sábado, 15 de março de 2014

LIÇÃO 11 - DEUS ESCOLHE ARÃO E SEUS FILHOS PARA O SACERDÓCIO - 1º TRIMESTRE/2014

DEUS ESCOLHE ARÃO E SEUS FILHOS PARA O SACERDÓCIO
Texto Áureo Ap. 5.10 – Leitura Bíblica Ex. 28.1-11


INTRODUÇÃO
A escolha dos sacerdotes, na família de Arão, tinha o propósito do serviço, eles também tinham a responsabilidade de representar a Deus diante do povo. Na aula de hoje atentaremos para a importância do serviço sacerdotal diante de Deus e do Seu povo. Ao final, mostraremos que esse ofício deveria ser exercitado com temor ao Senhor, e que, no Novo Pacto, formos escolhidos para sacerdotes, ministros na igreja de Cristo.

1. SACERDÓCIO: SERVIÇO PARA DEUS
A expressão “para que me ministre”, nesse texto, ocorre cinco vezes, ressaltando a relevância do ofício sacerdotal. Antes de ministrar ao povo, os sacerdotes deveriam ministrar, isto é, servir, diante de Deus. Essa é uma valiosa lição para aqueles que ministram na igreja de Cristo, não podem se esquecer de que estão diante de Deus. A burocratização na administração eclesiástica tem feito com que muitos obreiros deixem de levar o ministério cristão. Isso acontece principalmente no contexto de igrejas que são tratadas como empresas, e em alguns casos, como grandes negócios. A escolha de Arão, e da sua família, para ministrar como sacerdotes, foi um ato gracioso de Deus. Ele é soberano, e escolhe as pessoas para o Seu trabalho, conforme Lhe apraz (Jo. 15.16). Após a morte de Arão, Eleazar tornou-se seu sucessor (Nm. 20.22-29), o trabalho prossegue, as pessoas passam, mas a obra continua. Ninguém deve se achar insubstituível, mesmo depois do cativeiro babilônico, os descendentes de Itamar deram continuidade ao ministério sacerdotal (Ed. 8.1,2). Nós, obreiros e obreiras no trabalho do Senhor, devemos buscar, primordialmente, agradá-Lo. Como escreveu Paulo a Timóteo, não devemos ter do que nos envergonhar, manejando bem a palavra da verdade (II Tm. 2.15). O Amor ao Senhor deve ser o grande crivo na escolha de obreiros para a seara do Senhor, isso porque antes de partir, Jesus perguntou a Pedro se esse O amava, responsabilizando-o para o ministério (Jo. 21.17). Há obreiros que amam a obra, o dinheiro que obra dar, até as pessoas da obra, mas não amam a Deus, por isso fracassam. Quando amamos a Deus, tudo o mais flui naturalmente, não precisamos fazer esforço, acabamos parecendo artificial (Mt. 22.34-40) Em relação às vestes sacerdotais, essas tinham um papel importante na identificação do serviço. As vestimentas davam dignidade e glória (Ex. 28.1), distinguindo-os do restante do povo, o uso daquelas roupas os colocava em posição de risco, caso as instruções não fossem obedecidas (Ex. 28.35,43). Como cristãos, devemos estar revestidos da justiça de Deus em Cristo (Gl. 3.27,28), para nos apresentarmos diante de Deus de acordo com Sua vontade.

