sábado, 26 de outubro de 2013

LIÇÃO 04 - LIDANDO DE FORMA CORRETA COM O DINHEIRO - 4º TRIMESTRE/2013

LIDANDO DE FORMA CORRETA COM O DINHEIRO
Texto Áureo: Pv. 10.22 – Leitura Bíblica: Pv. 3.9,10; 22.3; 24.30-34

INTRODUÇÃO
O livro de Provérbios apresenta vários conselhos a respeito do uso apropriado do dinheiro. Tais orientações são bastante práticas, e úteis para os cristãos dos dias modernos. Na lição de hoje trataremos justamente a respeito desse assunto tão controvertido, e pouco discutido nas igrejas, e quando é feito, nem sempre se considera a totalidade das Escrituras. Por isso, nesta aula, além de abordar a questão do dinheiro em Provérbios, nos voltaremos para algumas orientações práticas, com base no Novo Testamento, em relação às finanças.

1. O DINHEIRO EM PROVÉRBIOS
Por se tratar de um livro de conselhos, Provérbios orienta seus leitores a fim de saberem lidar com situações práticas da vida. Conforme estudamos anteriormente, o autor de Provérbios destaca a importância de apresentar a Deus nossas primícias (Pv. 3.9). A recompensa de Deus, para os israelitas, estava condicionada a atitude de entregar a Ele os primeiros resultados da colheita (Pv. 3.10; 13.21). Como livro de sapiência, a sabedoria, e não o dinheiro, é muito mais importante, pois é a sabedoria que faz a riqueza durar (Pv. 8.18,21), o seu resultado é consideravelmente melhor (Pv. 8.20), somente a partir dela as pessoas poderão usá-lo adequadamente (Pv. 17.16), inclusive para não afadigar buscando riquezas (Pv. 23.4). Não apenas a sabedoria é mais importante que o dinheiro, também uma vida de retidão, atitudes de retidão. As pessoas justas vivem com maior tranquilidade que as desonestas (Pv. 15.16), por isso um homem pobre que não se envolve em negócios escusos é preferível ao rico que vive sem honestidade (Pv. 28.6). Deus geralmente recompensa os justos com dinheiro (Pv. 13.21), mas é melhor ter menos dinheiro e viver em retidão do que ter muito dinheiro resultante de injustiça (Pv. 16.18). Por conseguinte, temer a Deus é bem melhor do que ter dinheiro (Pv. 15.16), na verdade, a humildade, e o temor a Deus, leva o homem a adquirir riquezas (Pv. 22.4). Como já destacamos em outras lições, a diligência é uma característica fundamental para aqueles que querem ter êxito em suas vidas. Os que não se deixam conduzir pela indolência colherão os frutos da prosperidade (Pv. 10.4). A obtenção de dinheiro está atrelada ao trabalho, é através dele que as pessoas adquirem riquezas (Pv. 14.23). A diligência é concretizada em planejamento, não apenas em ações espontaneistas, que leva à ruina (Pv. 21.5). As pessoas que não conseguem controlar seus hábitos consumistas acabarão sem nada (Pv. 21.17).

2. PROVÉRBIOS E O USO DO DINHEIRO
O sábio destaca, a princípio, as limitações do dinheiro, definitivamente ele não pode comprar tudo, não pode livrar as pessoas da condenação (Pv. 11.4), não dura para sempre, tem um caráter efêmero (Pv. 23.5; 27.4), sequer é digno de confiança (Pv. 11.28), por isso devemos depositar nossa esperança em Deus (Pv. 28.25). Mas o dinheiro não necessariamente é algo ruim, na verdade, pode ser utilizado para fazer o bem. Quando corretamente utilizado, pode diminuir os estresses e evitar alguns problemas (Pv. 10.15). Ademais, os filhos, se forem sábios, poderão desfrutar da herança deixada pelos pais (Pv. 13.22), a esposa também exerce papel fundamental no bom uso dos recursos (Pv. 31.18). Mas é preciso ter cuidado, pois o dinheiro pode ser extremamente danoso para as pessoas, principalmente no que tange aos relacionamentos. Isso porque, infelizmente, existem favoritismos por causa do dinheiro, os ricos acabem sendo bem tratados, enquanto que os pobres são menosprezados (Pv. 14.20). As pessoas que têm dinheiro não conseguem identificar com facilidade quem são seus reais amigos, pois muitos se aproximam por interesse (Pv. 19.4). Aqueles que não têm dinheiro são abandonados justamente porque as pessoas se voltam para as que têm mais dinheiro (Pv. 19.4). Os que têm muito dinheiro não conseguem encontrar descanso, costumam viver no isolamento, pois comumente são perseguidos por ladrões ou sequestradores (Pv. 13.8). Aqueles que têm recursos financeiros são pessoas fúteis, não conseguem se interessar por conhecimentos valiosos. Os pobres com entendimento percebem a mediocridade dessas pessoas (Pv. 28.11). Além disso, não podemos deixar de destacar que muitas pessoas na verdade não têm dinheiro, apenas vivem uma mentira, como se tivessem, para agradar a sociedade (Pv. 13.7). Ao invés de querer dominar os mais pobres, e se assenhorarem sobre eles (Pv. 22.7), os ricos deveriam reconhecer que foi Deus quem criou tanto um quanto ao outro (Pv. 22.2). Ao invés de serem vaidosos, por causa do dinheiro, os ricos precisam pôr em prática a generosidade (Pv. 11.24,25). Deus é testemunha daqueles que oprimem os mais pobres, e querem tirar vantagem das suas necessidades, tais pessoas cairão em ruína (Pv. 22.16).

