sábado, 29 de novembro de 2014

LIÇÃO 09 - O PRENÚNCIO DO TEMPO DO FIM - 4º TRIMESTRE/2014

O PRENÚNCIO DO TEMPO DO FIM
Texto Áureo Dn. 8.19 – Leitura Bíblica 8.1-11



INTRODUÇÃO
O capítulo 8 de Daniel tem relação direta com os capítulos 2 e 7, mas diferentemente daqueles capítulos, estudaremos, nesta lição, que o profeta foi transportado em espírito até Susã, e também através do tempo. O caráter da revelação de Deus, consoante ao que estudaremos nesta lição, vai além da dimensão espaço-tempo. Na aula de hoje atentaremos inicialmente para as visões de Deus a Daniel, com ênfase no carneiro, o bode e o pequeno chifre. Mostraremos, ao final, que essas visões são prenuncio do tempo do fim, que alimentam a esperança da igreja.

1. A VISÃO DO CARNEIRO
A visão dada por Deus a Daniel aconteceu na história, no terceiro ano do rei Belsazar; em Susã, que era capital do reino da província de Elão, junto ao rio Ulai. A maioria dos estudiosos defende que essa não foi uma viagem literal, mas um translado espiritual, o profeta teria sido conduzido em espírito àquele lugar. Susã era uma cidade importante, mesmo depois da queda da Babilônia, isso porque os reis medo-persas habitavam naquela localidade três meses por ano. As visões dadas ao profeta apontam para o tempo do fim (Dn. 8.17), ao tempo que fora determinado por Deus para o desfecho de todas as coisas (Dn. 8.19), em dias distantes daqueles vivenciados por Daniel (Dn. 8.26). Nessa visão é revelado a Daniel o surgimento de um rei que é o protótipo de Anticristo, alguém que prefigura aquele que no futuro assim se manifestará. Inicialmente é preciso destacar que esse pequeno chifre do capítulo 8 é diferente daquele do capítulo 7. O anticristo do capítulo 7 é escatológico, ele emergirá do império romano, enquanto que o anticristo do capítulo 8 sucederá os quatro reis da queda do império grego. Diante da grandeza da revelação Daniel cai por terra, perdendo os sentidos, com o rosto por terra. Nessa visão Daniel trata a respeito de um carneiro, que aparece de três maneiras diferentes, com dois chifres (Dn. 8.3,20), descrevendo o império medo-persa, que sucederia para conquistar a Babilônia. O chifre mais alto descreve o poder dos persas, consolidado através de Ciro, o persa, que tomou o lugar de Dario, o medo. Esse carneiro descrito por Daniel é irresistível (Dn. 8.3,4), e que se engrandeceu (Dn. 8.4). Isso porque nenhuma força daquele tempo seria capaz de se opor ao governo medo-persa.

2. A VISÃO DO BODE
O bode da visão de Daniel revela um dos maiores governos da época antiga, trata-se de Alexandre o Grande, também denominado de Magno. Ele conquistou todo o mundo conhecido rapidamente (Dn. 8.5,21). Essa visão explicita o que historicamente é constatado em relação à história dos gregos. Alexandre expandiu o reino grego em pouco mais de dez anos, para isso destruiu o governo medo-persa. Em 334 a. C., Alexandre atravessou o estreito de Dardanelos e derrotou os sátrapas. Não muito tempo depois, em 333 a. C., derrotou Dario III na batalha de Issos. Em 331, venceu as forças medo-persas na batalha de Baugamela. Esse seria um líder poderoso, atestado na revelação de Daniel (Dn. 8.5). Por isso é descrito como “o chifre notável”, considerando sua disposição para a guerra. O profeta antecipa as vitórias de Alexandre sobre o império medo-persa (Dn. 8.6,7). Mas esse reino, como todos os outros que já passaram, também terá o seu fim. Daniel aponta para sua ruina (Dn. 8.8), destacando que esse governo findará em decadência. Alexandre morreu repentinamente em 323 a. C, justamente no momento que pretendia reconstruir a cidade da Babilônia. Em consequência da sua morte, o império grego foi dividido em quatro partes, para quatro reis, sendo eles Casandro (Macedônia e Grécia no ocidente), Lísimaco (Trácia e Bitínia no norte), Ptolomeu (Palestina, Arábia e o Egito, no sul), e Selêuco (Síria e Babilônia no oriente).

3. O PEQUENO CHIFRE
Em seguida Daniel reporta um pequeno chifre, conforme já destacamos anteriormente, diferente daquele do capítulo 7. Esse é apenas um protótipo daquele, prefigura sua atuação que será mais intensa no futuro. O pequeno chifre do capítulo 8 é descrito a partir da sua procedência (Dn. 8.8-22). Ele se origina do bode, que é o império grego, advindo, portanto, do império de Alexandre. Para nós, os conhecedores da história, esse pequeno chifre é conhecido, ainda que não o fosse para Daniel. Ele é um precursor do anticristo que se revelará no tempo do fim. Não podemos deixar de destacar que muitos anticristos já existiram, e muitos outros existem ou existirão (I Jo. 2.18). O pequeno chifre do capítulo 8 é reconhecido historicamente como Antíoco IV, chamado de Antíoco Epifânio, que reinou na Síria, entre 175 a a63 a. C. Como a maioria dos impérios humanos, se destaca pelo sentimento megalomaníaco (Dn. 8.11,25). Antíoco achou pouco ser um grande rei, quis fazer-se deus, por isso mandou fabricar moedas que tinha sua efígie. Além disso, destacou-se por ser um rei tirano (Dn. 8.9,10), um grande perseguidor do povo de Deus. Ele teve a audácia de profanar o templo do Deus de Israel, primeiramente se opondo a todos aqueles que considerassem o livro da Lei. Em 169 a. C., saqueou o templo e proibiu os sacrifício. O templo de Jerusalém foi denominado de Templo de Júpiter Olímpico. Ele colocou sua imagem no lugar santíssimo e determinou que um porco fosse sacrificado naquele lugar. Como se isso não bastasse, obrigou os judeus a comerem a carne do porco, dentro daquele recinto.

CONCLUSÃO
A apostasia de Antíoco Epifánio aponta para o fim, o tempo no qual o anticristo imperará na terra (II Ts. 2.3,4). A igreja do Senhor Jesus não passará por esse momento sombrio, pois estará nos ares, celebrando as bodas com o Noivo. A grande esperança da igreja é o dia no qual a trombeta soará, os mortos ressuscitarão primeiro, e os que estiverem vivos serão transladados (I Ts. 5.13-18). Essas palavras servem de conforto para a igreja, e para todos aqueles que amam a vinda do Senhor (II Tm. 4.8).

                                   Autor: Prof. Ev. José Roberto A. Barbosa
Twitter: @subsidioEBD

BIBLIOGRAFIA
LOPES, H. D. Daniel. São Paulo: Hagnos, 2005.
WEIRSBE, W. W. Be resolute: Daniel. David Cook: Ontario, 2008.

