MUNDO ACADÊMICO E POLITICO - 3ª TRIMESTRE/2016

O EVANGELHO NO MUNDO ACADÊMICO E POLÍTICO
Texto Áureo I Co. 2.24,5 – Leitura Bíblica Dn. 2.24-48



INTRODUÇÃO
Na aula de hoje estudaremos a respeito de mais dois grupos desafiadores para a evangelização: os acadêmicos e os políticos. A partir do exemplo de Daniel, faremos incursões bíblicas a respeito dessa tarefa. Inicialmente, destacaremos como esse profeta orientou-se a partir dos padrões divinos, a fim de dar testemunho do Deus de Israel em terra estranha. Em seguida, enfocaremos mais propriamente a evangelização nesses dois contextos, ressaltando a importância da preparação espiritual, bem como apologética.

1. DANIEL, NA ACADEMIA E NA POLÍTICA
Daniel, que em hebraico quer dizer “juiz de Deus”, tornou-se um arauto entre os não-judeus, entre os quais viveu. Seu testemunho foi contundente, e serve de exemplo para todos aqueles que desejam evangelizar com sabedoria, sobretudo em ambientes de ceticismo e corrupção, como o acadêmico e o político. Quando foi levado ao cativeiro babilônico, Daniel revelou seu compromisso com a fé que professava, e não fez concessões, diante das propostas indecentes que recebeu (Dn. 1.4). A vida de Daniel é uma prova que não precisamos ser aculturados para influenciar aqueles que estão em nosso convívio estudantil ou profissional (Dn. 1.8). Daniel viveu a partir de uma disciplina que decidiu seguir, a fim de não se coadunar aos valores comumente aceitos pela cultura babilônica. Entre os jovens estudantes, revelou-se um servo de Deus, um homem de oração, e temor a Sua palavra. Ao mesmo tempo, não fez uso desse procedimento para agir com mediocridade, deixando de investir em seus estudos (Dn. 1.20,21). Há alunos e alunas que, sob a justificativa da confiança em Deus, não se dedicam suficientemente aos estudos. Esses têm responsabilidade ainda maior nas academias, mostrando desempenha satisfatório em relação aos seus colegas. No campo da política, Daniel também deixou seu legado para aqueles que desejam atuar na vida pública. Em meio à corrupção que grassava na Babilônia, fez um pacto com Deus, para não se deixar coagir, ou se cooptar, contrariando a vontade de Deus. O profeta do Senhor sabia que estava na política com uma missão, e que deveria cumprir seu papel com lisura, sem se contaminar com as iguarias do rei. E mais que isso, assumiu um papel profético, denunciando os desmandos daqueles que se gloriavam da posição, para satisfazer apenas seus desejos.

2. A EVANGELIZAÇÃO AOS ACADÊMICOS
A evangelização no contexto acadêmico é bastante desafiadora, considerando que as universidades estão marcadas pelo materialismo e relativismo. A evangelização dos universitários precisa ser bem direcionada, é importante que seja realizada por estudantes capacitados. Para isso, faz-se necessário a criação de grupos de evangelismo, e que esses estejam preparados para mostrar a razão da nossa esperança (I Pe. 3.15). A preparação apologética é fundamental para esse tipo de evangelização. Existem situações nas quais os evangelizados querem provas da existência de Deus, bem como os fundamentos éticos da fé cristã. Um trabalho dessa natureza deve ser realizado não apenas com a razão, devemos lembrar que o conhecimento sem amor de nada vale (I Co. 8.1). Lembremos também que a evangelização no contexto acadêmico é bastante complexa, pois depende da formação dos grupos a serem evangelizados. Os estudantes das ciências exatas exigem uma demonstração mais lógica dos fundamentos da fé. Os das ciências sócias e humanas ficam mais entusiasmados ao constatarem a supremacia do amor divino, e a própria encarnação divina a fim de dar dignidade aos seres humanos. Aqueles mais efeitos à filosofia podem ser tocados pela mensagem de sabedoria de Deus, através de Jesus Cristo, testemunhada por vários pensadores. Os que gostam de linguística e literatura podem se deslumbrar com os textos escritos por mestres da prosa e poesia, e se envolverem com afinco à análise textual com base nas línguas originais. É importante que se aprenda a dialogar com as pessoas, e o mais importante, saber fazê-lo com moderação, sobretudo prudência, os acadêmicos não toleram evangelizadores arrogantes, muito menos aqueles que querem convencê-los, sem mostrar fundamentos razoáveis. É importante que as igrejas locais também oportunizem eventos que integrem acadêmicos à igreja, esse tipo de atividade fortalecerá também servirá para fortalecer a fé dos jovens crentes, algumas vezes abalados pela contestação acadêmica.