3. VISÃO CRISTÃ SOBRE O DINHEIRO
A abordagem de Jesus em relação ao dinheiro é radical, Ele se posiciona contra o acúmulo de riquezas na terra, orienta as pessoas a entesourarem no céu (Mt. 6.19-21). Essa é a resposta de Jesus a ansiedade que assola a sociedade moderna. Ao invés de estarem preocupados com muitas coisas, ansiosos pelas vicissitudes da vida, devemos aprender a confiar em Deus, na Sua providência (Mt. 6.24,25). Por isso, quando se encontrou com o jovem rico, orientou para que esse entregasse seus bens materiais aos pobres, mas ele foi incapaz de fazê-lo (Mt. 19.16-22). A conclusão de Jesus, em virtude do apego daquele jovem às riquezas foi a seguinte: “Em verdade vos digo que um rico dificilmente entrará no reino dos céus. E ainda vos digo que é mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha, do que entrar um rico no reino de Deus” (Mt. 19.23,24). Ao invés de enfocar demasiadamente as riquezas, Jesus ensina que devemos buscar, em primeiro lugar, o reino de Deus e a sua justiça e que as demais coisas – apresentadas no contexto, e não todas como dizem alguns – os serão acrescentadas (Mt. 6.33). Em suas epístolas, Paulo orienta os primeiros crentes em relação ao uso do dinheiro. Ao escrever aos Coríntios nos apresenta o modelo de Jesus em relação à riqueza e a pobreza. Diz ele: “pois conheceis a graça de nosso Senhor Jesus Cristo, que, sendo rico, se fez pobre por amor de vós, para que pela sua pobreza vos tornásseis ricos” (II Co. 8.9). A riqueza a respeito da qual trata o Apóstolo, nesse texto, não é material, tendo em vista que, ao escrever a Timóteo, alerta a respeito do perigo das riquezas (I Tm. 6.9,10). A orientação apostólica é a de que há maior felicidade em dar do que em receber (At. 20.35), por isso, Deus ama a quem dar com alegria (II Co. 9.7). A moeda mais valiosa para o cristão é o exercício da piedade, que a fonte de lucro (I Tm. 4.8).

CONCLUSÃO
A partir do Livro de Provérbios, e do Novo Testamento, destacamos algumas orientações práticas quanto ao uso do dinheiro: 1) não devemos confiar nas riquezas, mas em Deus, que é nosso Provedor (Mt. 6.24); 2) diante de uma sociedade consumista, devemos pedir sabedoria a Deus, para saber usar corretamente o dinheiro (Tg. 1.5); 3) a honestidade é uma prática cristã, não apenas diante de Deus, mas também dos homens (II Co. 8.21); 4) não devemos esquecer que um dia prestaremos contas a Deus, inclusive do modo como gastamos nosso dinheiro (Rm. 14.10; 5) sejamos cuidadosos em relação ao dinheiro, aprendamos a exercitar a piedade com contentamento (I Tm. 6.6-10); 6) a utilizar os recursos em coisas benéficas, principalmente para a obra do Senhor  (Fp. 4.14); 7) em uma sociedade individualista, sejamos generosos, atentos às necessidades dos outros (II Co. 9,6,7); 8) o dinheiro do cristão deve ser ganho com honestidade, no temor do Senhor, e gasto com sabedoria (At. 24.16; II Ts. 3.7-9); 9) é preciso ter cuidado para não se deixar dominar pela ganância, e pelo consumismo (Ef. 5.3); e 10) o segredo é aprender a viver em contentamento, para não contrair dívidas desnecessárias, que comprometerão a renda familiar (Hb. 13.5).                           
                               AUTOR: Prof. Ev. José Roberto A. Barbosa
Twitter: @subsidioEBD

BIBLIOGRAFIA
KIDNER, D. Provérbios: introdução e comentário. São Paulo: Vida Nova, 1980.
ORTLUND JR. R. C. Proverbs: wisdom that works. Illinois: Crossway, 2012.

