sexta-feira, 31 de julho de 2015

LIÇÃO 05 - APOSTASIA, FIDELIDADE E DILIGÊNCIA NO MINISTÉRIO - 3º TRIMESTRE/2015

APOSTASIA, FIDELIDADE E DILIGÊNCIA NO MINISTÉRIO
              Texto Áureo  I Tm. 4.1  – Leitura Bíblica  I Tm. 34.1-16


INTRODUÇÃO
Na aula de hoje estudaremos a partir dessa seção da I Epístola a Timóteo os perigos das heresias. Em seguida, exortaremos, com o apóstolo Paulo, quanto à importância de permanecer na sã doutrina. Ao final, com base nessa mesma Epístola, ressaltaremos a necessidade de manter-se fiel e diligente no ministério que o Senhor nos confiou. Atestaremos, após esse estudo, que a mensagem do Apóstolo se aplica aos dias atuais, marcados por heresias que comprometem a verdade do evangelho. 

1. A APOSTASIA DOS ÚLTIMOS DIAS
As falsas doutrinas costumam entrar sorrateiramente no seio da igreja cristã, e na maioria das vezes, deixam de ser percebidas. O fundamento das heresias geralmente é moral, não necessariamente teológico. A teologia ortodoxa tem sofrido por causa de muitas pessoas que advogando uma nova revelação, se afastam dos ensinamentos bíblicos, tão somente para respaldar seus desvios da Palavra. Os falsos mestres dos tempos de Paulo não temiam a Deus, por isso viviam em lassidão, deixaram de sentir os danos do pecado. A consciência deles estava cauterizada (gr. kauteriazo), isto é, perdeu a sensibilidade. Nenhum cristão convicto da sua fé deve ser acostumar com o pecado, antes devemos odiá-lo em nós mesmos, e buscar viver em santificação. Por outro lado, precisamos ter cautela para não entrar pelo caminho do ascetismo. A heresia que estava se espalhando em Éfeso proibia o que Deus havia criado para o ser humano, até mesmo o casamento. Em Gn. 1.28 e 9.3 atestamos que tanto o casamento quanto a alimentação foram criados por Deus, não apenas para a reprodução e nutrição, mas também para o prazer. O casamento, ao contrário do que postula a filosofia relativista, foi instituído por Deus, de acordo com Seus parâmetros (Gn. 2.18; 2.24; Mt. 19.3-12; I Co. 7.1-24). O próprio sexo dentro do casamento é legítimo, pois venerado é o leito sem mácula (Hb. 13.4). No que tange ao ascetismo, é preciso ter cuidado, pois muitos que proíbem demais, estão se firmando não na graça de Deus, mas em méritos legalistas (Cl. 2.8-11). O ascetismo exagerado pode se tornar um motivo de vaidade, e uma tentativa de deixar de depender da providência divina. Jesus ressaltou que todos os alimentos são puros (Mc. 7.14-23), isso também foi ensinado por Pedro (At. 10), e confirmado por Paulo (I Co. 10.23-33). O vegetarianismo, por exemplo, pode ser uma opção pessoal, mas sem qualquer valor espiritual (Rm. 14.1,2), é preciso, no entanto, ser ponderado, para não ferir a consciência dos mais fracos (Rm. 13.13-24).