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

LIÇÃO 08 - OS IMPÉRIOS MUNDIAS E O REINO DO MESSIAS - 4° TRIMESTRE/2014

OS IMPÉRIOS MUNDIAIS E O REINO DO MESSIAS
Texto Áureo Dn. 7.27 – Leitura Bíblica Dn. 7.3-14



INTRODUÇÃO
O capítulo 7 de Daniel inicia a segunda parte do livro, com ênfase nos detalhes proféticos. Essa característica faz com que alguns estudiosos identifiquem esse como o Apocalipse do Antigo Testamento. Esse capítulo pode ser dividido em duas partes: os versículos de 1 a 14 que tratam a respeito do sonho de Daniel, e do 15 ao 28, a interpretação do sonho. No início da aula nos voltaremos para a análise dos impérios mundiais, com destaque para a figura do anticristo, e ao final, estudaremos sobre o reino do Messias.

1. OS IMPÉRIOS MUNDIAIS
Os reinos do mundo não são independentes, os impérios mundiais estão debaixo da soberania de Deus (Dn. 7.2,3). Os quatro ventos, ao longo da Bíblia, retratam a totalidade da terra, o alcance mundial. Principalmente nos dias atuais, marcados pela globalização, os quatro cantos da terra se tornaram um. Os reinos se levantam e demonstram sua potência aos todos os lugares. A mídia se encarrega de fazer a divulgação dos feitos dos impérios, a propaganda é utilizada como arma para a dominação. O mar é símbolo dos povos, que se encontra em convulsão, diante dos impasses dos governos humanos. Deus permite que os governos humanos prevaleçam, mas não apoia suas decisões, principalmente àquelas que prejudicam seus servos. Impérios se levantam e caem, nenhum deles permanece para sempre, essa inconstância é uma demonstração de fragilidade. Os impérios mundiais são demonstrados através de quatro animais, que se encontram em paralelo com o capítulo 2 do livro de Daniel. Neste capítulo nos deparamos com os impérios e seu esplendor, enquanto que no capítulo 7 o enfoque está em aspecto interno, como feras. Esses governos não são ovelhas, mas animais selvagens, que não agem em prol do bem das pessoas, funcionam como governos que devoram as pessoas. Os animais apresentados nessa visão de Daniel sobem do mar, de maneira sucessiva e simultânea. Eles têm características recorrentes: surgem de baixo, são animais ferozes, serão destruídos no futuro, seu tempo é determinado por Deus (Dn. 7.12). Os quatro animais são: o leão (império babilônico), o urso (império medo-persa), o leopardo (império grego-macedônio) e o animal de dez chifres (império romano).

2. OS IMPERIOS MUNDIAIS E A REVELAÇÃO DO ANTICRISTO
O leão é o rei dos animais, sua força é notória, é um símbolo da grandeza do império babilônico (Dn. 4.32). O leopardo alado revela a velocidade e agilidade do império de Alexandre Magno, que em 334, após um período de 10 anos, tornou-se soberano entre as nações. Ele foi educado por Aristóteles, por isso difundiu a cultura grega, principalmente o idioma entre os povos conquistados. Mas morreu subitamente em 324 a. C., na Babilônia, seu reino foi dividido em quatro cabeças. A glória do império grego-macedônio passou, outra prova dos limites dos reinos humanos. Deus está no comando, os reinos do mundo tem liberdade, mas seus dias estão contados. Em Dn. 7.7, nos deparamos com um animal terrível, extremamente forte, símbolo do império romano. A principal característica desse animal é a sua força, e o seu poder, com capacidade destruidora. Esse animal possuía grandes dentes de ferro, e com eles devorava e estraçalhava a todos. Ele revela ser insensível com suas vítimas, as consome sem qualquer pena (Dn. 7.23). Tal animal estranho tem dez chifres, sendo identificados como dez reis (Dn. 7.24). É uma descrição nítida do império romano, que em 241 derrotaram os cartagineses e ocuparam a ilha da Sicília. Em 218 a. C., as legiões romanas entraram na Espanha, em 202 a. C., conquistaram Cartago. Em 146 a. C., tomaram Corinto, e em 63 a. C., Pompeu ocupou a Palestina. Ao longo de dois séculos, o império romano experimentou glória, fama e poder. Mas em 476, os bárbaros venceram o império romano, até que em 1453 d. C., os turcos ocuparam a cidade de Constantinopla, findando o império romano no Ocidente. Em seguida Daniel revela a figura do anticristo (Dn. 7.8), tratando-o como uma pessoa, o “pequeno chifre”, seu número é o 666 (Ap. 13.18). João o denomina de O mentiroso (I Jo. 2.22), o anticristo (I Jo. 2.18), a besta (Ap. 13.1). Para Paulo, ele é o homem da iniquidade (II Ts. 2.3), o iníquo (II Ts. 2.8), o filho da perdição (II Ts. 2.3). Para Jesus, o anticristo é o abominável da desolação (Mt. 24.15-28).

3. O REINO DO MESSIAS
A origem do anticristo é satânica, pois ele receberá autoridade do próprio Satanás. Esse pequeno chifre tem uma relação com o animal terrível, na verdade surge dele. Ele será pequeno apenas no início (Dn. 7.8), depois irá crescendo paulatinamente (Dn. 7.20). Isso porque o anticristo terá a pretensão de ser Deus (II Ts. 2.3,4). Ele agirá com ódio a Deus, sua boca falará grandes coisas (Dn. 7.8,20), proferirá palavras contra o Altíssimo (Dn. 7.25), tratará de mudar os tempos e a leis (Dn. 7.25). O anticristo será um perseguidor, pois fará guerra contra os santos de Deus, e prevalecerá contra eles (Dn. 7.21), magoará os santos do Altíssimo (Dn. 7.25), e esses serão entregues nas mãos dele (Dn. 7.25). Mas o governo do anticristo também terá seu fim, seu domínio é limitado (Dn. 7.25). O domínio será tirado dos quatro reis e também do anticristo (Dn. 726). Ele será destruído pelo fogo (Dn. 7.11), na verdade, será lançado no lago do fogo (Ap. 19.20). Isso acontecerá por ocasião da vinda de Cristo, como Rei dos reis e Senhor dos senhores, ao final dos sete anos de tribulação (II Ts. 2.8). Finalmente o Reino de Cristo será consumado em plenitude (Dn. 7.13,14). Cristo já reina, mas esse reino é limitado, acontece apenas entre aqueles que creem. Mas no futuro, quando Ele retornar com poder e grande glória, Seu reino será universal (Dn. 7.14). Todas as nações, povos e línguas O reconhecerão e O servirão (Dn. 7.14). Diante dEle todo joelho se dobrará, toda língua confessará que Jesus é o Senhor (Fp. 2.9-11) para sempre (Dn. 7.14). O governo de Cristo será partilhado com os santos (Dn. 7.18,22,27).

