sexta-feira, 18 de setembro de 2015

LIÇÃO 12 - EXORTAÇÕES GERAIS - 3º TRIMESTRE/2015

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                          Texto Áureo  Tt. 2.7  – Leitura Bíblica  Tt. 2.1-8



INTRODUÇÃO
Na primeira parte do capítulo 2 dessa Epístola, objeto da aula de hoje, Paulo orienta Tito quanto à conduta correta, inicialmente em relação ao uso apropriado da língua. Em seguida, exorta os membros da igreja - especialmente idosos, mulheres, jovens e servos - quanto ao comportamento cristão. A partir dessas instruções do Apóstolo será possível extrair aplicações práticas para a conduta do cristão nos dias de hoje, ciente da sua responsabilidade não apenas dentro, mas também fora da comunidade de fé.

1. FALAR O QUE CONVEM
Um dos principais problemas dos falsos mestres de Creta, bem como aqueles de Éfeso com os quais Timóteo teve que lidar, era o uso persuasivo da língua, a fim de conduzir os membros da igreja ao engano. Paulo instrui Tito para que agisse do modo diferente, fazendo uso da língua para ensinar a sã doutrina, a fim de promover a saúde espiritual da igreja. Essa é uma demonstração do Apostolo da necessidade do ensino na comunidade cristã, é através da exposição das Escrituras que a igreja assume uma doutrina ortodoxa (Tt. 2.1). Existem igrejas padecendo porque a Palavra de Deus não é ensinada, os cultos se transformaram em meros espetáculos. Ao invés de enfatizar o “ouvir”, existe muita coisa para “ver”, cujo objetivo é simplesmente entretimento, a fim de tornar o culto atrativo. O compromisso do obreiro de Deus não é com a atratividade do culto, mas com o ensinamento correto, fundamentado na Bíblia. Em relação ao cuidado com a língua, é preciso destacar as orientações dos Provérbios a esse respeito. Esse livro de sabedoria traz lições preciosas quanto ao uso da língua, assim como faz Tiago em sua Epístola (Tg. 1.19-27). Salomão orienta seus leitores a se distanciarem da perversidade dos lábios (Pv. 4.24), e a demonstrar prudência, calando-se quando necessário (Pv. 11.12). Isso porque quanto mais se semeia a contenda, mais a situação se complica, por isso devemos ouvir mais e falar menos (Pv.12.,18,25). Nunca é demais lembrar que Deus nos deu dois ouvidos e apenas uma boca. Muitas pessoas estão arruinadas porque falaram demais, quando deveriam ter calado (Pv. 13.2,3). Aprendamos, pois, a mansidão, tenhamos cuidado para não nos exceder, até mesmo quando provocados (Pv. 15.1-4). Ao invés de semear a contenda na igreja, devemos ser brandos e falar apenas o que resulta em edificação (Pv. 15.26,28; 16.21,24; 18.6,7).

2. CONSELHOS AOS IDOSOS E ÀS MULHERES
No que tange aos diversos membros da igreja, Paulo orientou Tito para que instruísse os idosos à prudência, isso quer dizer que eles precisavam ser moderados, demonstrando qualidades espirituais (Tt. 2.1), principalmente sobriedade (gr. nepháleos), honestidade (gr. semnos), moderação (gr. sophron), expressando fidelidade (gr. pistis), amor (gr. agape) e paciência (gr. hupomone). As mulheres idosas, de igual modo, deveriam se portar com dignidade, como é esperando de uma mulher cristã, que vivam em santidade (gr. hieroperpes). As mulheres cristãs, diferentemente daquelas que semeavam falsas doutrinas, deveriam ser mestras do bem, não caluniadoras (gr. diabolos) e dadas ao vinho. É importante lembrar que o posicionamento de Paulo em relação às mulheres cretenses, assim como às de Éfeso, está fundamentado na difusão de heresias nas igrejas, que eram propagadas por essas, pela incitação dos falsos mestres. Ao que indica pelo versículo 2, essas mulheres também eram afeitas à ociosidade, ao invés de praticarem coisas boas, preferiam as conversas vãs. Essa é uma orientação que serve tanto para as mulheres quanto aos homens, para que não se envolvam em assuntos que não redundem em edificação. É importante que as mulheres mais idosas sirvam de exemplo para as mais jovens na igreja, para que essas sejam prudentes (gr. sophronizo), isto é, moderadas em sua conduta, e que amem ao marido e aos filhos. No contexto de uma sociedade marcada pelo feminismo, talvez a posição de Paulo seja questionada. Especialmente por causa do versículo 5, no qual o Apóstolo recomendou que as mulheres sejam boas donas de casas (gr. oikuros), e obedientes (gr. hupotasso) aos maridos. Mas o próprio Paulo explica o motivo, “a fim de que a Palavra de Deus não seja blasfemada” (Tt. 1.5). Isso revela um cuidado com o escândalo em relação ao papel da mulher na sociedade daquela época. A mulher cristã na atualidade pode usufruir dos direitos que conquistou, contanto que se submeta à Palavra de Deus, e saiba conciliar sua vida profissional com as responsabilidades domésticas. 