2. A IMPORTÂNCIA DA SÃ DOUTRINA
Uma das melhores maneiras dos pastores evitarem a heresia é investir na formação bíblica da sua igreja, através do estudo e meditação, enfatizando a sã doutrina. Inicialmente faz-se necessário que esses se posicionem em relação aos ensinamentos falsos, e os denunciem perante a igreja. Há pastores que não fazem mais apologética, se acostumaram de tal maneira às falsas doutrinas que perderam o foco espiritual. Os ministros são verdadeiros servos (gr. diakonos) da igreja, servindo a mesa com o genuíno alimento espiritual. Mas para isso eles mesmos precisam investir no estudo bíblico, pois somente serão pastores-mestres se se tornarem alunos. O conhecimento da verdade é a única maneira de combater o erro, ninguém pode identificar o falso se antes não tiver contato com o verdadeiro. Algumas doutrinas estão sendo disseminadas nas igrejas evangélicas brasileiras que nada têm de bíblicas. Há líderes de renome nacional que disseminam suas ideias, sem que essas tenha respaldo bíblico. A teologia da ganância, normalmente denominada de prosperidade, é um equívoco. O acúmulo de riquezas nada tem a ver com espiritualidade, ninguém é mais ou menos crente pela quantia que tem ou deixa de ter. Por outro lado, alguns estão confundido marxismo com cristianismo, e adotando uma pauta ideológica que também não se fundamenta na Palavra. O evangelho de Cristo não está alicerçado no pensamento individualista e consumista da direita, e muito menos no pensamento materialista e coletivista da esquerda. O evangelho dá ao homem a responsabilidade de escolher, inclusive de decidir se distanciar de Deus, ainda que tenha que colher o fruto do que plantou (Gl. 6.7). De igual modo, devemos ter responsabilidade social, pois Cristo nos chamou para viver no mundo, e nos identificar com aqueles que passam por necessidade (Lc. 4.18; Mt. 11.5). Os cristão que se preocupam com as causas sociais, e que se respaldam na ortodoxia bíblica, devem ser respeitados sem que sejam rotulados de adeptos da esquerda.

3. FIDELIDADE E DILIGÊNCIA NO MINISTÉRIO
Espera-se que o pastor seja fiel aos seus líderes, o princípio da autoridade deve ser respeitado. No entanto, nenhum líder deve se submeter a doutrinas que não tenham fundamento bíblico. Há pastores que sob a justificativa de que são autoridade suprema querem inserir “fábulas profanas” dentro das igrejas. Há líderes que adoram as novidades, vivem buscando saber qual o movimento da moda, para não ficarem ultrapassados. Faz-se necessário identificar e refutar os contradizentes, isto é, os que não seguem o evangelho, e que estão indo após ensinamentos falsos (Tt. 1.14; II Tm. 4.4). A norma basilar de autoridade na igreja evangélica é a Palavra de Deus, todos estão submissos a ela, pastores e mestres. No catolicismo é a tradição que dita as regras da igreja, mas não na orientação protestante. Todos aqueles que assumem a tribuna devem fazê-lo com temor e tremor, cientes de que prestarão contas a Deus a respeito do que anunciam. Ao mesmo tempo, a fidelidade à liderança da igreja é um pressuposto, espera-se que um líder tenha outros líderes, a fim de prestar-lhe obediência. Mas essa deve se firmar nas Escrituras, pois elas são a norma de fé da igreja cristã. O pastor também deve ser um homem piedoso (gr. eusebeia), dedicado à vida espiritual. Isso quer dizer que o obreiro do Senhor deve ser reverente, por isso deve separar tempo para se dedicar à leitura da Bíblia e à oração. O cuidado com o corpo também é necessário, pois esse é templo do Espírito Santo (I Co. 6.19,20) e instrumento para o serviço (Rm. 12.1,2). O foco do pastor não está no culto ao corpo, mas em uma vida espiritual, na intimidade diária com Deus, pondo sua esperança no Deus Vivo (I Tm. 4.9-11). O pastor deve ser um exemplo para os fiéis na palavra, no procedimento, no amor, na fé, na pureza, e também no estilo de liderança, sem agir como dominador do rebanho (I Pe. 5.3). Os pastores jovens não devem ser desprezados pelos mais velhos (I Tm. 4.12), antes admoestados para que cresçam no ministério do Senhor.

CONCLUSÃO
Por fim, Paulo recomenda a Timóteo, e se aplica à liderança da igreja atual, que se dedique à leitura pública das Escrituras (I Tm. 4.13), tal como faziam os sacerdotes em Israel (Ne. 8.8). Isso tem a ver com a exposição bíblica, prática que está sendo abandonado nas igrejas evangélicas. Faz-se necessário ler, explicar e aplicar as Escrituras, essa é a base de sustentação da igreja. Devemos fazê-lo não apenas dependendo da meditação (I Tm. 4.15), mas também do poder (gr. carisma) do Espírito Santo (I Tm. 4.14). É fundamental ensinar e viver o que se ensina, é assim que se cuida de si mesmo e da doutrina (I Tm. 4.16).