CONCLUSÃO
Daniel ficou impactado com os acontecimentos que viriam a acontecer (Dn. 7.14,15). Nós, os cristãos, temos motivos celebrar, ao reconhecer que os ditames do mundo estão nas mãos de Deus. O rosto de Daniel empalideceu (Dn. 7.28), nós também podemos nos espantar, mas com confiança, disposto a enfrentar os poderes do mal, cientes que, ao Seu tempo, o Senhor julgará todos os reinos da terra. Os inimigos que oprimem o povo de Deus serão julgados, e o reino do Messias durará para sempre.

Autor: Prof. Ev. José Roberto A. Barbosa
Twitter: @subsidioEBD
BIBLIOGRAFIA
LOPES, H. D. Daniel. São Paulo: Hagnos, 2005.
WEIRSBE, W. W. Be resolute: Daniel. David Cook: Ontario, 2008.

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

LIÇÃO 06 - A QUEDA DO IMPÉRIO BABILÔNICO - 4º TRIMESTRE/2014

A QUEDA DO IMPÉRIO BABILÔNICO
Texto Áureo Dn. 5.23 – Leitura Bíblica Dn. 5.1-30



INTRODUÇÃO
Impérios se levantam e também caem, nenhum governo humano dura para sempre. Na lição de hoje mostraremos essa realidade concretizada na ruína do império babilônico. Inicialmente destacaremos os procedimentos humanos que levaram o império a cair, em seguida, nos voltaremos para a soberania de Deus, que se manifesta através dos seus decretos. Ao final, nos meditaremos sobre o perigo de ser achado em falta por Deus, e a necessidade de um arrependimento iminente e verdadeiro.

1. A QUEDA DE UM IMPÉRIO
Nabucodonosor reconheceu a grandeza de Deus, e se voltou para Ele em adoração, após sua soberba ter sido identificada. O mesmo não aconteceu com seu filho, Belsazar, que mesmo com as advertências proféticas, continuou no caminho da desobediência. As decisões de Belsazar, desconsiderando o testemunho do seu pai, é uma demonstração do livre arbítrio. Conforme instrui a palavra de Deus, devemos ensinar a nossos filhos no caminho do Senhor, mas isso não garante que eles O seguirão (Pv. 22.6). Ao invés de se dobrar diante de Deus, Belsazar preferiu viver de acordo com seus interesses (Dn. 5.22). A queda de um império acontece quando os filhos deixam de trilhar os caminhos da fé de seus pais. Existem países que estão sofrendo porque os filhos não seguem mais a fé dos seus pais. A culpa não é apenas dos governantes, a própria igreja tem se distanciado dos padrões bíblicos. Por causa disso a fé evangélica está deixando de ser relevante, e de atrair a atenção da sociedade. Como Belsazar, muitos jovens estão se desviando da Palavra de Deus, algumas igrejas também não conseguem mais falar a linguagem dos jovens. Não devemos fazer concessões dos princípios cristãos, antes precisamos criar meios para torna-los relevantes a esta geração. Os jovens crentes também precisam buscar mais Deus, e não viverem regaladamente, como fez o filho de Nabucodonosor. Esta geração hedonista está colocando o prazer como um fim em si mesmo, a Babilônia começou a ruir em uma festa (Dn. 5.2). O falta de uma espiritualidade genuína, pautada na Palavra, tem resultado em meros formalismos. A cultura do entretenimento pode produzir distrações espirituais, e comprometer o futuro da juventude.

2. DECRETADO PELO DEDO DE DEUS
Os descalabros cometidos por Belsazar levaram o país à destruição, sua embriaguez fez com que ele perdesse o senso de responsabilidade. Tenhamos cuidados para não perder a lucidez, vivemos em um mundo solapado pela ilusão. Por isso Paulo orienta os crentes de Éfeso para não se embriagaram, antes busquem ser cheios do Espírito (Ef. 5.18). Muitas pessoas estão perdendo muito tempo diante de coisas que distraem na vida espiritual. O exercício da piedade precisa ser reativado na vida de muitos cristãos (I Tm. 4.7,8). As redes sociais precisam ser utilizadas com equilíbrio, caso contrário, poderão levar à destruição física e espiritual. O rei Belsazar foi longe demais, decidiu profanar as coisas sagradas, mostrando seu desrespeito pelo céu. O resultado desse pecado premeditado foi a perturbação, muitos estão perdidos em seu rumo. Os pecados dos seres humanos, e suas drásticas consequências, já é um juízo de Deus, na medida em que esses tiram a paz (Dn. 5.5-9). O homem ceifa aquilo que semeia, as obras da carne podem se transformar em tempestades, e fazer com que os cristãos percam a intimidade com Deus (Gl. 5.17). A alegria do rei de repente se transformou em pavor, sua arrogância foi julgada por Deus. A sabedoria de Deus confunde as astúcias humanas, o Senhor confronta o pecado por meio da Sua palavra (Dn. 5.7,8). Daniel foi levantado por Deus como profeta, para denunciar os desmandos do rei da Babilônia. Uma igreja profética reconhece seus limites na participação política. O envolvimento totalmente submisso às autoridades pode comprometer o caráter profético da igreja. Depois de receber a mensagem de juízo de Deus, o rei Belsazar, ao invés de se arrepender, como fez seu pai, Nabucodonosor, se voltou contra a Palavra (Dn. 5.22). Quando o pecado se aloja no coração das pessoas, elas ficam cegas, e acabam agindo de maneira equivocada, fundamentadas no desejo desenfreado.  A palavra de Deus foi contundente ao rei babilônico: MENE, MENE, TEQUEL, UFARSIM.

3. ENCONTRADO EM FALTA
Mene significa contar, isso quer dizer que os dias do rei estavam contados, Deus deu um basta naquele império, por causa da sua desobediência (Dn. 5.25). Tequel significa pesar, isso quer dizer que Deus julgou, e avaliou o império babilônico. Por fim, UFARSIM – PERES significa romper ou dividir, assim sendo, Deus dividiria o reino da Babilônia. Essa divisão aconteceu quando os medos e persas (Dn. 5.28) tomaram o império babilônico. Certa noite, Dario desviou o curso do rio Eufrates e invadiu a Babilônia. Os juízos de Deus virão sobre a humanidade, por isso todos devem depender de Cristo. Ninguém pode ser considerado justo perante Deus, todos pecaram e ficaram distanciados de Deus (Rm. 3.23). O salário do pecado é a morte (Rm. 6.23), mas a dádiva de Deus é a vida eterna, através de Jesus. Todos nós fomos achados em falta perante Deus, mas Jesus, com Seu amor infindo, nos atraiu para o Pai (Jo. 14.6). O amor de Deus é incondicional, Ele nos atrai para Si, basta apenas crer nEle (Jo. 3.16). O Senhor não quer que as pessoas se percam, antes que se arrependam, e se voltem para Ele (II Pe. 3.9). Mas nem sempre as pessoas estão dispostas a tomarem uma decisão por Cristo. Por causa disso, muitos estão padecendo nestes dias. O juízo de Deus começa pela própria decisão humana de viver por si mesmo. A vida de algumas pessoas tornou-se um inferno, porque optaram por não se entregaram a Deus. Mas o inferno não é apenas aqui, o juízo de Deus vai além, no futuro aqueles que se negaram a viver para Cristo, comparecerão perante o Trono Branco (Ap. 20.11-15). Desse trono muitos tentarão fugir, mas será improvável, pois o Senhor julgará com reta justiça. Nenhuma condenação há para aqueles que estão em Cristo, mas para os pecadores impenitentes, que agem como Belsezar, o resultado será a condenação (Rm. 8.1). O lago de fogo está preparado para Satanás e seus anjos, e para todos aqueles que querem fazer companhia ao Diabo (Mt. 25.21).

