sexta-feira, 26 de setembro de 2014

LIÇÃO 12 - A ATUALIDADE DOS ÚLTIMOS CONSELHOS DE TIAGO - 3º TRIMESTRE/2014

A ATUALIDADE DOS ÚLTIMOS CONSELHOS DE TIAGO
Texto Áureo Tg. 5.16 – Leitura Bíblica Tg. Tg. 5.7-20


INTRODUÇÃO
Tiago conclui sua Epístola apresentando vários conselhos aos seus ouvintes. Na aula de hoje atentaremos para esses conselhos, ressaltando sua atualidade para a igreja contemporânea. O primeiro deles diz respeito à importância da paciência, precisamos aprender a suportar as aflições e esperar em Deus. O segundo está relacionado às orações, devemos interceder por aqueles que estão aflitos, e confiar na eficácia da oração. O terceiro orienta quanto à restauração dos desviados, e também da unção com óleo.

1. A IMPORTÂNCIA DA PACIÊNCIA
Em uma sociedade imediatista as pessoas não têm mais paciência para esperar. A mensagem de Tiago, a esse respeito, é bastante pertinente. Devemos aguardar, sobretudo, a volta do Senhor Jesus, sem perder a esperança (Tg. 5.7-11). Nos atuais há aqueles que não mais aguardam a vinda do Senhor, tornaram-se tão secularizados que são incapazes de se voltarem para as verdades espirituais. Essa esperança nos coloca em uma posição ética, principalmente no uso da língua, tendo o cuidado de não fazer juramentos inapropriados (Tg. 5.19). A paciência do agricultor deve servir de inspiração para todos os cristãos, considerando  que somos desafiados pela Palavra a ter esperança, mesmo diante das adversidades. O agricultor não tem controle do tempo, por isso entrega-se ao Deus da providência que, ao Seu tempo, enviará a chuva. Como cristãos, somos advertidos a frutificar, devemos ser produtivos na fé (Lc. 13.6-9; Gl. 5.22,23). Os profetas de Deus nos deixam o exemplo de paciência, pois mesmo sendo vituperados, não se distanciaram da Palavra de Deus. Estevão, em seu sermão, lembrou o sofrimento dos profetas, que se sacrificaram na defesa da revelação que receberam de Deus (At. 7.52). As perseguições, conforme nos ensinou Jesus, não devem nos distanciar da verdade, muito pelo contrário, somos bem-aventurados por sofrer por causa do Senhor (Mt. 5.11,12). Paulo deixa claro, pera seu filho na fé Timóteo, que todos aqueles que querem viver piamente padecerão perseguição (II Tm. 3.2). O fundamento da nossa esperança está na Palavra de Deus, pois tudo o que nela está escrito serve para constância e consolação, para não perdermos a esperança (Rm. 15.4).Tiago lembra que Jó foi um homem que padeceu muitas aflições, mesmo assim, não perdeu a esperança diante das adversidades, antes glorificou o Senhor (Jó. 13.15). Deus tem Seus propósitos, e para isso permitirá que sejamos afligidos, com vistas à maturidade espiritual do crente (Jó. 42.5).