2. SACERDÓCIO: SERVIÇO PARA O POVO
As peças da vestimenta sacerdotal não eram meros adereços, elas tinham uma simbologia própria, representavam o ministério diante do povo. As peças de roupas eram sete: calções (Ex. 28.42,43), uma túnica branca (Ex. 28.39), e por cima desta uma sobrepeliz azul, com campainhas e romãs na orla (Ex. 28.3-35); a estola sacerdotal, que era composta por uma veste sem mangas, feita de ouro, estofo azul, púrpura e carmesim e presa por ombreiras incrustadas de joias, e um cinto; e um peitoral com joias, colocado por cima da sobrepeliz com correntes de ouro presas às ombreiras (Ex. 28.9-30), com uma lâmina de ouro em que estava escrito: “Santidade ao Senhor” (Ex. 28.36). A estola era uma veste simples de linho, sem mangas, que ia até os calcanhares. Juntamente com o cinto era feita de linho branco, bordado com estofo azul, púrpura e fios carmesins. Nas ombreiras da estola tinha os nomes de seis tribos de Israel, de acordo com sua ordem de nascimento, gravados em uma pedra ônix. Isso mostra que o sumo sacerdote entrava na presença do Senhor em nome do povo. As duas pedras de ônix revelam a importância do povo, uma lição primorosa para os líderes eclesiásticos. Parece redundante, mas o povo de Deus a Ele pertence, e a Ele prestaremos contas da forma como conduzimos o rebanho (At. 20.28-31). Não apenas os líderes, mas toda a igreja está no mundo para servir ao Senhor, e também às pessoas, Cristo é o maior exemplo de liderança servidora (Lc. 22.27; Jo. 13.12-17). O peitoral era um pedaço de tecido quadrado e duplo, com muitos bordados, que tinha um palmo de cumprimento, e um de largura, localizado no peito do sacerdote, pendurado por duas correntes de ouro. Nesse peitoral havia doze pedras, cada uma delas representando uma tribo de Israel. O sacerdote, por conseguinte, carregava o povo no peito, próximo ao coração. Os obreiros do Senhor devem ter o povo no coração, amá-lo como fez Cristo, e se necessário, entregar a vida por ele (I Jo. 3.16-18), como também fez Paulo (Fp. 1.7). Como as pedras eram diferentes, as pessoas da igreja também as são, e devem ser respeitadas na sua diversidade. Ainda dentro do peitoral ficavam o Urim e o Tumim, que quer dizer “luzes e perfeições”, eram usadas para determinar a vontade de Deus. Não existem informações detalhadas como elas eram utilizadas, mas era de responsabilidade do sacerdote identificar a revelação de Deus através delas (Ex. 28.30). O Urim e o Tumim da igreja do Senhor é a Sua palavra (Sl. 119.105), ela revela a vontade de Deus, a qual deve ser obedecida (J. 7.17; Sl. 25.8-11; Rm. 12.1,2).

3. SACERDÓCIO: NO TEMOR DO SENHOR
A sobrepeliz azul, usada por baixo da estola, não tinha costuras, representando a perfeição. O colarinho em torno da abertura para a cabeça era tecido de modo que não se rasgasse, isso diz respeito à reputação do sacerdote, ninguém poderia desabonar sua conduta. Na orla de suas vestes existiam romãs, feitas de estofo azul, púrpura e carmesim, que ficavam dependuradas. Essas romãs apontavam para a abundância de frutos, que deveriam ser produzidos pelos sacerdotes. Junto a essas romãs ficavam as campainhas, que indicavam a ministração do sacerdote no Lugar Santo. As campainhas indicam que devemos demonstrar ao mundo que estamos ministrando não para nós mesmos, antes para o Senhor, e para o povo. A mitra era usada pelo sumo sacerdote, os demais sacerdotes usavam apenas turbantes de linho, com a mensagem: “Santidade ao Senhor”. Essa é uma mensagem na qual devemos meditar, muitos cristãos atualmente pensam que foram chamados para serem felizes. Mas, na verdade, o chamado de Deus para nós é para a santificação (Lv. 11.44,45), esse ensinamento foi enfatizado por Pedro aos cristãos do Sec. I, e serve também para nós hoje (I Pe. 1.15,16). O sacerdote carregava a mitra para demonstrar seu temor diante da santidade de Deus, o sacrifício de Cristo nos torna aceitável diante do Senhor (I Pe. 2.5). Os sacerdotes morreriam se não observassem as orientações de Deus em relação as vestes, sobretudo a purificação (Ex. 28.35,43). Como cristãos devemos demonstrar reverência ao Senhor, e santo temor (Hb. 12.28). Isso não significa que devemos estar tristes, muito pelo contrário, o temor a Deus deve nos conduzir à alegria (Sl. 2.11). Temor nada tem a ver com medo, é bem verdade que estremecemos diante da grandeza de Deus, mas podemos nos aproximar dEle, pelo caminho que Cristo nos consagrou (Hb. 9.1-14).