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

LIÇÃO 03 - TRABALHO E PROSPERIDADE - 4º TRIMESTRE/2013

TRABALHO E PROSPERIDADE
Texto Áureo: Pv. 10.22 – Leitura Bíblica: Pv. 3.9,10; 22.3; 24.30-34


INTRODUÇÃO
Na Lição de hoje trataremos a respeito de dois assuntos fundamentais para o cristão: trabalho e prosperidade. O livro de Provérbios contem vários ensinamentos a esse respeito, por isso, abordaremos alguns aspectos desses tópicos com base nesse compendio de sabedoria. Ao final, avaliaremos tais ensinamentos a partir da visão cristã do trabalho e da prosperidade. Destacaremos a necessidade de uma vida que sacralize cada instante de nossas vidas, inclusive o trabalho e os recursos financeiros.

1. O TRABALHO EM PROVÉRBIOS
O livro de Provérbios apresenta algumas orientações práticas em relação ao trabalho, que não podem ser desprezadas pelos cristãos da atualidade. As palavras do sábio destaca que o homem tem a responsabilidade de trabalhar, mais que isso, através dele adquirir o sustento para a vida, especialmente o alimento (Pv. 12.11; 16.26; 28.19). As declarações sapienciais do autor remetem ao princípio, quando Deus estabeleceu o trabalho como uma atribuição para o homem (Gn. 2.15). Por isso, deixar de trabalhar é uma demonstração de falta de entendimento (Pv. 12.11), cujo final é a morte (Pv. 21.25). Justamente por esse motivo, o sábio instrui seus leitores para que saibam discernir a ordem de prioridades na vida, que façam a diferença entre o que deve ter proeminência, e o que pode ser postergado (Pv. 10.5). O planejamento ocupa lugar primordial em Provérbios (Pv. 16.1), fazer as coisas no momento certo é fundamental, mas é preciso também se preparar previamente (Pv. 21.5). Para o autor de Provérbios, o lucro é resultado do trabalho árduo (Pv.14.23), e aquele que não demonstra presteza para o trabalho é equiparado ao destruidor (Pv. 18.9), que conduz a pobreza (Pv. 13.23). A diligência é uma característica fundamental para o êxito no trabalho (Pv. 12.24), aqueles que semeiam a preguiça colherão a necessidade (Pv. 22.13). Mas aqueles que trabalham ceifarão os dividendos do seu esforço (Pv. 12.14), principalmente se demonstrarem habilidade naquilo que fazem, receberão reconhecimento e recompensa (Pv. 22.29). Mas é preciso que o trabalho seja desempenhado com honestidade, principalmente quando envolver sociedade nos negócios (Pv. 16.11; 29.24). A confiança nas relações comerciais advém da honestidade, a desconfiança pode minar qualquer intento (Pv. 14.25).  O autor de Provérbios mostra preocupação em relação aos necessitados, a fim de que esses tenham assistência, os direitos deles devem ser garantidos (Pv. 22.28).

2. A PROSPERIDADE EM PROVÉRBIOS
Em Provérbios, a pobreza está relacionada à preguiça, a falta de diligência diante das decisões (Pv. 6.9-11; 20.13; 24.34), mas também à indolência (Pv. 19.15), indisciplina (Pv. 24.34), injustiça (Pv. 13.21-23), opressão (Pv. 14.31; 17.5; 22.16). Nesse livro a propriedade privada é incentivada, os bens devem ser desfrutados com sabedoria. Existem vantagens na riqueza, contanto que essas sirvam 1) como fonte de ajuda aos necessitados (Pv. 27.26,27); 2) para proteger do desastre e da tentação (Pv. 10.15; 30.9); e 3) como meio de adquirir amigos e honras (Pv. 14.24; 19.4; 14.20). Mas essas mesmas riquezas podem provocar um falso sentimento de segurança, pois aqueles que confiam apenas em seus pertences cairão em ruína (Pv. 11.28;23.5), principalmente se esses forem usados para substituir a integridade (Pv. 22.6; 16.8). A prosperidade é importante, pois o Senhor abençoa com riqueza (Pv. 10.22), mas não se compara com a justiça (Pv. 15.6). Nem toda riqueza, principalmente aquela adquirida com desonestidade, vem do Senhor (Pv. 13.11; 15.16; 16.8). A aquisição de bens deve ter um propósito, o principal deles é viver com justiça (Pv. 10.2,3; 15.16). O autor de Provérbios apresenta orientações quanto aos usos dos recursos, não se deve viver com ostentação (Pv. 12.11; 21.17,18; 23. 20,21) A prática da liberalidade é recomendada nesse livro, o acúmulo de riquezas, em detrimento dos mais pobres, é uma prática do capitalismo selvagem. O cuidado para com os mais pobres é uma maneira de honrar a Deus (Pv. 3.5; 19.17; 22.9; 28.27). Ao longo desse livro, o sábio destaca a importância de se voltar para os mais carentes (Pv. 14.21, 31; 17.5; 19.17; 22.9,16,22), tratando-os com generosidade (Pv. 11.24; 19.6). Até mesmo os inimigos devem ser socorridos nas horas de privação (Pv. 25;21,22).  