CONCLUSÃO
Os impérios do passado caíram porque as pessoas se distanciaram dos padrões divinos. Esse princípio se aplica às nações, e até mesmo às igrejas contemporâneas. Sem o temor a Deus, que é o princípio da sabedoria, o resultado será a ruína. O julgamento divino, ainda que seja uma doutrina impopular, é uma verdade bíblica. Deus estabeleceu um dia no qual julgará a todos, inclusive as nações, avaliando suas ações. A igreja, nestes tempos difíceis, deve se pautar pela Palavra de Deus, somente assim estará livre do juízo vindouro. 
                               Autor: Prof. Ev. José Roberto A. Barbosa
Twitter: @subsidioEBD

BIBLIOGRAFIA
LEDERACH, P. M. Daniel. Herald Press: Scottdale, 1994.
WEIRSBE, W. Be resolute: Daniel. David Cook: Ontario, 2008.

sábado, 25 de outubro de 2014

LIÇÃO 04 - A PROVIDÊNCIA DIVINA NA FIDELIDADE HUMANA - 4º TRIMESTRE/2014

A PROVIDÊNCIA DIVINA NA FIDELIDADE HUMANA
Texto Áureo Dn. 3.17 – Leitura Bíblica Dn. 3.1-14




INTRODUÇÃO
No capítulo 3 de Daniel nos voltaremos para a instituição da religião humana. Veremos que Nabucodonosor decidiu construir uma imagem e que essa deveria ser adorada. No entanto, os servos de Deus, em obediência a Sua palavra, decidiram ser fiéis ao Senhor, e não se prostraram diante dela. Além de ressaltar a fidelidade de Ananias, Mizael e Azarias, destacaremos a providência divina, quando os jovens foram lançados na fornalha de fogo, para serem mortos.

1. A RELIGIÃO DE NABUCODONOSOR
Em Dn. 3, Nabucodonosor, em sua embriaguez pelo poder, constrói uma estátua. Ele pensava ser um deus, não se contentou em ser apenas humano. Esse é o princípio do pecado, tanto Lúcifer (Is. 14.14) quanto Adão e Eva quiseram ser iguais a Deus (Gn. 3.5).  A famigerada fome pelo poder tem levado alguns líderes a atitudes insanas. Alimentados pela bajulação, até mesmo os líderes evangélicos tem caído nesse pecado. Ainda bem que existem aqueles que não se dobram diante desse servilismo. Os cultos às celebridades evangélicas estão causando estragos às igrejas. Há aqueles que se negam a cultuar o ser humano, dando-lhe a glória que somente pertence a Deus. A religião de Nabucodosor se destaca pelo totalitarismo, apenas a sua palavra é final, com ninguém se aconselha. A consciência dos seus súditos é controlada a fim de manter sua opressão. Esse tipo de liderança é perigosa, porque escraviza as pessoas, e as coisifica (Dn. 3.7,8). Esse tipo de religião não vê pessoas, apenas súditos a serem usados, que podem ser descartados. Muitas pessoas estão sofrendo, algumas delas fazendo tratamento médico, por causa de feridas causadas em nome de Deus. Uma marca dessa religiosidade babilônica é a intriga, o pouco caso em relação aos outros. Existem inclusive aqueles que trabalham para denunciar aqueles que não se dobram diante do autoritarismo. A inveja é a principal moeda nessas religiões neuróticas e adoecedoras (Dn. 3.12). Os vassalos do rei denunciaram os jovens servos de Deus, a fim de tirar proveito daquela condição. A fidelidade a Deus, no entanto, deve ser  inegociável, ainda que venhamos a perder privilégios. Mais importante que está no auge é se encontrar no centro da vontade de Deus (Rm. 12.1,2). Nem sempre a maioria tem razão, a verdade está na Palavra de Deus, essa é a voz de Deus. A religião de Nabucodonosor é farisaica, e foi denunciada por Jesus, por causa do culto ao exterior, em detrimento do interior (Mt. 23).

2. A FIDELIDADE DOS SERVOS DE DEUS
Como testemunhas de Deus, devemos nos posicionar, mesmo diante de ameaças (Dn. 3.15). Há crentes que têm medo de perseguições, por isso buscam conveniências, às vezes fazendo concessões. A igreja não deixa de crescer durante a perseguição, muito pelo contrário, temos testemunhos de fidelidade justamente em tempos adversos. Devemos orar pela paz, e buscar viver bem em sociedade, mas é preciso ter cuidado, para não transformar a comodidade em comodismo. A defesa da nossa fé não precisa ser odiosa, devemos demonstrar mansidão (I Pe. 3.15), e amor, até mesmo aos inimigos (Mt. 5.44-48). A igreja de Jesus Cristo está susceptível às perseguições (II Tm. 3.12). Ainda que no futuro leis sejam aprovadas, contrárias aos fundamentos da fé cristã, não assumiremos os valores defendidos e praticados pelo mundo (I Jo. 5.19). As consequências poderão ser desafiadoras, mas devemos permanecer firmes, como fizeram os jovens na Babilônia (Dn. 3.17,18). Os cristãos continuarão a viver a partir dos princípios divinos, independentemente das circunstâncias. A morte não deve ser motivo de temor, pior que a morte é um cristianismo medíocre, que não se compromete com a verdade divina (Mt. 10.28). Nesses dias que antecedem ao pleito eleitoral, tenhamos cuidados para não nos dobrarmos diante de ideologias humanas. Também sejamos cautelosos para não nos tornarmos meros moralistas, julgando os pecadores sem dar-lhes a oportunidade de arrependimento. Se por um lado, muitos estão se dobrando diante do deus-imoralidade, outros estão, com a maior naturalidade, se deixando conduzir pelo deus-mamom. O mesmo Deus que reprova os pecados sexuais (Mt. 5.32)  também censura os adoradores do dinheiro (Mt. 6.24; I Tm. 6.10).  Somente Deus deve ser adorado, essa é a mensagem contundente de Jesus, profética para os dias atuais (Mt. 4.10).