CONCLUSÃO
A igreja do Senhor Jesus é, neste mundo, sacerdócio santo, e um sacerdócio real, adquirido pelo Seu sangue, derramado na cruz (I Pe. 2.5,9). Para tanto, deve ser fiel na proclamação das virtudes daquele que nos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz (I Pe. 2.9). Como cristãos no mundo, devemos ministrar às pessoas, debaixo da orientação da Palavra, e conduzidos pelo Espírito, com temor e tremor (Fp. 2.12). O mundo precisa do sacerdócio da igreja, ainda que não saiba, e a igreja, não pode se identificar com o mundo, sob pena de deixar de ser sal e luz (Mt. 5.13,14).

                                   Autor: Prof. Ev. José Roberto A. Barbosa
Twitter: @subsidioEBD


BIBLIOGRAFIA
COHEN, A. C. Êxodo: comentário bíblico. Rio de Janeiro: CPAD, 2012.
WEIRSBE, W. W. Exodus: be delivered. Colorado Springs: David Cook, 2010. 

sexta-feira, 7 de março de 2014

LIÇÃO 10 - AS LEIS CIVIS ENTREGUES POR MOISÉS AOS ISRAELITAS - 1º TRIMESTRE/2014

AS LEIS CIVIS ENTREGUES POR MOISÉS AOS ISRAELITAS
Texto Áureo Sl. 94.15 – Leitura Bíblica Ex. 21.1-12



INTRODUÇÃO
O livro de Êxodo contem algumas leis básicas que visavam à proteção da vida e da propriedade humana. Isso mostra que o Pacto com Deus implicava em um posicionamento ético, em um relacionamento diferenciado das demais nações (Ex. 24.3-8). Na aula de hoje atentaremos para algumas dessas leis, ressaltando a necessidade de segui-las, confiando nas instruções de Deus, que são sempre para o nosso bem individual e coletivo. Inicialmente faremos uma apresentação geral das leis civis entregues por Moisés aos israelitas, em seguida, mostraremos a importância de esses as seguirem, e ao final, ressaltaremos a lei de Cristo, enquanto valor ético a ser observado.

1. AS LEIS DE DEUS
As leis humanas, por seu caráter impositivo, não podem mudar as pessoas, elas apenas regulam os comportamentos. Mas elas têm sua serventia, pois nada há mais perigoso para uma sociedade do que o caos, nenhum povo subsiste se decidir viver em anarquia. O povo de Israel experimentou dias difíceis na sua história, quando cada homem decidiu agir de acordo com o que achava correto aos seus próprios olhos (Jz. 17.6; 18.1; 19.1; 21.25). A sociedade contemporânea, influenciada pelas abordagens da psicologia moderna, optou pelo relativismo cultural. Ao invés de se dobrarem diante da Palavra de Deus, muitos estão se voltando para seus próprios intentos, dando vasão à natureza pecaminosa. As leis de Deus, inicialmente direcionadas ao povo de Israel, apontavam para princípios de justiça, tendo em vista que o Senhor ama a retidão e a justiça (Sl. 33.5; Is. 30.18; 61.8). Existe muita injustiça na sociedade atual, o direito dos pobres e necessitados está sendo vituperado, mas chegará o dia em que o Salvador julgará a todos (At. 17.31). O povo de Israel recebeu leis em relação aos servos, considerando que era permitida, no contexto da época, a propriedade de escravos de outras nações. Mas existiam restrições, a fim de preservar o direito à sobrevivência dos servos (Ex. 21.1-11). Ninguém deverá se assenhorar sobre o indivíduo de modo a oprimi-lo, a riqueza não poderia resultar da exploração do trabalho do seu próximo. Deus também deu leis em relação aos crimes capitais, tendo em vista que somos a imagem de Deus, ninguém deveria tirar a vida do outro (Gn. 9.6). Os crimes eram dignos de julgamento, testemunhas deveriam ser ouvidas a fim de validar o homicídio (Nm. 35.30,31). Havia, já naquele tempo, orientações quanto às mortes acidentais, que garantiam segurança (I Rs. 2.29), o próprio Deus instituiu seis cidades de refúgios para tais casos (Nm. 35; Dt. 19; Js. 20). As pessoas devem ser julgadas, e se forem o caso, penalizadas, mas nunca sem que tenham amplo direito à defesa. E essas, por sua vez, não devem ser feitas para priorizar privilegiados, em detrimento dos mais necessitados, que mais carecem de amparo (Is. 10.1,2).