3. TRABALHO E PROSPERIDADE
A Bíblia ensina que: 1) o trabalho é uma ordenança divina (Gn. 1.28; 2.15); 2) que assim devemos fazer enquanto vivermos (Gn. 3.19); 3) que não necessariamente o trabalho é uma punição (Ec. 2.24,25); 4) que devemos trabalhar em obediência, não apenas ao empregador, mas também a Deus (Cl. 3.22); 5) que qualquer trabalho, independentemente da atribuição, deve ser feito com excelência (Pv. Ef. 6.6,7); 6) que nenhum trabalho honesto é desonroso (I Co. 10.31); e 7) esse pode ser uma oportunidade para o testemunho (Mt. 5.16). Isso porque os cristãos são sal da terra e luz do mundo, por isso não apenas na igreja, mas também no trabalho, devem dar exemplo (Mt. 5.13-16; I Pe. 2.12). Não devemos fugir do trabalho, pois no mundo em que vivemos, temos a responsabilidade de trabalhar, e prover o sustento para as nossas famílias (I Ts. 3.9), se assim não fizermos, seremos piores que os infiéis (I Tm. 5.8). Mas é preciso ter cuidado com as prioridades, a justiça, e não propriamente as riquezas, deve ser o objetivo principal (Pv. 11.4, 28; 16. 8). A Palavra de Deus nos ensina que Deus não está fora do nosso trabalho. Muito pelo contrário, ela admoesta a sacralização de tudo o que fazemos. A distinção entre trabalho eclesiástico e secular é um equívoco. A diferença mais apropriada seria entre o trabalho cristão e o profano, o primeiro glorifica a Deus, o último O envergonha. Quando o cristão desempenha suas funções no trabalho com responsabilidade, demonstra que está comprometido com Deus. Jesus é um exemplo para aqueles que servem a Deus, Ele afirmou que o Pai trabalhava e que fazia o mesmo (Jo. 5.17). Paulo, o apóstolo dos gentios, também trabalhou, e recomendou para que os crentes agissem de igual modo (II Ts. 3.7-10). Recomendamos, no entanto, cautela para não se tornar escravo do trabalho, vivendo em constante ansiedade a respeito do futuro (Mt. 6.34). Na medida em que trabalhamos devemos aprender a viver contentes (I Tm. 6.6), e não apenas satisfazer nossas necessidades, também a dos outros (Gl. 6.2).

CONCLUSÃO
Ao contrário do que prega o mundo, o trabalho não é uma maldição, mas uma criação divina, o próprio Deus trabalha. Ele também nos criou para o trabalho, o fardo é resultado do pecado, da desobediência (Gn. 3.17-19). Em Cristo, podemos aprender a desfrutar do trabalho, mais que isso, nossas atribuições devem ser desempenhadas com responsabilidade, sempre buscando a excelência (Cl. 3.17). Principalmente se o produto do nosso trabalho servir para a difusão do reino de Deus, e para o sustento da família, e daqueles que se encontram em condição de necessidade.

                                  Autor: Prof. Ev. José Roberto A. Barbosa
Twitter: @subsidioEBD

BIBLIOGRAFIA
AITKEN, K. T. Proverbs. Lousiville: Westminster John Knox Press, 1986.
ORTLUND JR. R. C. Proverbs: wisdom that works. Illinois: Crossway, 2012.

sábado, 12 de outubro de 2013

LIÇÃO 02 - ADVERTÊNCIAS CONTRA O ADULTÉRIO - 4º TRIMESTRE/2013

ADVERTÊNCIAS CONTRA O ADULTÉRIO
Texto Áureo: Pv. 5.15,18 – Leitura Bíblica: Pv. 5.1-6


INTRODUÇÃO
Uma das áreas que os autores de Provérbios apresentam bons conselhos é a da sexualidade humana. Temas variados são destacados pelos sábios, a fim de que os ouvintes não se deixem enganar pelos discursos enganadores. O adultério é frontalmente criticado nos Provérbios, em defesa de uma sexualidade sadia, pautada nas orientações divinas. Na aula de hoje trataremos a esse respeito, ressaltando, ao final, a cosmovisão cristã sobre a sexualidade, mostrando que essa pode ser desfrutada dentro do casamento.