3. A PROVIDÊNCIA DO SENHOR
Os jovens, fiéis servos do Senhor, foram lançados na fornalha de fogo ardente, resultante da fúria insana de Nabucodonosor (Dn. 3.15). Ele mandou aquecer a fornalha sete vezes (Dn. 3.19) e mandou amarrá-los antes de lança-las no fogo (Dn. 3.20). Nem sempre Deus livra os seus servos da fornalha, mas na fornalha (Is. 43.1-30). Os cristãos que não querem mais sofrer, e que fogem da possibilidade de perseguição, não compreenderam o preço do discipulado (Mt. 16.24). Há uma cruz a ser carregada, com C. S. Lewis, não recomendamos o cristianismo a quem quer uma religião confortável. A fé cristã nos tira do lugar comum, nos lança diante da adversidade, também da incompreensão. Por causa da nossa fé, podemos ser tratados como a escória do mundo, não poucas vezes assumidos como loucos (I Co. 1.17-23). Mesmo diante das perseguições, podemos confiar em Deus, Jesus prometeu estar conosco (Mt. 28.20). Justamente nas horas mais adversas, quando somos perseguidos por causa do amor a Cristo, sentimos mais de perto a Sua presença. Aqueles que são perseguidos na defesa do evangelho são bem-aventurados (Mt. 5.11,12). Deus promete, no meio da perseguição, nos dá o escape, mesmo que esse venha com a morte. A galeria dos heróis da fé de Hb. 11 é uma demonstração dessa verdade. O Senhor pode decidir ser glorificado através da passagem dos seus servos para a eternidade. Estevão se tornou o primeiro mártir da fé cristã, mas para isso precisou sacrificar a própria vida, por amor a verdade do evangelho de Jesus Cristo (At. 7.51-60). Mas o Senhor pode soberanamente dar o livramento nesta vida, de maneira providencial como fez com os jovens judeus na Babilônia (Dn. 3.24,25). Mas eles não foram salvos para a glória pessoal, antes para dar glória a Deus (Dn. 3.26).

CONCLUSÃO
Nabucodonosor reconheceu que o Deus de Ananias, Misael e Azarias era o Deus Poderoso (Dn. 3.28,29). As atitudes da igreja, em todo o tempo, como sal da terra e luz do mundo (Mt. 5.13,14), devem apontar para Cristo. Ele é Cabeça da Igreja, e nós, como corpo, devemos agir a partir dos Seus princípios. Uma igreja cristã autêntica tem compromisso com a Cabeça, não em agradar a líderes meramente religiosos (Cl. 1.18). Ainda que sejamos perseguidos, estamos certos que nada nos separará do amor de Cristo (Rm. 8.39-37).

                                Autor: Prof. Ev. José Roberto A. Barbosa
Twitter: @subsidioEBD

BIBLIOGRAFIA
DAVIS, D. R. The message of Daniel. Downer Grove: InterVersity Press, 2013.
WEIRSBE, W. Be resolute: Daniel. David Cook: Ontario, 2008.

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

LIÇÃO 03 - O DEUS QUE INTERVEM NA HISTÓRIA - 4º TRIMESTRE/2014

O DEUS QUE INTERVEM NA HISTÓRIA
Texto Áureo Dn. 2.20,21 – Leitura Bíblica Dn. 2.12-23



INTRODUÇÃO
Na lição de hoje, a partir do sonho de Nabucodonosor, e da revelação de Daniel, veremos que Deus intervém na história. Inicialmente, destacaremos o mistério em relação ao sonho, considerando que o próprio rei não foi capaz de contá-lo. Mostraremos também as exigências descabidas do monarca, exigindo as vidas dos sábios do palácio, caso esses não descrevessem e interpretassem. Ao final, explicaremos que o Deus de Daniel, por conhecer e intervir na história, não apenas deu a interpretação ao Seu servo, mas também revelou o que o rei havia sonhado.

1. O SONHO DE NABUCODONOSOR
O sonho de Nabucodonosor, que se encontra em Dn. 2, nos dá uma visão panorâmica dos acontecimentos futuros. O monarca babilônico se encontrava em uma posição de opulência, depois de ter dominado toda a terra (Jr. 27.6,7). A Babilônia, por aquele tempo, se transformou na rainha das nações, a capital da civilização, o centro da cultura, a sede do comércio. Mas certa noite o rei teve um sonho perturbador, de modo que o fez perder o sono, justamente porque era incapaz de saber o conteúdo daquela visão (Dn. 2.1). Tratava-se de um sonho misterioso, que se encontrava no inconsciente do rei. Então mandou chamar os magos, astrólogos, encantadores e caldeus para que declarassem o que o rei tinha sonhado. Os sábios esperavam que Nabucodonosor revelasse o sonho, para que esse fosse interpretado por eles (Dn. 2.3,4). A língua utilizada por eles foi o siríaco, uma variação do aramaico, talvez uma maneira de mostrar identificação com o rei. Em tom de ameaça o monarca exige dos sábios uma interpretação, mesmo sem ter a capacidade de relatar o sonho. A crueldade desse rei é identificada em suas palavras “se me não fizerdes saber o sonho e a sua interpretação, sereis despedaçados” (Dn. 2.5). Por outro lado, ofereceu-lhes benefícios, caso fossem capazes de revelar e interpretar o sonho: “receberei de mim dons, e dádivas, e grande honra, portanto declarai-me o sonho e a sua interpretação” (Dn. 2.6). Os sábios insistiram para que o rei contasse o sonho, para que pudessem dar uma interpretação. Na verdade eles estavam tentando ganhar tempo, por não terem competência para fazê-lo. Essa é uma demonstração das limitações humanas em relação à revelação. Ninguém pode declarar as verdades ocultas de Deus, a menos que Ele mesmo decida revelá-las (Mt. 11.28; Dt. 29.29).

2. O FRACASSO DOS SÁBIOS DA BABILÔNIA
Os caldeus se expressaram, mostrando a incompetência humana diante daquele mistério (Dn. 2.10). Eles reconheceram que ninguém “sobre a terra” poderia declarar o sonho do rei, e nisso estavam corretos. A exigência do rei era difícil demais, apenas uma intervenção sobrenatural, vinda de Deus, poderia satisfazer a vontade do rei. Essa resposta deixou o rei irado, ao ponto de ordenar a matança de todos os sábios da Babilônia (Dn. 2.12,13). Aquele decreto resultaria inclusive na morte do jovem Daniel e seus amigos (Dn. 2.14). Ao invés de se exasperar, Daniel, com brandura, buscou aplacar a ira dos emissários do rei. O comportamento do jovem Daniel nos faz lembrar que a palavra branda desvia o furor (Pv. 15.1). Tenhamos cuidado para não tomar decisões precipitadas, muito menos nos adiantar nas palavras. Daniel resolveu pedir ao rei um tempo para que pudesse dar a interpretação do sonho. Aquele jovem sabia que em tempos de aflições, Deus é nosso refúgio e fortaleza, socorro bem presente na angústia (Sl. 46.1). Ele tomou a decisão de partilhar a situação com seus amigos, Hananias, Misael e Azarias, para que eles orassem em favor da situação. Como Daniel, e seus amigos, devemos confiar que Deus intervém na história através da oração. Como bem nos lembra Tiago, a oração do justo pode muito em seus efeitos (Tg. 5.16). Nenhum cristão, entre eles os jovens, não deve desprezar o valor da oração. O pragmatismo moderno tem distanciado os crentes das horas silenciosas, e dos momentos particulares de oração. A oração é a porta aberta para os céus (Lc. 3.21), o próprio Jesus orou, motivo suficiente para orarmos (Hb. 10.5-7). Daniel também é um exemplo de confiança na soberania de Deus. O Senhor conhece todas as coisas (Sl. 147.5), nEle está a profundidade da sabedoria (Rm. 11.33), em Cristo repousa a plenitude da divindade (Cl. 2.9).