2. SEGUINDO AS LEIS DE DEUS
Algumas leis eram mais específicas, como as que tratavam da desobediência aos pais (Ex. 21.15-17; Lv. 20.9; Dt. 27.16). Mas a lei também favorecia ao filho pródigo (Ex. 21.18-21), dando a esse a oportunidade de arrependimento. A orientação aos filhos, em meio a essa sociedade permissiva, que perdeu a afeição pelos seus pais (Ef. 6.2; II Tm. 3.3), é a de que honrem seus pais, dando-lhes o devido respeito. A propriedade privada deveria ser preservada, ninguém deveria se apropriar daquilo que não lhe pertencia (Ex. 21.16; Dt. 24.7). O povo de Israel não poderia se exasperar a ponto de causar dano ao próximo (Ex. 21.18-32), sob o risco de sofrer pena capital. Alguns países aplicam a pena capital em casos de homicídios hediondos, nos quais fique comprovada a impossibilidade de reversão do comportamento do criminoso. Para tanto alguns cristãos remetem às leis do Antigo Pacto (Ex. 21.12-16), bem como às palavras de Jesus (Mt. 26.52) e Paulo (Rm. 13.4). Mas é preciso cautela na interpretação dessas passagens, considerando que o governo humano é injusto, portanto, pode punir indevidamente. Os cristãos devem promover a vida, e como acreditam no arrependimento, devem defender a oportunidade para que a pessoa venha a se voltar para Deus, tal como fez Jesus com a mulher flagrada em adultério (Jo. 8.1-11). A orientação geral de Jesus é a do perdão (Mt. 5.38-44; I Pe. 2.19-21), como cristãos temos o direito de abdicar dos direitos legais para glória de Deus, não demandando compensação (I Co. 6.1-8). Além disso, para Jesus, alguém pode assassinar o próximo não apenas fisicamente, mas também através das palavras (Mt. 5.21,22). Em relação à ecologia, no contexto de uma sociedade dependente da agricultura, Israel deveria saber tratar bem a terra, para evitar desgaste (Ex. 21.33,34). De igual modo, nós os cristãos, diante da selvageria consumista, devemos ter cuidado para não degradar a natureza. Os cristãos devem cuidar da terra, pois ela, e tudo que nela existe, pertence ao Senhor (Sl. 24.1). Como foi o projeto inicial de Deus, devemos agir com responsabilidade diante da criação (Gn. 2.15).