1. A SEXUALIDADE EM PROVÉRBIOS
O livro sapiencial de Provérbios está repleto de alusões à sexualidade, sempre com o objetivo de manter a fidelidade no casamento. Os sábios se referem à esposa, como um manancial, uma fonte ou uma cisterna, na qual o homem pode saciar sua sede (Pv. 5.12-21). A orientação dos pensadores é com o intuito de que os jovens fujam da tentação (II Tm. 2.22). O envolvimento ilícito fora do casamento é reprovado, na medida em que o deleite conjugal é motivado no casamento. Ao invés de buscar aventurar-se fora do enlace matrimonial, os cônjuges devem desfrutar do prazer sexual dentro do casamento. Os textos de Provérbios ecoam as diretrizes da Torah, a fim de que as pessoas não cometam adultério (Ex. 20.14). O sábio está consciente dos apelos da juventude, bem como das atrações do pecado sexual. Ele recorre à metáfora do alimento roubado como atiçamento (Pv. 9.17). Mas as consequências do adultério são drásticas, o adultério é comparado a uma cova profunda (Pv. 23.27). Um dos principais problemas dos pecados sexuais é que as pessoas não medem as implicações. Há aqueles que, diferentemente de José (Gn. 39.1-12), que fugiu do pecado, preferem entregarem-se à tentação. O rei Davi é um exemplo bíblico que não deve ser imitado nesse particular, ele cedeu ao olhar da concupiscência, e caiu no pecado do adultério (II Sm. 11.1-5). Muitos estão fazendo o mesmo, os líderes eclesiásticos têm testemunhado essa realidade. A sociedade na qual vivemos é extremamente sexualizada, a mídia explora o corpo como um mero instrumento de satisfação dos desejos. Muitos cristãos estão sendo cooptados pelos valores deturpados a respeito da sexualidade humana. Os seguidores de Freud têm reduzido à sexualidade a um mero instinto animalesco. Por causa disso, cada vez mais as pessoas estão se entregando irresponsavelmente à concupiscência.

2. AS CONSEQUÊNCIAS DO ADULTÉRIO EM PROVÉRBIOS
No livro de Provérbios, o adultério é perigoso porque traz consequências destrutivas para as vidas das pessoas envolvidas (Pv. 5.4-6), pois o adúltero morre por falta de disciplina (Pv. 5.23), ele destrói a si mesmo (Pv. 6.32), e segue como um boi ao matadouro (Pv. 7.22,23). Esses conselhos antecipam as palavras de Paulo, a fim de que os crentes fujam da imoralidade sexual, e para que vivam em santidade (I Ts. 4.7; 5.22). Quando não atentamos para essas instruções, findamos no caminho da ruína, em tristeza e culpa (Pv. 5.11-14). Aquelas pessoas que entram pelo caminho enganoso do adultério convivem com o sentimento de culpa. Essa é uma situação de condenação, que macula um dos princípios fundamentais do relacionamento conjugal: a transparência. Adão e Eva, no ato conjugal, estavam nus, e não se envergonhavam (Gn. 2.25), isso traz uma simbologia, a do pacto entre marido e mulher na sexualidade. Quando essa aliança é quebrada, através do adultério, a parte traidora rompe com esse princípio (I Co. 6.13-20). O resultado é a culpa, que persegue, essa pode ser negada, mas virá através de pesadelos, preocupações, entre outros sentimentos negativos. Não há outra saída, senão a da confissão, ainda que seja doloroso, é o primeiro passo para o arrependimento (Pv. 28.13; I Jo. 1.9). Se esse passo não for dado, o casamento tenderá a ruina, marido e mulher se afastarão ao longo do tempo, o interesse sexual entre ambos arrefecerá, os filhos ficarão com o legado  das escolhas equivocadas. Isso acontece porque o adultério, como todo pecado, não fica impune, por isso se aplica a advertência bíblica: o que o homem plantar, isso também ceifará (Gl. 6.7,8).  O pecado pode ser aprazível enquanto dura, pode ser agradável à natureza pecaminosa, mas nunca sai barato, pode levar a ruina também financeira. Muitos casamentos se desfizeram porque um dos cônjuges, ao invés de investir na família, preferiu gastar seu dinheiro em experiências extraconjugais. A esse respeito o sábio indaga: “pode alguém tomar fogo no seio, sem queimar as suas vestes?” (Pv. 6.27).  O adultério pode resultar em tormento mental, por suspeitar que alguém saiba da sua condição, que pode levar a doenças físicas, de ordem psicossomáticas, e espirituais, como o distanciamento progressivo da presença de Deus. É preciso seguir o exemplo positivo de Davi, confessar o pecado, reconhecer seus males, e se voltar para o Senhor (Sl. 51).