3. DANIEL INTERPRETA O SONHO
Diante das autoridades, Daniel defendeu, com sabedoria, que Deus revela o profundo e o escondido, porque conhece o que está em trevas, e com ele mora a luz (Dn. 2.22). Em seguida pede para ser introduzido à presença do rei, para trazer a interpretação do seu sonho (Dn. 2.24). Antes Daniel chama a atenção do rei, ressaltando que sua exigência foi despropositada, considerando que aquele segredo ninguém seria capaz de descobrir (Dn. 2.27). Existem pessoas, até mesmo entre os crentes, que assim como fez Saul (I Sm. 28), querem forçar determinadas revelações. Mas não adianta investir em profecias que não foram dadas por Deus, somente o Senhor tem as revelações (Dn. 2.28). Paulo lembrou a grandeza desse Deus no Areópago em Atenas (At. 17.23-25). E apelando a revelação do Senhor, Daniel declara que o rei sonhou com uma grande estátua de material heterogêneo. Os vários materiais daquela estátua tinham significados profundos, os quais foram revelados pelo profeta do Senhor. A cabeça de ouro representava o império babilônico, que durou de 606 a 539 a. C. Os braços e peito de prata representava o império medo-persa, que durou de 539 a 331 a. C. O ventre e as coxas de bronze representavam o império grego, que durou de 331 a 146 a. C. E as pernas e pés de ferro e barro o império romano que durou de 146 a. C. a 476 d. C. Daniel viu ainda que “uma pedra foi cortada sem mão, a qual feriu a estátua nos pés de ferro e barro, e os esmiuçou” (Dn. 2.34). A pedra se refere a Cristo, em alusão às revelações do Senhor, em Seu sermão escatológico (Mt. 24.30). Isso acontecerá por ocasião da vinda de Jesus, a fim de despedaçar o governo do anticristo (Mt. 21.44). Esse será o momento em que o Reino de Deus, em sua plenitude, será inaugurado (Is. 2.2; Mt. 16.18; I Pe. 2.5), após a batalha do Armagedom (Ap. 17.14; 19.16).

CONCLUSÃO
Como um verdadeiro profeta de Deus, Daniel se negou a receber as recompensas oferecidas pelo monarca. O Senhor, no entanto, usou aquela oportunidade, a fim de concretizar Seu desígnio, em relação ao Seu povo. Em todas as circunstâncias devemos confiar em Deus, que continua se revelando, e dependendo da Sua soberania, certos que tudo coopera para o bem daqueles que amam a Deus, e que são chamados segundo Seu propósito (Rm. 8.28). Como Daniel, devemos ser humildes, reconhecendo que o Deus, além de revelar os mistérios ocultos, tem a história em suas mãos. 
  
                             Autor: Prof. Ev. José Roberto A. Barbosa
Twitter: @subsidioEBD

BIBLIOGRAFIA
SILVA, S. P. da. Daniel: versículo por versículo. Rio de Janeiro: CPAD, 2013.
WEIRSBE, W. Be resolute: Daniel. David Cook: Ontario, 2008.

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

LIÇÃO 02 - A FIRMEZA DO CARÁTER MORAL E ESPIRITUAL DE DANIEL - 4º TRIMESTRE/2014

A FIRMEZA DO CARÁTER MORAL E ESPIRITUAL DE DANIEL
Texto Áureo Dn. 1.8 – Leitura Bíblica Dn. 1.1-20



INTRODUÇÃO
Conforme estudamos na lição anterior, após a queda de Judá perante a Babilônia, os jovens intelectuais foram levados cativos para aquela nação. É nesse contexto que encontramos Daniel, diante da adversidade e da oposição cultural em relação a sua fé. Na aula de hoje nos voltaremos para a firmeza moral e espiritual desse homem amado de Deus, que serve de exemplo de resistência, diante de culturas que não se coadunam com os princípios divinos. 

1. O FAVOR DE DEUS A DANIEL
Conforme destacamos em aulas anteriores, aconteceram várias deportações de judeus para a Babilônia. Daniel e seus amigos foram conduzidos a essa nação por volta do ano 605 a. C., quando tinham aproximadamente 15 anos, portanto, na juventude. Em Judá, por aqueles dias, a idolatria havia tomado conta da nação, as pessoas não tinham mais compromisso com a Palavra de Deus. Mesmo assim, conforme antecipou Isaias em sua mensagem profética, Deus sempre tem seu remanescente (Is. 7.3). Na igreja acontece a mesma situação, há aqueles que professam o nome de Deus apenas com os lábios, mas seus corações estão distantes do Senhor (Mt. 7.21-23). Felizmente existem aqueles que não se dobram diante das ameaças, e permanecem firmes diante do confronto cultural, sem fazer concessões em relação a sua fé. Assim agiram Daniel e seus amigos, que foram preparados providencialmente por Deus para enfrentarem aquela condição adversa, a fim de testemunharam da grandeza de Deus em meio a um contexto pagão (Dn. 1.6). Existem pessoas, como Moisés e Paulo, que são separadas por Deus de acordo com seu propósito, a fim de cumprir Seus desígnios e fazer Sua vontade (At. 7.22; 17.27; II Tm. 4.13). Os jovens da igreja não devem fugir da responsabilidade estudantil, devem se esforçar e se destacar diante dos colegas, pois Deus poderá utilizar-se dessa preparação para cumprir algum propósito (Dn. 1.20). Mas é necessário que se mantenham firmes em suas convicções, não fazendo concessões em relação aos seus princípios. Daniel se encontrava em um grande centro cultural, mas não permitiu ser aculturado, antes aproveitou aquela oportunidade para revelar o Deus de Israel aos babilônicos. Os jovens cristãos que adentram as universidades devem se esforçar, e darem o máximo para se destacarem, mas não podem esquecer-se da Palavra, e não trocarem a revelação pelas filosofias que ali imperam (Cl. 2.8).  