3. A CONFIANÇA NAS LEIS DE DEUS
As leis de Deus não são para o mal, antes para o bem daqueles que as observam, por esse motivo o Senhor as instituiu para o Seu povo no Sinai. Deus preparou um lugar para o Israel, mas para que esse povo chegasse à terra prometida, deveriam trilhar um longo caminho. Jesus também foi preparar lugar para aqueles que creem nEle (Jo. 14.1), até chegarmos lá devemos nos voltar para os mandamentos do Senhor. Agora somos filhos de Deus, e como tais, precisamos viver com responsabilidade, tanto em relação a Deus quanto ao próximo. O cumprimento da lei é o amor, a partir dele os cristãos demonstram sua confiança nas leis de Deus (Rm. 13.9,10). O próprio Senhor Jesus Cristo estabeleceu um princípio ético que fundamenta a observância a todas as leis. Devemos fazer aos outros o que desejamos que seja feitos a nós (Mt. 7.12). Esse é o novo mandamento, a Lei de Cristo, que exercitemos o amor (Jo. 13.34). A sociedade contemporânea desconhece essa lei, pois está pautada no princípio da causa-efeito, da ação-reação. Mas em Cristo somos chamados para um discipulado diferenciado, que não se pauta na forma como os outros nos tratam, mas em nosso relacionamento com Cristo, que nos amou primeiro (I Jo. 4.19). A lei do pecado, que impulsiona o ser humano para a desobediência, é mortificada na medida em que, o novo homem, se deixa conduzir pelo Espírito (II Co. 5.17; Gl. 5.16-17). Essa é a lei que se sobrepõe às tendências pecaminosas, fundamentadas na natureza carnal, e que as leis civis apenas coíbem. A base do relacionamento com outros, de acordo com Ef. 5.26-27, é o exemplo de Cristo, que a si mesmo se entregou por Sua igreja. Certamente o mundo não compreende esse ensinamento, pois o amor de Cristo excede todo o entendimento (Ef. 3.19). O evangelho é loucura, tanto para os judeus quanto para os gregos, pois os primeiros querem sinais, e os últimos, sabedoria. Mas nós pregamos, e somos chamados a pregar e viver a partir do Cristo Crucificado, essa é a dimensão que deve conduzir os relacionamentos humanos (I Co. 1.18-21).

CONCLUSÃO
As leis existem para controlar os comportamentos humanos em virtude da natureza caída, e nesse sentido, se tornaram necessárias, a fim de evitar a anarquia. O próprio Deus, em seu tratamento inicial com Israel, deu-lhe normas que deveriam ser obedecidas. No entanto, em Cristo, temos contato com uma nova dimensão legal, o amor encarnado em Sua pessoa para um viver em graça (Mt. 18.21.22). Esse é o desafio para a sociedade contemporânea, que desconhece a lei do amor de Deus, enquanto que nós somos desafiados a vivê-la, como discípulos do Cristo Crucificado (Mt. 16.24-28).

                                     Autor: Prof. Ev. José Roberto A. Barbosa
Twitter: @subsidioEBD

BIBLIOGRAFIA
BRUCKNER, J. K. ExodusMassachussetts: Baker Books, 2008.
WEIRSBE, W. W. Exodus: be delivered. Colorado Springs: David Cook, 2010. 

sábado, 1 de março de 2014

LIÇÃO 09 - UM LUGAR DE ADORAÇÃO A DEUS NO DESERTO - 1º TRIMESTRE/2014

UM LUGAR DE ADORAÇÃO A DEUS NO DESERTO
Texto Áureo Ex. 25.8 – Leitura Bíblica Ex. 25.1-9


INTRODUÇÃO
A adoração deveria ser prioridade do povo de Israel, na verdade, a partida do Egito tinha justamente esse objetivo (Ex. 10.8-11). Na aula de hoje estudaremos a respeito do lugar que Deus estabeleceu para Sua adoração no deserto. Inicialmente, destacaremos o processo de construção desse lugar, em seguida, atentaremos para a presença de Deus nesse lugar, e ao final, para o propósito desse lugar. Destacamos, a princípio, que adorar não é apenas uma obrigação, mas uma necessidade, para Deus nos criou, e não nos realizamos nada mais, a não ser nEle.