2. A EFICÁCIA DA ORAÇÃO DO JUSTO
Diante da provação, devemos encontrar conforto não apenas na Palavra, mas também na oração. Ao invés de murmurar, precisamos nos voltar para a oração, buscando consolo na presença do Senhor. Através da oração Deus, de acordo com Sua soberana vontade, pode modificar as situações. Quando Deus não muda o curso da adversidade, nos dá através da oração, a força para enfrentá-la (II Co. 12.7-10). Através da meditação na palavra e na oração Deus alegra o coração do crente, dando-lhe poder para superar os momentos de aflições (Tg. 5.13). A maturidade cristã é medida pela capacidade do crente enfrentar as aflições com fidelidade (Hb. 11). Mesmo diante do sofrimento o cristão pode cantar hinos de louvores a Deus (Jó. 35.10), como fizeram Paulo e Silas na prisão (At. 16.25). Devemos orar pelos nossos irmãos, sentindo suas necessidades, intercedendo pelas suas dificuldades, inclusive cura das enfermidades. Inicialmente destacamos que os crentes não estão imunes às doenças, conforme apregoam alguns adeptos da teologia da saúde. O cristão pode ser afligido por doenças, considerando que estamos em um mundo caído, portanto estamos sujeitos às mesmas intempéries pelas quais passam os descrentes. Nem todas as doenças são resultantes de pecados, algumas delas servem para que o Senhor seja glorificado (Jo. 9.3,4). Mas existem casos específicos de enfermidades que decorrem de pecado, são doenças que se alojam no corpo e na alma por causa de práticas pecaminosas (Tg. 5.15,16). Em tais casos, os presbíteros da igreja devem ser chamados, e o pecador deve confessar seu pecado em arrependimento, e Cristo, o Paracleto, perdoará os pecados, podendo também restituir a saúde (I Jo. 1.9). Em tais casos os presbíteros deverão orar impondo as mãos sofre o enfermo, e a oração da fé, em conformidade com a vontade de Deus, será eficaz na cura do doente (I Jo. 5.14,15). Os presbíteros também devem ungir o enfermo com óleo, e ouvir a confissão daquele que se encontra em pecado. A confissão, no contexto de Tiago, tem um valor terapêutico, através das palavras, o pecador recebe não apenas o perdão de Deus, mas também se desfaz do fardo da culpa.  Não devemos desprezar a oração, pois essa é poderosa em seus efeitos, podemos realizar muito para o Senhor, se dependermos dEle através da oração (Tg. 5.17,18). Tiago nos lembra do exemplo de Elias, que era um homem sujeitos as mesmas fraquezas que temos, mas que confiou em Deus, e teve resposta das suas orações em momento oportuno (I Rs. 18.41-46). A instrução em oração pelos desviados é uma tarefa importante para os cristãos, em amor devemos conduzi-los ao caminho da verdade (Lc. 22.32). Uma das missões dos crentes é arrebatar do fogo aqueles que se encontram em condição de risco ao longo da jornada da fé (Jd. 23).

3. A UNÇÃO COM ÓLEO
A unção com óleo não é uma assunto simples de ser tratado, e tem gerado variadas controvérsias teológicas ao longo da história da igreja cristã. Tiago recomenda a unção com óleo, pelos presbíteros, àqueles que os chamam, para confessarem seus pecados, e obterem saúde, através da oração (Tg. 5.14). É preciso deixar bem claro o que está revelado nesse texto, inicialmente a unção deve ser dada indistintamente, sem que a pessoa tenha solicitado. Não há qualquer respaldo bíblico para a unção de objetos, como acontece em algumas igrejas evangélicas. A unção com óleo não deve ser entendida como um sacramento, como o fazem algumas igrejas, defendendo que essa é necessária para que a pessoa seja salva. A unção com óleo não é suficiente para que alguém seja salvo, a salvação depende da graça de Deus, demonstrada em fé com arrependimento de pecados (Ef. 2.8.9). A unção com óleo, no texto de Tiago, nada tem a ver com extrema unção, trata-se de uma intervenção não para morte, mas para a vida. Devemos compreender o texto também no contexto da época, o óleo era um componente medicinal entre os judeus, associado ao tratamento de algumas enfermidades. Com base nesse princípio, temos respaldo para consultar os médicos, e fazer o tratamento conforme nos é orientado, ao mesmo tempo em que confiamos na intervenção divina, o próprio Jesus lembrou que os doentes precisam de médicos (Mt. 9.9-13). A instrução pra que os presbíteros da igreja orem pelos enfermos, ungindo-os com óleo é uma orientação comum, que nada tem de especial. O próprio óleo em si mesmo não tem poder, independentemente da sua procedência, seja do Brasil ou de Israel. Diante dos excessos que temos testemunhado em algumas igrejas, precisamos manter o equilíbrio espiritual a esse respeito. Não devemos proibir a unção com óleo, mas precisamos reprovar os exageros, compreendendo que sua função principal é restaurar a saúde física, sobretudo espiritual do enfermo.

CONCLUSÃO
Tiago desafia os crentes a viver uma vida cristã autêntica, sobretudo, equilibrada, que se fundamente em extremismos. Seus conselhos são práticos, e nos orientam para uma fé que seja manifesta através de obras. Mesmo diante das adversidades, devemos manter a fé firme no Senhor, que prometeu que retornaria para buscar Sua igreja (Jo. 14.1). Enquanto isso não acontece, devemos resistir às tentações, e ser fortes diante das provações. Na comunidade de fé precisamos ajudar uns aos outros, orando por aqueles que se encontram em condição de fragilidade, restaurando-lhe ao caminho da verdade (Jo. 14.6).