3. ORIENTAÇÕES CRISTÃS CONTRA O ADULTÉRIO
Conforme destacamos acima, o arrependimento, demonstrado em confissão, é o ponto de partida para o reestabelecimento espiritual (Tg. 5.16). Mas somente isso não é suficiente, é preciso também resgatar o pacto com o cônjuge, reatando os laços conjugais (Ml. 2.14,15). Os elos com a outra pessoa envolvida devem ser quebrados. Nessa era de redes sociais, é recomendável o afastamento de possibilidades de contato com pessoas que possam levar ao adultério. Colocar a mente nas coisas que são de cima, em tudo que é nobre, correto, puro, amável, admirável, excelente, digno de louvor contribui bastante (Fp. 4.8). A maturidade sexual é alcançada quando os cônjuges são capazes de diferenciar amor de lascívia. Nem todos são capazes de fazer essa distinção, fundamental para a vida conjugal. Há homens que se entregam a qualquer oportunidade aventureira que se apresenta. O amor, construído ao longo de uma vida, é descartado por causa de uma paixão passageira. O amor é um verbo, e toma tempo, trata-se de uma decisão, exige sacrifício (Ef. 5.25). Se as pessoas calculassem os custos do adultério, certamente fugiriam dele, pois as consequências são destruidoras (Pv. 6.32). É necessário também fazer a distinção entre remorso e arrependimento. Nem sempre a pessoa confessa porque está arrependida, pode ser um ato de remorso, que infelizmente não conduz à salvação (II Co. 7.10). O arrependimento é acompanhado de atitudes de resistência ao pecado (Mt. 26.41). O índice de crentes que se envolvem no pecado do adultério tem aumentado consideravelmente nesses últimos anos. As redes sociais têm contribuído para a incidência desse tipo de pecado nas igrejas. Recomenda-se o uso cuidadoso dessas mídias, fugindo da pornografia, que pode motivar às práticas aventureiras fora do casamento.

CONCLUSÃO
Ao longo da Bíblia nos deparamos com várias advertências quanto aos perigos e as consequências do adultério. O livro de Provérbios apresenta muitos conselhos a esse respeito que precisam ser considerados. Os cristãos foram criados para a sexualidade, mas nem tudo que é aprovado pela sociedade é lícito (I Co. 6.12-18). Em Provérbios o sexo é comparado a um manancial (Pv. 5.18,19), por isso pode ser usufruído dentro do casamento (Hb. 13.14), respeitando a dignidade dos cônjuges, e fundamentado na Palavra de Deus (Pv. 6.20-24). 

                                 Autor: Prof. Ev. José Roberto A. Barbosa
Twitter: @subsidioEBD


BIBLIOGRAFIA
ELLIS, E. P. Os Provérbios de Salomão. Rio de Janeiro: CPAD, 2012.
ORTLUND JR. R. C. Proverbs: wisdom that works. Illinois: Crossway, 2012.

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

LIÇÃO 01 - O VALOR DOS BONS CONSELHOS - 4º TRIMESTRE/2013





O VALOR DOS BONS CONSELHOS
Texto Áureo: Pv. 1.7 – Leitura Bíblica: Pv. 1.1-6

INTRODUÇÃO
Ao longo deste trimestre estudaremos os livros sapienciais de Provérbios e Eclesiastes. Esses dois textos bíblicos tratam a respeito da sabedoria, não a dos homens, mas a de Deus. Na lição de hoje faremos uma apresentação panorâmica desses livros, destacando sua importância não apenas no cenário judaico, mas principalmente no cristão. A leitura centralizada no evangelho dessas orientações fará com que homens e mulheres sejam sábios, sobretudo tementes a Deus.

