sábado, 27 de julho de 2013

LIÇÃO 04 - JESUS, O MODELO IDEAL DE HUMILDADE - 3º TRIMESTRE/2013

JESUS, O MODELO IDEAL DE HUMILDADE
Texto Áureo: Fp. 2.5 – Leitura Bíblica: Fp. 2.5-11


INTRODUÇÃO
Na última aula destacamos que a humildade é uma das características do cristão, condição necessária para a unidade da igreja. Na de hoje aprofundaremos esse tema, apontando Cristo como o modelo ideal de humildade. Inicialmente destacaremos a humilhação de Cristo, em seguida sua exaltação, e ao final, a necessidade de vivermos, como cristão, na mesma humildade.

1. O CRISTO HUMILHADO
O texto bíblico tem sido amplamente debatido entre os estudiosos das Escrituras, muito usado para explanar a doutrina da kenosis, isto é, do esvaziamento de Cristo. Mas esse não é o foco principal dessa passagem, tendo em vista que Paulo estava orientando em relação a um problema prático na igreja de Filipos. Isso não deve ser motivo para desconsiderar o estudo teológico, apenas mostra que a teologia precisa está vinculada à prática. Os problemas não podem ser solucionados somente com base nas nossas experiências. A doutrina bíblica é o alicerce a partir do qual a liderança toma as decisões na igreja. É nesse sentido que a doutrina da kenosis (gr. Esvaziamento) tem como objetivo orientar os cristãos à humildade. Cristo abriu mão de usar seus atributos divinos em causa própria. Mesmo “subsistindo” (gr. hyparquein) em forma (gr. morphe) de Deus (Fp. 2.6), e sendo o Criador de todas as coisas visíveis e invisíveis (Cl. 1.16), “não julgou como usurpação o ser igual a Deus”, isto quer dizer que Ele não considerou a sua igualdade a Deus, antes, por amor aos homens, decidiu esvaziar-se. Esse esvaziamento, verbo grego kenou, revela que Ele não deixou de ser Deus, nem mesmo que perdeu seus atributos, mas renunciou Sua glória celestial (Jo. 17.5). Isso para assumir a forma de servo (Fp. 2.7), nos evangelhos Ele se apresenta como um servo (Mt. 20.27; Mc. 10.45; Lc. 22.27). Quando os discípulos quiseram ser uns maiores do que outros, o Senhor radicalizou, pegou uma toalha e uma bacia e lavou os seus pés (Jo. 13.1-13). Cristo tomou a forma real de homem, não era apenas aparente, como defendiam os adeptos do docetismo gnóstico. Ele era homem tanto internamente quanto externamente, tornando-se semelhante a Adão, mas sem pecado. Ele também se fez semelhante (gr. homoioma), isso mostra que Cristo não tinha apenas sentimentos e intelecto humanos (gr. morphe), tinha também aparência humana. A realização extrema dessa humilhação foi demonstrada em Seu sacrifício (Fp. 2.8). Cristo foi obediente até a morte, e morte de cruz, para remover o pecado (I Pe. 2.24; II Co. 5.21).

2. O CRISTO EXALTADO
Para ser exaltado primeiramente Cristo precisou sacrificar-se, essa é uma lição para nós, o caminho da exaltação passa pelo vale da humilhação. A Bíblia revela que Deus exalta aqueles que se humilham (Mt. 23.13; Lc. 14.11; 18.14; Tg. 4.10; I Pe 5.6). Jesus não ficou na sepultura, Deus o ressuscitou de entre os mortos (At. 2.33; Hb.1.3), dando-LHE “toda autoridade no céu e na terra” (Mt. 28.18). A máxima bíblica, que não pode ser esquecida, principalmente nessa geração da projeção pessoal, é: “... todo o que se exalta será humilhado; mas o que se humilha será exaltado” (Lc. 18.14). Essa exaltação de Cristo não foi uma restituição da Sua divindade, pois essa Ele nunca perdeu, mas da Sua glória, que tinha antes que houvesse mundo (Jo. 17.5,6). Ele foi exaltado “sobremaneira” (gr. hyperhypsoun), tendo ultrapassado os céus (Hb. 4.14), feito mais alto que os céus (Hb. 7.26) e subindo acima de todos os céus (Ef. 4.10). A Sua exaltação demanda uma atitude daqueles que nEle creem, os quais devem reconhecer Seu senhorio (Fp. 2.10). A igreja, na condição de súdita do Reino de Deus, já se encontra diante do Senhor, mas, no futuro, quando o Reino for pleno, toda língua confessará que Jesus é o Rei dos reis e o Senhor dos senhores (Fp. 2.11; Ap. 5.13). Os apóstolos pregavam a respeito do senhorio de Cristo, mais que isso, eles viveram em submissão, reconhecendo Seu governo (At. 2.36; Rm. 10.9; Ap. 17.14; 19.16). Uma das primeiras confissões de fé da igreja cristã foi: Cristo é o Senhor, revelando Sua soberania. Isso significa que Ele está no comando de todas as coisas, nada ocorre sem Sua permissão. Muitos cristãos pregam a salvação, reconhecem Cristo como Salvador, mas não como Senhor. A igreja não pode esquecer essa doutrina fundamental das Escrituras: Cristo reina, portanto, devemos nos submeter à Sua voz. 