                                AUTOR:Prof. Ev. José Roberto A. Barbosa
Twitter: @subsidioEBD

BIBLIOGRAFIA
LOPES, H. D. TiagoSão Paulo: Hagnos, 2006.
WEIRSBE, W. W. Exodus: be delivered. Colorado Springs: David Cook, 2010.

sábado, 13 de setembro de 2014

LIÇÃO 11 - O JULGAMENTO E A SOBERANIA PERTENCEM A DEUS - 3ª TRIMESTRE/2014

O JULGAMENTO E A SOBERANIA PERTENCEM A DEUS
Texto Áureo Tg. 4.12 – Leitura Bíblica Tg. 4.11-17



INTRODUÇÃO
Somos tentados a sermos senhores do nosso destino, como diz um conhecido poema,  capitães da própria alma. Nos tempos de “quem sabe faz a hora”, é comum às pessoas dispensarem os cuidados de Deus. Na lição de hoje atentaremos para a necessidade de não incorrermos no risco de julgar os outros. Em seguida, nos voltaremos para a soberania de Deus, diante das possibilidades das decisões centradas no ser humano. Por fim, destacaremos o perigo da arrogância humana, manifestada na presunção, e a importância da humildade na vida do cristão.

1. NÃO JULGAR OS OUTROS
As múltiplas atribuições eclesiásticas nos fazem esquecer de que somos membros da mesma família. Tiago nos lembra de que Deus, em Jesus, nos ensinou a amar uns aos outros, e a tratar o próximo como a nós mesmos (Tg. 2.8). Em relação aos nossos irmãos, quando os julgamos, nos tornamos senhores sobre eles. Devemos sempre lembrar que Deus, e não nós,  é o verdadeiro legislador (Tg. 4.12). Há crentes que não perdem a oportunidade de se colocar diante dos outros membros da igreja. Existem igrejas que, no sentido bíblico-etmológico do termo, são desgraçadas, os membros não têm misericórdia uns dos outros. Há aqueles que torcem, e em alguns casos, favorecem a queda dos irmãos e irmãs na igreja. Philip Yancey costuma dizer que encontra mais graça entre os Alcoólicos Anônimos (AA) do que em determinadas comunidades cristãs. Existem crentes capazes se sentir satisfação com a queda dos outros, e transformá-las em fofoca. E o pior, há os que não se preocupam em ajudar em ver o outro em condição de risco. Quando os vê caídos, ao invés de estender a mão, aproveitam a oportunidade para usar a língua contra o próximo. As igrejas, muito mais do que templos, deveriam ser comunidades de acolhimento. As igrejas não devem fomentar a discórdia, considerando que essa é uma obra da carne (Gl. 5.17-19). Muito pelo contrário, nossa tarefa é a de construir pontes, não muralhas diante dos nossos irmãos. A divisão na igreja, como ocorria em Corinto, é característica de congregações carnais (I Co. 3.1-3).  As “panelinhas” somente servem para incentivar a discórdia, a beleza da igreja está justamente na capacidades de conviver, inclusive com os diferentes. Quem nos julga é a palavra de Deus, ela aponta quando pecamos, e nos dar a possibilidade de arrependimento. Como cristãos devemos fazer o mesmo, até mesmo nos casos de disciplina, essa deve ser feita com amor, visando o reestabelecimento o transgressor (I Co. 5.1-13).