1. A SABEDORIA DOS HOMENS E A SABEDORIA DE DEUS
O conhecimento e a sabedoria sempre cativaram os seres humanos, a investigação a respeito das coisas é justamente a origem da filosofia. Esse ramo do conhecimento humano trata da possibilidade do conhecimento, e também do próprio conhecimento da realidade. O termo filosofia vem da junção de duas palavras grega, filo (amigo) e sofia (sabedoria). Os filósofos, por conseguinte, são amantes da sabedoria. Os gregos se destacaram por serem versados na filosofia, entre eles estiveram grandes filósofos, tais como Platão e Aristóteles. O conhecimento filosófico, nos dias atuais, está desassociado da revelação bíblica. Antigamente, nos tempos de Agostinho, havia uma relação profícua entre filosofia e teologia. Mas com o advento do Iluminismo, a Era da Razão, o pensamento humano se desvinculou da revelação. Essa é a principal diferença entre Filosofia e Teologia Crista, enquanto que a primeira se baseia na mera razão, a última está alicerçada na revelação. Na Bíblia a palavra sabedoria também tem um significado primordial, tanto no Antigo quanto no Novo Testamento. A palavra hebraica hokmah diz respeito ao conhecimento intelectual, e tem a ver, por exemplo, com a compreensão (Pv. 10.23). A fonte da sabedoria, nos livros sapienciais, é o próprio Deus (Jó 28.20-23). O salmista, bem como os autores dos Provérbios, assume que o temor ao Senhor é o princípio da sabedoria (Sl. 111.10). Esse tipo de sabedoria, na perspectiva judaica, precisa ser diferenciado do simples conhecimento. Isso porque a sabedoria é uma aplicação prática, daqueles que atentam para os conselhos de Deus (Pv. 13.10). O capítulo 8 de Provérbios é um arauto à sabedoria divina, pois antes mesmo da criação, a sabedoria já se encontrava com Deus (Pv. 8.22-31). No Novo Testamento, o termo grego para sabedoria é sophia, que também denota a capacidade para a compreensão (At. 6.3), mas diferentemente da sabedoria dos homens, que é falsa (Cl. 2.23), a de Deus é dada pelo Espírito (I Co. 2.5-16). A sabedoria de Deus é o próprio Jesus, nEle repousa a plenitude da revelação de Deus, a mensagem da cruz é loucura para os homens. Mas Deus destrói a sabedoria dos sábios, no Cristo Crucificado se encontra a ápice da mensagem divina (I Co. 1.17-19; 2.1-2; ; Hb. 1.1-3).

2. O LIVRO DE PROVÉRBIOS: O PRINCÍPIO DA SABEDORIA
O livro de Provérbios mostra que a sabedoria voltada para Deus é condição fundamental para viver. O livro, em linhas gerais, pode ser assim dividido: o valor da sabedoria (Pv. 1.1-1.7), conselhos de um pai sobre a vida (Pv. 1-9), os princípios de sabedoria para a vida piedosa (Pv. 10-24), os princípios de sabedoria para relações saudáveis (Pv. 25-29), a humildade, a vida justa, o aprendizado com a sabedoria (Pv. 30), e a descrição da mulher virtuosa (Pv. 31). O livro de Provérbios foi compilado por volta de 950 d. C. O tema central do livro são as escolhas que as pessoas fazem na vida, para alguns ter uma vida boa é desfrutar de prazer, para outros, é servir e temer a Deus. O autor, Salomão, filho de Davi, destaca seu propósito em Pv. 1.2-6, destacando a importância de buscar a sabedoria, para viver bem. Certo pensador bem destacou que ler provérbios é fácil, toma apenas alguns segundos, memoriza-los também, em minutos, mas vive-los leva a vida toda. O versículo-chave de Provérbios se encontra em Pv. 1.7, no qual nos deparamos com a máxima: “O temor do Senhor é o princípio da sabedoria”. A expressão “o temor do Senhor”, nos livros de sabedoria, significa que devemos amar a Ele, não ter medo. João, em sua Epístola, já destacou que o perfeito amor retira todo medo, no amor não há terror, antes obediência (I Jo. 4.18). O capítulo 3 de Provérbios destaca os conselhos de um pai para seu filho, ele alerta quanto aos perigos da vida, especialmente sobre a sexualidade. O principal conselho se encontra em Pv. 3.5,6, a fim de que o filho confie no Senhor de todo coração, e que não se fundamente no seu próprio entendimento. No capítulo 8, dois caminhos da vida são personificados, um através da sabedoria, o outro pela tolice. No capítulo 10 Salomão trata a respeito de vários aspectos da vida, e dá conselhos diversos, principalmente para os momentos de tomada de decisão. O livro de Provérbios ressalta a limitação do conhecimento humano (Pv. 14.12). O sucesso, nesse texto sapiencial, nada tem a ver com os cursos de motivação oferecidos no mercado. Ter êxito, para o homem e a mulher piedosa, significa confiar em Deus (Pv. 16.20-22). Ao longo do livro há conselhos diversos, a respeito do controle das emoções (Pv. 16.32). Tal como em Gl. 5.22, a maturidade é resultante do equilíbrio, da observância de algumas virtudes, produzida no relacionamento com Deus. O domínio da língua é importante nos conselhos de Provérbios, pois mesmo o tolo passa por sábio ao ficar calado (Pv. 17.28). O relacionamento amoroso também tem seu lugar nesse livro, aqueles que encontram um cônjuge, recebem o favor de Deus (Pv. 18.22). A natureza da vida humana também é discutida em Provérbios (Pv. 20.27). A relevância da orientação aos filhos, ensinando-os no caminho justo, é um procedimento sábio (Pv. 22.6). O capítulo 25 inicia uma segunda coleção de Provérbios de Salomão, a respeito de assuntos diversos. Em Pv. 28.27 aprendemos que nenhum homem é uma ilha, que todos estamos interligados. Por isso, devemos nos preocupar com aqueles que se encontram em condição de necessidade. Os capítulos 30 e 31 tratam a respeito da busca pela satisfação e da mulher virtuosa. Esse é um livro que deve ser lido e relido, a fim de crescermos em sabedoria, e para aplicar seus princípios, avaliados sempre à luz do evangelho.