3. A EVANGELIZAÇÃO AOS POLÍTICOS
A evangelização dos políticos também não é tarefa fácil, principalmente quando a corrupção se tornou endêmica, e naturalizou-se na esfera pública. Uma pergunta crucial pode ser feita: quem deve evangelizar os políticos, a igreja como um todo, ou os políticos evangélicos? A resposta mais apropriada seria: ambos. Defendemos, no entanto, que a primeira terá maior independência para fazê-lo. A igreja precisa se aproximar dos políticos, não apenas para tirar proveito eleitoral, como infelizmente costuma acontecer, mas para que esses se tornem cientes da sua responsabilidade na polis. Todas as pessoas podem adentrar ao mundo da política, mas nem todas estão preparadas para nele atuar. A política, para algumas pessoas, se tornou um meio de enriquecimento ilícito, e de tirar proveito dos recursos, que deveriam ser investidos, prioritariamente, em educação, saúde e segurança. Por isso a evangelização dos políticos deve ter também um caráter profético, denunciando os desmandos daqueles que se apropriem indevidamente do que é público, como se privado o fosse. Quando Jesus evangelizou Zaqueu, esse não apenas reconheceu seu pecado, e se voltou para Deus, mas também mudou sua prática de vida, passando a agir com honestidade (Lc. 19.1-10). Os políticos evangélicos devem dar exemplo, não podem se inserir na vida pública por motivos errados. Há um equívoco entre esses, o de acharem que são responsáveis apenas pelos interesses cristãos. O político cristão está a serviço do povo, e deve agir de modo a proporcionar o bem-estar social. A evangelização dos políticos não pode ter como alvo primordial o benefício para a igreja, mas a concretização de políticas que favorecem a cidade, para que essa se torne um ambiente mais agradável para se viver.

CONCLUSÃO
A igreja tem o desafio de evangelizar os estudantes das academias, bem como os professores. Para tanto, precisa saber dialogar, com moderação e humildade, sem fazer concessões com a verdade evangélica. Isso também deve acontecer no campo da política, mostrando aos representantes públicos que esses têm uma missão a cumprir, e que essa deve ser desempenhada com responsabilidade. A vida do profeta Daniel inspira a todos aqueles que estão em contextos acadêmicos e políticos, a fim de que procedam como luz do mundo e sal da terra, para a glória de Deus (Mt. 5.13).

                                     Prof. Ev. José Roberto A. Barbosa
Twitter: @subsidioEBD

BIBLIOGRAFIA
GRUDEM, W. Política segundo a Bíblia. São Paulo: Vida Nova, 2014.
NASCIMENTO, V. O cristão e a universidade. Rio de Janeiro: CPAD, 2016.

sexta-feira, 5 de agosto de 2016

LIÇÃO 06 - A EVANGELIZAÇÃO DOS GRUPOS DESAFIADORES - 3ª TRIMESTRE/2016

A EVANGELIZAÇÃO DOS GRUPOS DESAFIADORES
Texto Áureo Jo. 6.37 – Leitura Bíblica Mt. 7.36-50


INTRODUÇÃO
Na aula de hoje estudaremos a respeito da evangelização dos grupos desafiadores, que preferimos denominar de grupos excluídos. Existe uma gama de grupos na sociedade que se encontra à margem, em condição de vulnerabilidade. Veremos, nesta lição, a necessidade de alcançar essas pessoas, levando-as a Cristo, com uma mensagem integral, que não apenas atenta para a salvação de suas almas, mas também para as carências do corpo.

1. OS EXCLUIDOS PELA SOCIEDADE
A sociedade na qual vivemos é exclusivista, existem muitas pessoas que se encontram à margem. Algumas delas não porque querem viver desse modo, mas porque não lhes foi dada outra oportunidade. As condições sociais contribuem, ainda que não sejam definidoras, para a situação de vulnerabilidade determinadas pessoas se encontram. Existem vários mendigos nas ruas, pedintes nos sinais de trânsitos, prostitutas que vendem seus corpos, dependentes químicos, bem como pessoas nas prisões. Essas pessoas também podem ser alcançadas por Cristo, temos o compromisso de levar a elas o evangelho salvador, mas sem deixar de atentar para a condição social na qual se encontram. Há um discurso predominante na sociedade que as pessoas vivem nas ruas, ou vendem seus corpos, por que desejam fazê-lo. Mas esse é um equívoco, existem casos de pessoas que optaram por esse estilo de vida, mas a maioria delas foi direcionada pelas precárias privações socioeconômicas. A igreja não pode assumir o discurso exclusivista da sociedade contemporânea. O papel da igreja é o de sentir compaixão por aqueles que foram marginalizados. Estender as mãos ao necessitado, sobretudo aos mais pobres, isso também é responsabilidade da igreja. O individualismo favorece a exclusão, fundamentado em uma suposta meritocracia, coloca sobre o pobre a culpa da sua condição. Essas pessoas precisam de Jesus, do evangelho que transforma o homem velho em uma nova criatura (II Co. 5.17), mas também precisam de comida (Lc. 9.13). A pobreza pode levar as pessoas à prostituição, e em alguns casos, à dependência química, bem como à criminalidade. Evidentemente não podemos generalizar, mas a maioria das incidências está relacionada à pobreza extrema.