2. A SOBERANIA DE DEUS A BREVIDADE DA VIDA HUMANA
Somente Deus é soberano, isto é, Ele determina, ao Seu tempo, a realização dos seus desígnios. Devemos reconhecer que Deus é Senhor da Sua vontade, Ele não precisa pedir conselhos (Rm. 11.34). Por isso, faz-se necessário reconhecer que diante da complexidade da vida, é Deus que está no comando de todos as coisas (Tg. 4.14). Mas nós, enquanto seres limitados, não podemos determinar como será o futuro, mesmo que tenhamos os devidos cuidados (Pv. 27.1). Jesus reprovou a confiança própria ao contar a parábola do rico insensato (Lc. 12.16-21). Aqueles que acham que são senhores do seu destino, que não depositam sua confiança em Deus, não passam de tolos. Vita brevis, essa é uma declaração latina clássica, que quer dizer “a vida é breve”. Devemos ter sempre diante dos nossos olhos a realidade da morte. Se as pessoas se lembrassem disso de vez em quando, teriam motivos para serem mais humildes. Jó reconheceu que seus dias eram mais velozes do que a lançadeira do tecelão (Jó 7.6). E afirma ainda que nossa vida na terra pode ser comparada a uma sombra (Jó. 8.9) e como se isso não fosse suficiente, defende que o homem nascido de mulher é de poucos dias e cheio de tribulação (Jó. 14.1,2). Moisés, nas palavras de um salmo, também diz que “acabam os nossos anos como um suspiro, pois passa rapidamente e nós voamos” (Sl. 90.9,10). Não podemos ter a ilusão de que somos capazes de controlar nosso futuro. Evidentemente não estamos estimulando a falta de planejamento, que também é um equívoco. Antes devemos colocar nossos projetos diante de Deus, sabendo que somente Ele será capaz de levar nossos planos adiante. Como fazem as pessoas do presente século, não devemos imaginar que estamos no controle das nossas vidas. Quando o Titanic foi construído, tiveram a audácia de firmar que nem Deus seria capaz de afundá-lo, mas a história mostrou o contrário. A torre de Babel é um exemplo bíblico de projeto humano, distanciado das orientações divinas e que resultou em ruína (Gn. 11).

3. A PRESUNÇÃO HUMANA, UM PERIGO DIANTE DE DEUS
Somos seres frágeis, mas nem todas as pessoas se apercebem desse fato. Há aqueles que pensam que são indestrutíveis. Antes de qualquer coisa, destacamos nossa ignorância em relação ao futuro, e que nossa vida passa como um vapor (Tg. 4.14). Por isso, precisamos ter consciência da nossa dependência de Deus (Tg. 4.15). Trilhar o caminho da presunção é demasiadamente perigoso para o cristão. Isso porque a presunção nos faz acreditar que somos senhores do nosso destino (Tg. 4.16). Esse pensamento pode nos conduzir à desobediência, por desconsiderarmos Deus, tornando-O desnecessário. A desobediência premeditada conduz à apostasia, impossibilitando o retorno. Há cristãos que por desconsiderarem Deus, e se acharem senhores das suas vidas, se desviam do caminho. A mensagem de Pedro é de advertência a esse respeito: seria melhor que não tivessem conhecido o caminho da justiça, do que o conhecer e ter se desviado dele (II Pe. 2.21). Devemos seguir o exemplo de Jesus, que aprendeu a obediência ao Pai, e se submeteu até o fim à Sua vontade (Jo. 4.34). Fazer a vontade do Pai precisa ser nossa principal doutrina (Jo. 7.17). Paulo nos conclama a entender a vontade do Senhor (Ef. 5.17), além de ressaltar que essa é boa, agradável e perfeita (Rm. 12.2). Entregar-se à vontade própria é demonstração de presunção, é tornar-se escravo dos próprios caprichos. Ser cristão genuíno é uma atitude de rendição, uma disposição a dizer não a si mesmo, a confiar em Deus. Ser cristão é ponderar, e saber que não é senhor do seu destino, muito menos capitão da sua alma. Ser cristão é uma entrega incondicional à vontade de Deus, uma demonstração de confiança. Quando dependemos de Deus, fazemos nossos projetos, acompanhamos sua execução, mas estamos cientes dos nossos limites. E independentemente dos resultados, reconhecemos que Deus é o Senhor, e que tudo fará conforme Seus desígnios (Rm. 8.28).

CONCLUSÃO
A mensagem de Tiago é oportuna para os dias atuais, considerando que muitas pessoas tornaram Deus desnecessário em suas vidas. Há aqueles que acreditam em Deus, mas vivem como se Ele não existisse. Como cristãos genuínos, devemos colocar o Senhor em cada situação da nossa existência. As mais simples decisões do cotidiano podem ser postas aos pés do Pai, através da oração. Os cristãos, ao contrário do que afirma a filosofia humanista, não é senhor do seu destino, muito menos capitão da sua alma. A vida do cristão está nas mãos de Deus, Ele é, verdadeiramente, o capitão das nossas vidas e o Senhor das nossas almas.