1. A CONSTRUÇÃO DO LUGAR
Fomos chamados para a adoração a Deus, essa mensagem foi reforçada por Jesus, ao responder à mulher samaritana, destacando que Deus busca adorador, que O adorem em espírito e em verdade (Jo. 4.23,24). A adoração cristã não está limitada a um espaço físico específico, mas esse também não pode ser descartado, afinal de contas, somos seres no tempo e no espaço. O povo de Israel, no período de constituição da sua fé, precisou de um lugar para adorar a Deus. Para tanto, Moisés, Arão, Nadabe e Abiú e os setenta ancião subiram a um lugar mais alto, para se encontrarem com o Senhor (Ex. 24.9-11). Moisés e Josué precisaram subir um pouco mais, a fim de ouvirem as instruções de Deus (Ex. 24.13,14). Finalmente, Moisés teve que subir mais ainda para ver a glória do Senhor (Ex. 24.15-17), isso revela a necessidade de ir mais acima, em direção aos lugares altos, para desfrutar das grandezas de Deus. Atualmente dispomos de um vivo caminho, que nos foi consagrado por Jesus, na cruz do calvário (Hb. 10.19-25). Os israelitas receberam, através de Moisés, e providenciado por Deus, um projeto para a construção de um lugar para adoração. Esse lugar foi o tabernáculo, uma espécie de templo móvel, que deveria ser construído de acordo com as especificações dadas a Moisés, no monte (Ex. 25.40). A adoração a Deus, conforme nos Jesus nos ensinou, não pode ser realizada de qualquer modo, mas em verdade, que é próprio Cristo, e em Espírito, considerando que Deus é Espírito (Jo. 4.24). Para a construção do tabernáculo, Deus providenciou o material, a partir das ofertas do povo, que superabundou (Ex. 36.6,7). O Senhor também capacitou os construtores pelo Espírito Santo, dando a Bezalel e Aoliabe a sabedoria necessária para conduzir o trabalho. Ainda hoje recebemos do Senhor os dons, espirituais (I Co. 12.1-13) e ministeriais (Ef. 4.11-16), para a edificação do Corpo de Cristo.

2. A PRESENÇA DE DEUS NO LUGAR
No tabernáculo deveria ser colocado a arca da aliança, uma peça de madeira que media em torno de um metro e quinze de cumprimento, setenta centímetros de altura, e setenta centímetros de largura, que deveria ficar no Santos dos santos (Ex. 25.10-22). Essa arca simbolizava a presença de Deus naquele lugar, a shekinah. Essa arca apontava para Jesus, pois era de madeira (a natureza humana) e revestida de ouro (a natureza divina). De acordo com Hb. 9.4 havia, dentro da arca, as tábuas da lei (Ex. 25.16), um vaso com maná (Ex. 16.32-34) e o bordão de Arão que floresceu (Nm. 16-17). Jesus é a revelação de Deus, Cristo obedeceu à lei (Hb. 10.5-9), Ele mesmo é o Pão da Vida (Jo. 6.32). Por meio dEle temos livre acesso à presença de Deus, pelo Seu sangue derramado na cruz do calvário, pois Ele é nossa propiciação (Hb. 10.19-25). Naquele lugar havia também os pães da preposição, antecipando, como já destacamos, que Cristo é o Pão da Vida (Jo. 6.26), acompanhado com incenso, sugerindo uma oferta ao Senhor (Ex. 25.29). Havia também um candelabro, feito de aproximadamente trinta e oito quilos de ouro batido, com seis hastes, acesas com óleo, e que deveriam queimar continuamente (Ex. 27.20,21). O incenso também representa a oração que sobe à presença de Deus, o fogo do candelabro a Palavra de Deus (Sl. 119.105, 130). De fato, a oração e a palavra de Deus devem andar juntas. Há pessoas que oram demais, mas leem pouco a Bíblia, outros, leem demais, mas não oram. É preciso equilíbrio espiritual nesse sentido, para evitar os extremos do fanatismo ou do intelectualismo. O óleo é símbolo do Espírito Santo (Zc. 4.1-7), devemos depender dEle para a construção de um relacionamento profícuo com Deus. Sem o poder do Espírito Santo não podemos nos aproximar de Deus, e dar glória a Cristo, pois Ele é o Consolador (Jo. 16.14), que veio para estar sempre conosco. É Aquele que nos capacita para testemunhar a respeito da morte e ressurreição do Senhor Jesus (At. 1.8).