3. CONSELHOS AOS JOVENS E AOS SERVOS
Os jovens também são exortados à moderação (gr. sophroneo) pelo Apóstolo, essa virtude é repetida e aplicada a todas as faixas etárias da igreja. Espera-se de um cristão que tenha uma vida equilibrada, que não penda para os extremos. Há cristãos nas igrejas que quando não são legalistas, são liberais demais, não encontram um ponto de equilíbrio. Os jovens devem ser exemplo nas boas obras (gr. kalon ergon), e na doutrina, demonstrando disposição para o aprendizado (gr. didaskalia). Os jovens são propensos a uma vida desregrada, mas Paulo orienta Tito para que esses tenham uma linguagem sadia (gr. logon hugie), e que sejam irrepreensíveis (gr. akatagnostos), para causar vergonha ao adversário. Os jovens, como escreveu João em sua I Epístola, são fortes quando guardam a Palavra de Deus, e através dela têm poder para vencer o Maligno (I Jo. 2.14). Os jovens devem fazer como o Salmista, guardar a Palavra no coração, para não pecar contra Deus (Sl. 119.11), é preciso ensiná-los que a vontade de Deus, diferentemente do que propaga o mundo, é sempre boa, perfeita e agradável (Rm. 12.1,2). Quanto aos servos (gr. doulos), que na verdade eram os escravos, esses deveriam ser obedientes aos seus senhores, “não contradizendo”, “nem defraudando”. Esse ensinamento pode ser aplicado aos trabalhadores, fazendo as devidas adaptações e contextualizações, já que não estamos mais em regime de escravidão. Com base em outras passagens das Escrituras, compreendemos que os empregados devem trabalhar para a glória de Deus (Ef. 6.5-8; Cl. 3.22). O trabalho deve ser uma oportunidade para expressar a criatividade divina, e a possibilidade de demonstrar disponibilidade para servir ao próximo. Quando visto dessa maneira, o trabalho se torna um ornamento (gr. kosmosin), um adorno na doutrina de Deus.

CONCLUSÃO
A igreja cristã é marcada pela unidade na diversidade, isso porque na comunidade de fé temos pessoas das mais distintas condições sociais e econômicas, bem como de faixas etárias diferenciadas. Por esse motivo, devemos aprender a viver em conformidade com os princípios da Palavra, respeitando e integrando as pessoas. O equilíbrio é um estilo de vida que deve ser observado por todos os cristãos, a fim de evitar excessos e escândalos ao evangelho de Cristo. Portemo-nos, pois, de modo a glorificar a Deus através das nossas vidas, e para que as pessoas descrentes vejam Cristo em nós.

                              AutorProf. Ev. José Roberto A. Barbosa
Twitter: @subsidioEBD

BIBLIOGRAFIA
LIMA, E. R. As ordenanças de Cristo nas cartas pastorais. Rio de Janeiro: CPAD, 2015.
WILSON, G. B. As epístolas pastorais. São Paulo: PES, 1982.