                                 Autor:Prof. Ev. José Roberto A. Barbosa
Twitter: @subsidioEBD
        

BIBLIOGRAFIA
LOPES, H. D. Tiago. São Paulo: Hagnos, 2006.
WEIRSBE, W. W. Exodus: be delivered. Colorado Springs: David Cook, 2010.

sábado, 6 de setembro de 2014

LIÇÃO 10 - O PERIGO DA BUSCA PELA AUTORREALIZAÇÃO HUMANA - 3º TRIMESTRE/2014

O PERIGO DA BUSCA PELA AUTORREALIZAÇÃO HUMANA
Texto Áureo Tg. 4.10 – Leitura Bíblica Tg. 4.1-10


INTRODUÇÃO
A sociedade moderna está impregnada pela ideia do sucesso, muitas vezes alcançado a qualquer custo, sem qualquer consideração ética, mais que isso, sem o aval divino. Na aula de hoje estudaremos a respeito dos perigos da busca desenfreada pela autorrealização pessoal, ressaltando, sobretudo, as implicações que essa pode trazer, quando distanciadas dos princípios divinos. Destacaremos, na aula de hoje, que a autorrealização pressupõe uma ética, e que essa deve se respaldar nos princípios cristãos.

1. A AUTORREALIZAÇÃO HUMANA
Nas livrarias os livros que mais são vendidos são aqueles que motivam à autorrealização, esses são comumente reconhecidos como “autoajuda”. Isso porque se fundamentam na concepção de sucesso, independentemente de Deus. O mundo empresarial comprou essa concepção, que é considerada normal em um contexto no qual Deus se tornou desnecessário. Em consonância com Tiago, devemos ter cuidado com a competitividade exacerbada que predomina nos mundo dos negócios, e que, às vezes, está sendo adotado dentro das igrejas. As desavenças no âmbito eclesiástico não têm o respaldo divino (Tg. 4.1). As invejas e cobiças estão sendo colocadas em um patamar que os outros deixam de ser considerados. Há até aqueles que oram com intento de satisfazerem suas vaidades (Tg. 4.3). Devemos tomar cuidado com essas orações, na maioria das vezes elas refletem os desejos mais ocultos, e em alguns casos, sentimentos de ganância. Alcançar determinados espaços não pode ser a razão de ser, a competitividade também tem limites, o respeito ao próximo continua sendo o padrão ético de Jesus (Mt. 22.37). Paulo, em consonância com a mensagem de Tiago, nos orienta a deixar morrer nossos membros, para não sermos controlados pelas nossas paixões (Cl. 3.5-9). Não há limite para a cobiça, em uma sociedade de consumo, quanto mais se tem mais se quer. A propaganda incita à inveja, a buscar primeiro nossos interesses, e colocar os outros em segundo plano, inclusive o reino de Deus. Mas Jesus nos ensina que devemos colocar o reino de Deus primeiro, e as coisas necessárias nos serão acrescentadas (Mt. 6.33). Como o salmista, nosso maior desejo deve ser agradar a Deus, Ele precisa ser sempre nosso maior anelo (Sl. 63.1). Devemos lembrar sempre que o cristianismo nada tem a ver com esses padrões absorvidos pela sociedade. A igreja precisa ser diferente, não apenas no modo de vestir, mas também em seu proceder. Como bem destacou Kierkegaard, “no dia que o cristianismo e o mundo se tornarem amigos, o cristianismo deixará de existir”.

2. O PERIGO DA AUTORREALIZAÇÃO
Esse sistema de autorrealização em que os fins justificam os meios não é cristão, é diabólico. Não devemos esquecer que o mundo jaz no maligno (I Jo. 5.19) e que Satanás, o deus deste século, cegou o entendimento das pessoas (II Co. 4.4). Destacamos algumas das tendências atuais: valorização do temporário em detrimento do eterno (I Co. 7.32,33), a cobiça dos olhos, através da ostentação de bens, que alimenta a soberba da vida, não provém de Deus (I Jo. 2.16); e o desejo desenfreado de ter sempre mais, ao ponto de perder a própria vida (Mt. 16.26; Lc. 9.25). A parábola contada por Jesus, a respeito do rico insensato, deve servir de alerta a todos aqueles que se entregam desordenadamente aos interesses mundanos (Lc. 12.19-21). Muitas pessoas estão trocando o tesouro celestial, que a traça não corrói nem a ferrugem o atinge, pelos tesouros terrenos (Mt. 6.21). Tenhamos cuidado para não nos deixar levar pelo pensamento da maioria, nem sempre a voz do povo é a voz de Deus, como se costuma dizer. Fomos alcançados pela graça de Deus, e essa nos reclama a um modo de viver diferenciado, que não se pauta pelo mundanismo (Tt. 2.11,12). Os valores deste mundo nada têm a ver com os princípios da Palavra de Deus (I Jo. 2.15). Enquanto que a sociedade exalta aqueles que conseguiram “vencer na vida”, a mensagem evangélica diz “Deus resiste aos soberbos, dá, porém, graça aos humildes” (Pv. 3.34; Tg. 4.6). Existe um ranking daqueles que são considerados os mais ricos do mundo, e esse é divulgado todos os anos pelas principais revistas internacionais. Mas será que esses mesmos ricos podem ser considerados assim do ponto de vista de Deus? Os critérios do Senhor em relação ao sucesso são diferentes daqueles apregoados pelo mundo dos negócios. Na perspectiva divina o modelo de sucesso é o de Jesus, que se esvaziou, tomando a forma de servo, de igual modo, devemos considerar sempre os outros superiores a nós mesmos (Fp. 2.3). A fé cristã não exalta, ou pelo menos não deveria, aqueles que conseguiram seu “lugar ao sol”. A preocupação dos cristãos, como foi a de Cristo, deve ser com aqueles que se encontra em condição de vulnerabilidade. O auxílio aos mais pobres é uma missão a ser perseguida por todos os cristãos, levando às pessoas o evangelho integral, que percebe tanto o corpo quanto o espírito.