2. A ASCENÇÃO DE DANIEL NA BABILÔNIA
Daniel e seus amigos se encontravam no palácio do rei da Babilônia, sendo treinados para receberem a cultura daquela nação. O objetivo daquele treinamento era fazer com que os jovens se coadunassem a forma de pensar babilônica. Mas Daniel não entrou na forma daqueles que queriam moldá-lo de acordo com os padrões daquela cultura, ele sabia que estava sendo testado, e tomou a decisão de ser aprovado por Deus (II Tm. 2.15). Devemos lembrar das palavras de Paulo aos crentes de Roma, para que esses não se deixassem transformar em conformidade com o pensamento deste século, mas que experimentassem a boa, perfeita e agradável vontade de Deus (Rm. 12.1,2). Isso quer dizer que somos chamados, como Daniel, para viver em santidade, não apenas moralmente – fazendo a distinção entre o certo e o errado, mas também a por em prática os ensinamentos que recebemos do Senhor. No que tange à espiritualidade, os cristãos devem se relacionar com Deus, através da oração e meditação na Palavra de Deus. Somente com a preparação que vem de Deus seremos capazes de enfrentar as situações adversas, até mesmo quando leis injustas forem criadas a fim de perseguir os cristãos (At. 5.29). Há situações que a desobediência às leis humanas são permitidas, principalmente quando essas se opõem à Palavra de Deus. As parteiras hebreias (Ex. 1), os apóstolos (At. 4), e até mesmo Jesus (I Pe. 2.13-25) mostram que entre a Palavra de Deus e a dos homens devemos optar pela primeira. No entanto, se possível, conforme expressou Paulo, devemos buscar viver em paz com todos, inclusive com as autoridades (Rm. 12.18). Esse exemplo nos foi dado por Daniel, que se dedicou ao máximo para conciliar seus valores com os padrões estabelecidos pelo governo babilônico.

3. A FIRMEZA DE DANIEL NA BABILÔNIA
Em Dn. 1.18-20 está escrito que o próprio Nabucodonosor decidiu fazer um teste a fim de averiguar o desenvolvimento dos jovens súditos do palácio. Daniel foi aprovado naquele teste, e o principal, suas convicções fizeram a diferença. Como cristãos, devemos buscar espaços na sociedade, os jovens devem se dedicar, se prepararem para os concursos. Ao mesmo tempo, devem buscar ter uma vida cristã equilibrada, conciliando os estudos com a vida devocional. O problema de alguns jovens em contextos universitários é o extremismo. Alguns deles enfocam demasiadamente o espiritual e se esquecem de cumprir suas responsabilidades estudantis. Outros enfatizam tanto o material que acabam se distanciando da fé que uma vez professaram. Daniel viveu vários anos na condição de exilado, mas Deus o preservou no ministério. Como estadista não fez concessões em relação aos seus princípios, tornando-se um exemplo para todos aqueles que almejam a vida pública. Na época das eleições vários candidatos se apresentam às igrejas, e querem os votos dos fiéis simplesmente por ser evangélicos. O desafio deles não é apenas serem eleitos, mas principalmente permanecerem firmes em seus valores. Atentando não apenas para os aspectos morais do seu chamado, mas também espiritual, sem se esquecerem da responsabilidade social. Há políticos evangélicos que defendem apenas uma agenda moral, criticando o liberalismo em relação ao aborto, divórcio e homossexualidade, mas esquecem da pauta social. Além de não promoverem o bem social, ainda se envolve em atos de corrupção, subvertendo os cofres públicos, dinheiro que deveria ser investido em saúde e educação de qualidade. Mas Daniel, enquanto homem público, comprometeu-se com a causa divina. O chamado de Deus não é apenas para ocupar posição de status, mas para cumprir nosso papel, mantendo-nos fieis ao Senhor (I Ts. 5.23,24).

CONCLUSÃO
Como cristãos diante da cultura contemporânea, somos chamados a decidir qual lado tomaremos. Poderemos nos conformar com mundo, seguindo seus princípios, que fazem oposição à vontade Deus. Mas também podemos decidir ser transformados pela Palavra de Deus, levando cativo todo pensamento à obediência de Cristo (II Co. 10.5). Se assim fizermos, seguiremos o modelo de Daniel, nos mantendo firmes no que tange à moralidade, não defendendo ensinamentos contrários a Palavra de Deus. E também não desprezaremos uma vida espiritual piedosa, investindo na produção do fruto do Espírito na vida cristã (Gl. 5.22).
                                 Autor: Prof. Ev. José Roberto A. Barbosa
Twitter: @subsidioEBD


BIBLIOGRAFIA
LOPES, H. D. Daniel. São Paulo: Hagnos, 2006.
WEIRSBE, W. Be resolute: Daniel. David Cook: Ontario, 2008.

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

LIÇÃO 01 - DANIEL, NOSSO "CONTEMPORÂNEO" 4º TRIMESTRE/2014

DANIEL, NOSSO “CONTEMPORÂNEO”
Texto Áureo Mt. 24.15 – Leitura Bíblica Dn. 1.1,2; 7.1; 12.4



INTRODUÇÃO
Estamos iniciando o último trimestre de 2014, durante as próximas lições estudaremos Daniel. Esse livro bíblico traz muitas orientações para a integridade moral e espiritual do povo de Deus. Na aula de hoje faremos uma apresentação panorâmica do livro, destacando sua atualidade em relação às questões morais e espirituais que a igreja tem enfrentado. Mostraremos que Daniel, de certo modo, é nosso “contemporâneo”, na medida em que se identifica com os mesmos desafios que a igreja precisa enfrentar em períodos de crise.

1. DANIEL, O PROFETA
Daniel, cujo nome significa “Deus é meu Juiz” foi um profeta (Mt. 24.15), do qual pouco podemos saber a respeito, além do que nos está registrado na Bíblia. Como Isaias era também membro da tribo de Judá, e ao que tudo indica, membro da família real (Dn. 1.3-6). Em razão do cativeiro judaico na Babilônia, Daniel teria sido levado muito jovem para essa terra (Dn. 1.4), no terceiro ano de Joaquim (605 a. C.), oito anos antes da ida de Ezequiel para esse mesmo cativeiro. Quando à Babilônia, Daniel foi colocado na corte de Nabucodonosor, tornando-se conhecedor da ciência dos caldeus, e se destacando em seu conhecimento diante dos demais sábios. Uma demonstração da superioridade do conhecimento de Daniel foi reconhecida na capacidade dada por Deus para interpretar o sonho de Nabucodonosor. Esse episódio deve ter ocorrido no segundo ano do seu reinado, por volta do ano 603. a. C. Alguns anos mais tarde sucedeu o segundo sonho de Nabucodonosor, também interpretado pelo profeta. Daniel foi levado a uma alta posição de poder durante o reinado babilônico. Ele passou 70 anos no cativeiro, tendo acompanhado o governo medo-persa, de Dario e Ciro. Justamente durante esse governo o profeta de Deus foi lançado na cova dos leões, por causa da sua fidelidade a Deus. Daniel nos deixou um legado de fidelidade a Deus, mesmo nos períodos de crise moral e espiritual. O livro de Daniel se acha dividido em duas partes (1) histórica e (2) profética, na primeira parte Daniel é apresentado em terceira pessoa; na segunda parte ele mesmo narra os episódios. A seguir destacamos os princípios assuntos: 1) Daniel e seus companheiros na corte de Nabucodonosor; 2) o sonho do rei com respeito à grande imagem, simbolizando quatro reinos; 3) a fornalha de fogo na qual são lançados os companheiros de Daniel; 4) o sonho de Nabucodonosor no qual foi vista e uma grande árvore; 5) o banquete suntuoso e profano de Belsazar; 6) Daniel é lançado na cova dos leões por causa da sua fidelidade a Deus; 7) visão dos quatro grandes animais que subiam do mar, e seu juízo diante do Ancião de Dias; 8) visão do carneiro com dois chifres, ferido pelo bode, que tinha um chifre entre os olhos; 9) compreensão da profecia de Jeremias (Jr. 25.12; 29.10), quanto aos setenta anos das idolatrias de Jerusalém; e 10) outras visões de Daniel a respeito do futuro de Israel e das outras nações.