Autor: Prof. Ev. José Roberto A. Barbosa
Twitter: @subsidioEBD

BIBLIOGRAFIA
GOUD, D. 1 & 2 Timothy/Titus. Nashville: B & H, 1997.
LOPES, H. D. 1 Timóteo: o pastor sua vida e obra. São Paulo: Hagnos, 2014.

quinta-feira, 9 de julho de 2015

LIÇÃO 02 - O EVANGELHO DA GRAÇA - 3º TRIMESTRE/2015

O EVANGELHO DA GRAÇA
              Texto Áureo  At. 20.24  – Leitura Bíblica  I Tm. 1.3-20




INTRODUÇÃO
A Primeira Epístola a Timóteo foi escrita por Paulo, a quem denomina o jovem pastor de “meu verdadeiro filho na fé” (I Tm. 1.2). Com essa declaração objetiva reconhecer e legitimar o ministério espiritual desse obreiro perante a congregação. Na aula de hoje, nos voltaremos para as orientações do Apóstolo à igreja, considerando a necessidade de refutar os falsos ensinamentos. Ao final, destacaremos a importância de não nos apartarmos do evangelho da graça, sob pena de comprometer o evangelho genuíno.

1. A DOUTRINA DOS APÓSTOLOS
Paulo está preocupado em manter a sã doutrina, e refutar os falsos ensinamentos que comprometiam o verdadeiro evangelho. ÉA onda de subjetivismo ainda hoje mina muitas igrejas evangélicas. Há pastores que criticam o liberalismo nas igrejas, mas não sabem que a experiência, distanciada da Palavra também é liberalismo. Os falsos mestres dos tempos de Paulo estavam se infiltrando nas igrejas, trazendo um ensino diferente (gr. heterodidaskaleo). Uma ala desse ensinamento não apostólico se respaldava em uma interpretação equivocada da lei (I Tm. 1.7). Existem movimentos estranhos ao evangelho, semelhantes aos judaizantes do passado, que querem resgatar a prática da lei como condição para a salvação. Paulo reconhece que a Lei é boa, tendo em vista que ela busca orientar o ser humano. Mas essa é incapaz de salvar, pois serve apenas  como um aio, um pedagogo que conduz o aluno à escola, mas não pode modificar seu comportamento (Gl. 3.24,25). O uso equivocado da Lei acaba por favorecer mitos e genealogias intermináveis, lendas que não edificam e contrariam o evangelho (I Tm. 4.7). Essas mitologias e genealogias também causam contendas nas igrejas, e uma espécie de especulação vazia de verdade. Mas a Torah aponta o caminho correto, para que o pecador reconheça suas limitações, e se volte para Deus. Até mesmo na sociedade, as leis servem tão somente para deter os instintos rebeldes do ser humano. Contudo, não podem modificar o caráter, ainda que sejam necessárias para evitar o caos (I Tm. 1.9-10). A mudança na natureza somente acontece a partir do interior (Cl. 3.5-11), quando o novo homem é construído, através do Espírito Santo, em Cristo (Gl. 5.22).