3. UM MODELO IDEAL
O triunfalismo está destruindo o modelo bíblico para a igreja cristã, não poucos líderes estão obcecados pelo poder temporal. Ninguém quer mais servir, alguns pastores acham-se quase deus, esqueceram que são, antes de tudo, diáconos (servos), tanto de Cristo quanto da igreja. Esse endeusamento acaba por provocar um desejo contido, uma neurose eclesiástica coletiva, implicando em doença no contexto da igreja. Os membros não querem ser diáconos, presbíteros nem pensar, evangelistas, talvez, mas a preferência nacional mesmo é a de ser pastor. Isso sem falar naqueles que são apóstolos, bispos, e se brincar, semideuses, em uma luta desenfreada para ser o maior. Paradoxalmente Jesus ensinou justamente o contrário, que quem quiser ser o maior deve ser o menor. A atuação dos membros na igreja deve está alicerçada no princípio da funcionalidade, isso porque somos partes de um mesmo corpo, com múltiplas funções, dependendo das necessidades (I Co. 12.12). O sistema eclesiástico torna-se doentio quando a hierarquia resulta em um fim em si mesmo. Os espaços são limitados, e as pessoas disputam as posições de poder. O resultado é pura carnalidade, conflitos infindos que se arrastam, na medida em que um derruba o outro, mirando assumir sua posição. Esse sistema alimenta muita inveja, faz com que as pessoas não estejam dispostas a servir, mas a bajular. Elas se aproximam das pessoas não porque as amam, ou porque lhes desejam bem, mas por interesse, a fim de tirar algum proveito. Diante desse quadro, precisamos recuperar o modelo bíblico da liderança servidora. Os pastores das igrejas locais precisam dar o exemplo, cultivar uma cultura bíblica do serviço, motivar os crentes a se colocarem a disposição uns dos outros, com genuíno amor cristão. As posições de liderança são bíblicas, e os pastores devem ser respeitados como tais, aqueles que se dedicam à Palavra, dignos de redobrada recompensa (I Tm. 5.17), mas devem ter cuidado para não se transformarem em celebridades evangélicas, alimentando um sistema fadado ao fracasso espiritual.

CONCLUSÃO
Cristo é o maior modelo de humildade, Ele conviveu com a disputa pelo poder nos tempos dos apóstolos. Os discípulos já sofriam da síndrome do espírito de grandeza, cada um queria ser maior que o outro. Paulo também teve que enfrentar esse problema em Filipos, e nós, nos deparamos com situações de disputas por posição a todo instante. Mas precisamos ter equilíbrio espiritual, e não esquecer, que, tal como Jesus, não fomos chamados para ser servidos, mas para servir (Mc. 10.45).

                          Autor: Prof. José Roberto A. Barbosa
Twitter: @subsidioEBD

BIBLIOGRAFIA
BOICE, J. M. Philippians. Michigan: BakerBooks, 2000.
LOPES, H. D. Filipenses. São Paulo: Hagnos, 2007.

sábado, 13 de julho de 2013

LIÇÃO 02 - ESPERANÇA EM MEIO À ADVERSIDADE - 3º TRIMESTRE/2013

ESPERANÇA EM MEIO À ADVERSIDADE
Texto Áureo: Fp. 1.21 – Leitura Bíblica: Fp. 1.12-21


INTRODUÇÃO
Conforme estudamos na lição passada, Paulo estava preso em Roma, mas o evangelho não estava em cadeias. Na aula de hoje meditaremos a respeito da perspectiva do Apóstolo, que sabia discernir o passado, por isso tinha alegria no presente, e o mais importante, esperança no futuro. Veremos que as adversidades não foram capazes de diminuir a grandeza do evangelho, considerado, pelo próprio Paulo, uma boa nova (Fp. 1.12), a proclamação da Palavra de Deus (Fp. 1.14), que fora encarnada em Jesus Cristo (Fp. 1.18).