2. A RELIGIÃO TAMBÉM LEGITIMA A EXCLUSÃO
A maioria das religiões, sobretudo as mais moralistas, ao invés de ajudar os excluídos, tende a reforçar a exclusão. É o que constatamos, não apenas na prática cotidiana, mas também nas Escrituras. Em Jo. 8. 1-11 lemos que os religiosos do tempo de Jesus, depois de flagrarem uma mulher em adultério, levaram-na a Jesus para que Ele a julgasse. Eles assumiram que estavam observando a lei, mas conduziram ao Senhor apenas a mulher, sem levar também o homem, conforme prescrevia a Lei (Lv. 20.10). A religião costuma agir dessa maneira, escolhe os pecados que consideram mais graves, bem como as pessoas que devem ser condenadas. Como Jesus expôs em Mt. 23, os religiosos não passam de sepulcros caídos, pessoas que coam um mosquito, mas engolem um camelo. Jesus atestou a hipocrisia religiosa quando depois de pressionado, respondeu que aquele que não tivesse pecado atirasse a primeira pedra. O narrador evangélico afirma que todos começam a sair, dos mais velhos aos mais jovens. Essa atitude continua sendo adotada por alguns grupos religiosos, inclusive entre os evangélicos. Os pecadores, que são os doentes que precisam de médicos, geralmente se afastam dos evangélicos, a forma que eles os abordam assuntam (Mt. 9.12). Os homossexuais são os que mais sofrem com a agressividade de alguns líderes, que na forma de se pronunciarem, beiram à homofobia. Não seremos capazes de levar os homossexuais a Jesus, bem como as prostitutas e dependentes químicos, se não os tratarmos com respeito, sobretudo com o genuíno amor cristão. Aqueles que se encontram nas prisões também devem ser alcançados pela Igreja de Cristo (Hb. 13.3). Devemos lembrar que os discípulos de Jesus também foram postos em prisões, e esses injustamente (At. 16.19-34).

3. O JESUS QUE INCLUI OS EXCLUIDOS
A evangelização dos excluídos deve ser pautada pelo exemplo de Jesus, que não negou a realidade do pecado, mas não se deixou conduzir pelo farisaísmo religioso. Devemos mostrar a essas pessoas a realidade do pecado, e seus efeitos nefastos sobre o ser humano. O problema do pecado não é apenas que esse traz a condenação, mas a morte física, espiritual e eterna, alienando o homem do Criador (Rm. 3.23; 6.23). Os grupos desafiadores, e sobretudo os marginalizados, precisam compreender a gravidade do pecado, e que esse levou a Cruz o Filho de Deus (Jo. 3.16). A igreja tem a tarefa de alcançar essas pessoas estrategicamente, em alguns casos com projetos assistenciais, para atenuar a situação delas. O Jesus dos evangelhos é inclusivo, Ele se preocupou com as crianças, mulheres, criminosos, entre outros. Uma igreja comprometida com a evangelização elabora modelos inclusivos para chegar a esses grupos. Algumas igrejas investem na formação de grupos especializados, trabalhando, por exemplo, com capelania prisional. Outras têm centros terapêuticos, com profissionais que podem auxiliar as pessoas que se tornaram escravas dos vícios. Há igrejas que têm maiores dificuldades de implementar a evangelização a esse grupo de pessoas. Outras, por disponibilizar de mais recursos financeiros e humanos, têm a obrigação de responder a essa demanda. Esses grupos desafiadores devem ser convidados a ingressar na fileira daqueles que seguem a Cristo. A igreja de Corinto, por exemplo, era formada por pessoas que outrora estavam entregues à devassidão, mas que se arrependeram dos seus pecados, e passaram a viver para Jesus (I Co. 6.10,11).

CONCLUSÃO
A igreja é desafiada a buscar os pecadores, independentemente da condição socioeconômica. Mas é preciso reconhecer que existem grupos que são mais difíceis de serem alcançados, se tornando um desafio para a igreja. Por isso é necessário que haja investimento na capacitação de pessoas para evangelizar os excluídos, e que, em alguns casos, a assistência social também seja realizada. Jesus nos deixou o exemplo de inclusão, e nós devemos imitá-Lo, não devemos julgar as pessoas, antes declarar: "vá e não peques mais" (Jo. 8.11). 

                                      Prof. Ev. José Roberto A. Barbosa
Twitter: @subsidioEBD

BIBLIOGRAFIA
BARRS, J. Learning evangelism from Jesus. Illinois: Crossway Books, 2009.
SHEDD, R. Fundamentos bíblicos da evangelização. São Paulo: Vida Nova, 1996.