2. O ENSINAMENTO DOS FALSOS MESTRES
Os falsos mestres dos tempos de Paulo impunham proibições e penalidades, e ao mesmo tempo, as contradiziam, praticando imoralidades. A coerência deve ser buscada pelos servos de Deus, ainda que reconheçam que são incapazes de alcançar o padrão divino por conta própria. Faz-se necessário ter cuidado com o mero moralismo, às vezes, exige-se um padrão moral dos outros, atentando para algumas áreas, principalmente restrita à sexualidade. A hipocrisia é demonstrada quando pessoas exigem demais em uma área, mas transgridem em outras, naturalizando determinados pecados. Esse era o pecado de alguns fariseus dos tempos de Jesus, eles faziam de tudo para conseguir prosélitos, coavam um mosquito e engoliam um elefante (Mt. 23). A sã doutrina identifica a realidade do pecado, sobretudo sua universalidade (Rm. 3.23), ao mesmo tempo em que reconhece que ninguém é salvo pelas obras (Ef. 2.8,9), mas pela graça por meio da fé, gratuitamente (Rm. 6.23), como resultado do amor de Deus (Jo. 3.16; Rm. 5.8). Paulo sabe que foi um dos piores pecadores, um perseguidor da igreja de Jesus Cristo, tendo sido alcançado pela graça maravilhosa de Deus (I Tm. 1.16). Por isso destina a honra e a glória a Deus, não aos homens. Há líderes que pensam que a salvação depende deles, os méritos não são de Cristo, mas das obras que realizam. Esse é outro evangelho, nada tem a ver com o evangelho de Jesus (Gl. 1.7-9). Muitos estão se deixando enfeitiçar por essa falsa doutrina, que defende a salvação pelas conquistas humanas. Somos todos pródigos, é a graça de Deus que nos acolhe, a graça de Deus deve continuar nos causando espanto.

3. O EVANGELHO DA GRAÇA
Desfrutamos da graça e paz de Deus, que excede todo e qualquer entendimento, principalmente o religioso. A graça (gr. charis) é o favor imerecido de Deus, Ele nos dá muito além do que merecemos. Quando somos alcançados pela graça de Deus, podemos não apenar ter paz (gr. eirene) com Deus, mas também a paz de Deus (Fp. 4.7). Essa é uma paz que o mundo não conhece, mas que nos foi prometida por Cristo, antes de partir da terra (Jo. 14.27). Muitos cristãos estão perdendo a surpresa diante da graça de Deus. As responsabilidades eclesiásticas estão naturalizando os relacionamentos. Sem perceber alguns deles pensam que são merecedores das dádivas divinas. Como o fariseu da parábola de Jesus, estufam o peito diante de Deus, e apresentam suas prerrogativas, achando que são dignos (Lc. 18.9). Davi precisou ser advertido pelo profeta Natan, para que percebesse seu pecado, e se voltasse em arrependimento ao Senhor (Sl. 51.8). Com Paulo precisamos lembrar constantemente, que a graça do nosso Senhor transbordou sobre nós, com a fé o amor que estão em Cristo Jesus (I Tm. 1.14). A graça de Deus também nos motiva ao amor (gr. agape), a responder positivamente à providência do Senhor. Amamos a Deus, e uns aos outros, porque Ele nos amou primeiro (I Jo. 4.19), esse é o genuíno evangelho, uma palavra fiel e verdadeira, digna de toda aceitação (I Tm. 1.15). Por isso Timóteo deve pregá-la com ousadia naquela comunidade, para que os ouvintes possam reconhecê-la. Trata-se, na verdade, de um combate, a fim de, apologeticamente, manter a fé e a boa consciência que alguns estão rejeitando (I Tm. 1.18-20).

CONCLUSÃO
Diante da ameaça das falsas doutrinas na igreja, Paulo admoesta Timóteo para que combata contra os mestres do engano. Quando o evangelho está sendo ameaçado por ensinamentos falsos, devemos ser firmes e contundentes na defesa da verdade. Nossa principal arma é a espada do Espírito que é a Palavra de Deus (Ef. 6.17), com ela podemos destruir as fortalezas do erro, e mostrar a direção correta, a fim de defender a fé que uma vez foi entregue aos santos (Jd. 3).
Autor: Prof. Ev. José Roberto A. Barbosa
Twitter: @subsidioEBD

BIBLIOGRAFIA
KELLY, J. N. D. I e II Timóteo e Tito. São Paulo: Vida Nova, 1983.
SWINDOLL, C. R. Insights on 1 & 2 Timothy and TitusIllinois: Tyndale House Publishers, 2013.