2. NOSSO “CONTEMPORÂNEO”
O cenário espiritual de Judá, nos tempos do profeta Daniel, era caótico, isso porque nos anos 608 a 597 a. C., Joaquim reinava em Jerusalém (II Rs. 23.34). Naqueles dias duas nações lutavam pelo controle da região, a saber, Assíria e Egito. Neco, rei do Egito, subira para batalhar contra o rei da Assíria (II Rs. 23.29, Josias, que era o rei de Judá, decidiu atacar o Egito, mas morreu na batalha de Carquemis, em 608 a. C. Neco, em resposta ao ataque, destituiu a Jeocaz, filho de Josias, tendo esse reinado apenas três meses, impondo pesados tributos a Judá, constituindo rei a Jeoaquim, irmão deposto de Jeocaz (II Rs. 23.31-35). Joaquim foi um rei ímpio, tendo este rasgado e queimado o rolo da Palavra de Deus, que continha as mensagens do profeta Jeremias (Jr. 36.20-26). De certo modo a situações política daquela época não é diferente dos desafios que temos enfrentado nos dias atuais. A Palavra de Deus está sendo desconsiderada, os governantes estão preocupados, a fim de agradar a determinados grupos, em retirar os princípios cristãos de pauta. Acompanhamos, na sociedade brasileira, um processo de descristianização do valores, e uma processo contínuo de secularização. Alguns sacerdotes estão fazendo conchavos com os políticos, a fim de tirarem proveito pessoal das iguarias que lhes são oferecidas. Os profetas de Deus, tal como Jeremias e Daniel, estão denunciando esses impropérios, e por isso estão sendo perseguidos. Como fez Joaquim com o profeta Urias, ao desagradá-lo com mensagens contrários, alguns governantes estão perseguindo, e se for o caso, matando os profetas de Deus (Jr. 26.20-23). Mas Deus acompanha os acontecimentos, Ele é Senhor da história, no ano 606 a. C., o cenário militar foi modificado, uma vitória de Nabucodonosor, da Babilônia, sobre Neco, consolidou esse governo como uma potencial mundial. Em 605 a. C., após várias incursões sobre Jerusalém, Nabucodonosor domina aquele local e leva cativo os nobres, dentre eles Daniel, para o cativeiro, o rei Joaquim rendeu-se sem resistência. A abominação tomou conta de Jerusalém, pois em 586 a. C., após dezoito meses de sítio, os exércitos do rei da Babilônia saquearam a cidade, destruindo também o templo. O reinado de Nabucodonosor durou o período de 43 anos, tendo sido uma período de desolação para o povo judeu, por se encontrar no cativeiro (Sl. 137.1-9).

3. IDENTIFICAÇÃO COM DANIEL
Daniel nos mostra como viver para Deus em temos de falta de integridade moral e espiritual, principalmente na juventude. Por meio dos profetas o povo de Judá foi advertido, Jeremias e Habucuque anteciparam que a Babilônia invadiria Jerusalém, e levaria seu povo cativo. O testemunho de Daniel inspira os crentes a viverem em santidade, e se aproximarem de Deus, ainda que a maioria relativize Sua palavra. Daniel estava diante de uma geração que estava colhendo os frutos que os seus pais haviam semeado (Dn. 1.2). Isso nos mostra que a apostasia espiritual não acontece de uma hora para outra, é resulta de uma negligência paulatina, um distanciamento sutil da Palavra de Deus. O povo de Israel, ao invés de confiarem na Palavra, estavam se fundamentando no templo (Jr. 7.7). Os templos são necessários, e importantes para as igrejas, mas é a Palavra que conduz às vidas pelos caminhos do Senhor. Um templo suntuoso não salvará uma igreja da ruína espiritual, o avivamento não depende de estruturas arquitetônicas, mas da dependência de Deus. Daniel nos inspira a continuar acreditando na intervenção divina, mesmo diante dos tempos difíceis, a despeito de suas perdas e das vicissitudes pelas quais passou, seu coração permanecia em Deus. Ao invés de murmurar pelas adversidades, o jovem Daniel buscou discernimento e aproveitou as oportunidades, para estudar na Universidade da Babilônia. Ainda que Nabucodonosor quisesse desintegrar a identidade dos jovens judeus, inclusive alterando os seus nomes, Daniel sabia quais eram suas raízes, e se matinha fiel aos seus princípios. Durante o período em que esteve naquela Universidade, Daniel equilibrou o seu tempo, de modo a não se deixar contaminar com as iguarias do rei, e dedicando tempo sua vida devocional diante do Senhor (Dn. 1.5). O homem de Deus sabia que não podia se deixar dominar pela aculturação, isto é, pelo domínio cultural dos babilônicos, aprendeu a tirar proveito do que era necessário, mas sem relativizar seus valores judaicos. O mundo pode tentar modificar os nossos nomes, mas não pode mudar nossos corações, como Daniel não podemos esquecer-nos de quem somos, e o propósito para o qual fomos criados.

CONCLUSÃO
Mesmo quando obteve honra em sua vida profissional, Daniel não se esqueceu de Deus. Após a conclusão da sua graduação, passou a servir no palácio de Nabucodonosor, mas sempre se manteve fiel aos seus princípios. Aqueles que fazem a vontade de Deus seguirão seu curso, mesmo depois da queda dos impérios, assim ocorreu com Daniel, que serviu até o primeiro ano de Ciro, rei persa, depois da queda da Babilônia. Deus está no comando das situações da vida daqueles que decidem viver para Ele, mesmo nos tempos de crise a mão do Senhor estarão sobre eles. O futuro está no controle de Deus, ao Seu tempo fará o que Lhe apraz, conforme Seus desígnios.

                                  Autor: Prof. Ev. José Roberto A. Barbosa
Twitter: @subsidioEBD

BIBLIOGRAFIA
WEIRSBE, W. Be resolute: Daniel. David Cook: Ontario, 2008.
BALDWIN, J. G. Daniel: introdução e comentário. São Paulo: Vida Nova, 1983