3. O PROPÓSITO DO LUGAR
O tabernáculo não deveria ser apenas um espaço adornado, deveria ter um sentido para ser criado. Muitos querem transformar as construções eclesiásticas em um fim em si mesmo, distanciando-as do seu intento, a oração e a ministração da palavra. Aquele deveria ser um lugar para a oração, o incenso apontava para essa necessidade. Devemos lembrar que nossas orações devem subir, como incenso, à presença de Deus (Sl. 141.2). Quando o sacerdote queimava incenso, na Antiga Aliança, chamava o povo à oração (Lc.  1.8-10). Os cristãos estão esquecendo-se de orar, o pragmatismo moderno está distanciando muitos do altar. Mas precisamos retornar à oração, adorando a Deus, confessando nossos pecados, em ação de graças, fazendo petições e intercessões (I Tm. 2.1; Fp. 4.6), seguindo os princípios orientados por Jesus (Mt. 6.5-15). O tabernáculo também era um lugar de sacrifício, sangue de animais era derramado, para expiar o povo dos seus pecados (Lv. 1.1-9). Nos dias atuais não precisamos mais derramar sangue de animais, pois o sacrifício de Jesus foi perfeito, Ele se tornou o único caminho para a salvação (Jo. 14.6) e em nenhum outro há salvação, senão nEle (At. 4.12). Como cristãos, devemos prestar a Deus um culto racional, e entragá-LO as nossas vidas, em obediência a Sua boa, perfeita e agradável vontade (Rm. 12.1,2). O cristão não tem prazer em pecar, Ele se compraz na santidade, mas se pecar tem um Advogado, perante o Pai, Jesus Cristo (I Jo. 1.5-2.2). Os sacerdotes do Senhor, durante a ministração, passavam pelo ritual de purificação, lavando os pés com a bacia de água. A água também é símbolo de pureza na Bíblia (Sl. 51.1,2; Is. 1.16). Jesus é a Água da Vida (Jo. 4.14; 7. 37), que nos purifica, pela palavra (Jo. 15.3), a partir do novo nascimento (Jo. 3.5). Mas temos também a responsabilidade de buscar a purificação, deixando toda impureza, aperfeiçoando-nos em santidade (II Co. 7.1).

CONCLUSÃO
O povo de Israel dispunha de uma construção, denominada Tabernáculo, para adorar a Deus. Os cristãos, no tempo presente, se aproximam de Deus por Jesus Cristo, nEle encontramos o caminho para viver para o Senhor (II Pe. 1.3). Em Cristo estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento de Deus (Cl. 2.9), nEle temos todas as bênçãos espirituais (Ef. 1.3). A adoração cristã não está restrita a um lugar, muito menos ao tempo, precisamos viver, a todo tempo, e em todo lugar, para a glória de Deus (Rm. 14.6-8; I Co. 10.31; II Tm. 3.16), isso não descarta a existência de espaços específicos, em templos e nas casas, para a adoração ao Senhor e a comunhão entre irmãos e irmãs (At. 5.42).

                                  Autor: Prof. Ev. José Roberto A. Barbosa
Twitter: @subsidioEBD

BIBLIOGRAFIA
MOTYER, J. A. The message of Exodus. Downer Grove: IVP, 2005.
WEIRSBE, W. W. Exodus: be delivered. Colorado Springs: David Cook, 2010.