3. O EQUILIBRO NAS REALIZAÇÕES
A busca pela realização pessoal necessariamente não é pecado, todas as pessoas podem estudar, também comercializar, mas a soberba não deve ser o fundamento de qualquer empreendimento. Em tudo que fazemos devemos estar debaixo da sujeição de Deus, nada temos ou podemos ter sem que Ele nos permita. Ao invés de seguir os ditames deste mundo tenebroso, devemos ouvir a Palavra de Deus, e escolher ir após Jesus, como seus discípulos (Mt. 16.24-28). Para isso precisamos resistir ao diabo, revestindo-nos de toda armadura de Deus (Ef. 6.10-18), não nos dobrando aos seus ardis (Tg. 4.7; I Pe. 5.7,8). Quando mais nos aproximamos de Deus, mais nos distanciamos do alcance de Satanás (Tg. 4.8). O autor de Hebreus nos chama à aproximação de Deus, com um coração sincero e repleto de fé (Hb. 10.22). A adoração ao Senhor é o caminho por meio do qual nos achegamos ao trono da graça, o próprio Deus busca adoradores, que o fazem em espírito e em verdade (Jo. 4.24). É nessa disposição que podemos trabalhar, estudar e fazer qualquer coisa, tudo na fé em Cristo Jesus, que a todos abençoa (I Co. 10.31-33; II Tm. 3.16; I Pe. 2.9). Os cristãos não podem fazer parte do mundo (satânico), mas estão no mundo (físico) a fim de atrair o mundo (pessoas) para Deus. Nessa missão, devemos ter cuidado para não sermos engodados pelos padrões que podem nos distanciar de Deus. Não precisamos entrar nessa competitividade doentia, confiemos no Senhor, assim como fez Abraão (Gn. 13.8). Os cristãos não estão impedidos de estudarem, buscar promoções no trabalho, mas estão limitados pela ética bíblica. Atitudes que envergonham o evangelho não deve ser utilizadas para se alcançar determinado fim. As mãos dos cristãos devem estar limpas, nada de duplo ânimo, isto é, procedimentos contraditórios (Tg. 4.8). Não somos cristãos apenas durante o período que estamos dentro do templo, mas em todos os momentos da vida, vinte e quatro horas por dia.

CONCLUSÃO
Mas para aqueles que se arredaram com o pecado, Tiago nos traz uma mensagem de esperança. É preciso sentir a miséria da condição de distanciamento de Deus, e lamentar o desejo de autorrealização fora dos padrões bíblicos. A conversão é uma possibilidade, que se concretiza na vida daqueles que abandonam o orgulho. O sucesso, como um fim em si mesmo, não tem respaldo escriturístico. A advertência de Jesus nesse sentido é enfática: “Ai de vós, que estais fartos, porque tereis fome, ai de vós, o que agora rides, porque vos lamentareis e chorareis” (Lc. 6.25).

                                  Autor:Prof. Ev. José Roberto A. Barbosa
Twitter: @subsidioEBD

BIBLIOGRAFIA
DAVIDS, P. H. Tiago. São Paulo: Vida, 1997.
SHEDD, R. P.; BIZERRA, E. F. Uma exposição de Tiago. São Paulo: Shedd Publicações, 2010.