3. O LIVRO DE ECLESIASTES: SABEDORIA COMO OBEDIÊNCIA
O Livro de Eclesiastes se destaca por ser o único livro das Escrituras que reflete um ponto de vista humano, não divino da existência. Isso não quer dizer que não seja inspirado, o Espírito soprou sobre o autor, para revelar posicionamentos humanos (II Tm. 3.16,17). Por isso precisa ser lido com base na revelação de Deus, não como um texto dogmático. Existem críticos das Escrituras que utilizam as passagens desse livro para distorcer a Palavra de Deus. Não podemos esquecer que cada aspecto da vida, no livro de Eclesiastes, é analisado “debaixo do sol”. A visão humana da realidade é limitada, se encontra em uma perspectiva horizontal, inclusive da revelação divina. Eclesiastes, como o próprio título o expressa, é o livro do homem da assembleia, o Qoelet em hebraico. Esse é Salomão, o filho de Davi, rei de Jerusalém, um homem sábio, que investiga o sentido da vida. O livro pode ser assim dividido: 1) declaração da inutilidade de tudo (Ec. 1.1-11); 2) investigações e demonstração da inutilidade da vida longe de Deus (Ec. 1.12-6.12); e 3) conclusão e conselho a “temer o Senhor” (Ec. 7-12). O versículo-chave de Eclesiastes se encontra em Ec. 1.2, em que está escrito que “tudo é vaidade”. A palavra “vaidade”, nesse livro, diz respeito à “vanidade”, isto é, a ausência de sentido em tudo que se faz. O universo, como também é percebido atualmente pela ciência, é visto como uma engrenagem (Ec. 1.6,7). Essa visão científica pode reduzir a natureza a um mero maquinário, a ideia de um motor, como concebido por Aristóteles. A consequência é uma percepção da vida como conjunto de células, e do universo como um engenho, sem a intervenção divina. Como a vida é desprovida de significado nesse contexto, o autor do Eclesiastes pensa que o prazer pode ser a única coisa que faz sentido (Ec. 2.1). Ou, quem sabe, as posses, as riquezas materiais, algo que tem sido amplamente aceito na sociedade moderna (Ec. 2.9,10). Até mesmo o conhecimento não passa de vaidade, pois ao final, os diplomas ficarão na parede, a única coisa que permanece é a sabedoria (Ec. 2.13-17). No capítulo 3, a semelhança dos filósofos modernos, tais como Neitzche, Heidegger e Sartre, o pensador existencialista adere ao fatalismo. O vazio o levou à conclusão que somente pode viver no tempo, para o qual tudo tem um propósito (Ec. 3.1-4,11). Nos capítulos 4 e 5 o pensador lamenta a opressão que visualiza no mundo dos negócios, e que até mesmo a religião não faz sentido. Nos capítulos 6 e 7 o homem da assembleia constata que o rico não encontra satisfação no que tem, e que a felicidade e a tristeza são as mesmas coisas, que o rico e o pobre perecem de igual modo (Ec. 7.15). No restante do livro, dos capítulos 8 a 10, Salomão avalia que apesar dos nossos esforços, a vida é extremamente injusta, e desprovida de significado.

CONCLUSÃO
O final do livro de Eclesiastes ecoa com o tema do livro de Provérbios, a máxima que somente o temor do Senhor é verdadeira sabedoria. Ao avaliar todas as coisas “debaixo do sol”, o homem da assembleia conclui que precisamos “lembrar do Criador” e que temê-LO é o dever de todo homem (Ec. 12.13,17). O sentido da vida, nos livros de Sabedoria, está justamente em temer, e amar o Senhor, em obediência, fora a isso, a vida é pura vaidade, é “correr atrás do vento”.
                        
                     Autor: Prof. Ev. José Roberto A. Barbosa
Twitter: @subsidioEBD

BIBLIOGRAFIA
ATKINSON, D. The message of Proverbs. Leicester: Inter-Varsity Press, 1996.
DEREK, K. A mensagem de Eclesiastes. São Paulo: ABU Editora, 1989.