1. DISCERNINDO O PASSADO
Paulo não demonstrou autocomiseração em relação a sua adversidade, pois mesmo preso, algemado em Roma, não se queixava pela sua condição. Ao ponderar a respeito do passado, o Apóstolo põe em perspectiva a soberania de Deus. Todas as situações adversas pelos quais passou não retiraram o foco da direção de Deus para a sua vida. Ele sequer culpou alguém, nem mesmo satanás como agente das suas lutas. Ao considerar seu passado, Paulo vê, em tudo, o propósito divino. Ele foi perseguido em Damasco (At. 9.23-25), rejeitado em Jerusalém (At. 9.26-28), esquecido em Tarso (At. 9.30), apedrejado em Listra (At. 14.19), barrado por Deus em seus projetos (At. 16.6-10), preso e açoitado com varas (At. 16.19-26), escorraçado em Tessalônica (At. 17.5,13), preso em Jerusalém (At. 21.27,28), e dispensado do campo missionário pelo próprio Deus (At. 22.17-21). Mas nada disso deteve o entusiasmo do Apóstolo, muito pelo contrário, ele abraçou essas circunstâncias como possibilidades. Na verdade, isso tudo funcionou como uma abertura para o projeto de Deus em sua vida. O termo prokope, em grego, em Fp. 1.12, significa que Deus estava abrindo caminhos, através da adversidade, para o progresso do evangelho. A perspectiva cristã, em relação ao sofrimento, é diferente daquela divulgada pela sociedade contemporânea. As pessoas não querem mais sofrer, elas não admitem passar por aflições. Mas Jesus não prometeu isenção de sofrimento para os seus discípulos, muito pelo contrário (Jo. 16.33). Paulo também adverte Timóteo, o jovem pastor de Éfeso, quando às adversidades pelas quais passariam todos aqueles que seguem piedosamente a Cristo (II Tm. 3.12). As adversidades, em várias ocasiões, são meios usados por Deus para forjar o caráter dos seus servos para obras maiores que esses deverão desenvolver. Nas palavras do belo hino da Harpa Crista: “os mais belos hinos e poesias foram escritos em tribulação, e do céu as lindas melodias, se ouviram na escuridão” (HC 126).

2. CONVICÇÃO NO PRESENTE
Paulo não se deixou conduzir pelas adversidades, seu olhar não estava centrado no passado. O presente também não lhe causava desânimo, pois ele via o presente como oportunidade para a evangelização (Fp. 1.13). Ao invés de enfocar suas adversidades, Paulo via, no sofrimento, uma maneira de contribuir para a difusão da Palavra de Deus. A história dos avivamentos comprova que os maiores despertamentos espirituais da igreja ocorrem justamente em meio à perseguição. Por isso, a prisão de Paulo em Roma não foi capaz de deter a força poderosa do evangelho de Jesus Cristo. A própria guarda pretoriana fora alcançada através dos sofrimentos de Paulo na prisão, até mesmo os demais membros do palácio (Fp. 1.13). A situação de Paulo, como costuma acontecer em tempos de perseguição, estimulou os irmãos a falarem com ousadia a Palavra de Deus (Fp. 1.14,16). Mas não era propriamente as adversidades do Apóstolo que motivava os crentes de filipos, era o próprio Senhor Jesus que assim O fazia. Naquele tempo muitos estavam pregando o evangelho com “boa vontade e por amor”. Eles não pregavam a si mesmos, uma mera filosofia humana, mas Cristo, morto e ressuscitado (Fp. 1.15-18). Evidentemente nem todos tinha as intenções corretas para pregar a Cristo, alguns deles pregavam a doutrina certa, mas por motivo errados. Isso também acontece atualmente, não poucos estão pregando a Cristo, o revelado nas páginas do evangelho, mas não por amor aos pecadores, antes ao lucro. Há até os que pregam por inveja e contenda, por autopromoção, para serem vistos pelos outros, para aparecerem. É paradoxal, e, às vezes, perturbador, reconhecer que essas pessoas levam a mensagem certa, condizente com a ortodoxia bíblica, mas que não vivem o que pregam, não têm ortopraxia. Mas como esses não estavam deturpando a mensagem, o evangelho, Paulo não os censura, diferentemente daqueles que se infiltraram na Galácia (Gl. 1.7-9). O Apóstolo não se abala com aquela situação porque não se deixa conduzir pelas vaidades humanas. Ele não está preocupado se vai perder mais ou menos espaço no ministério. Isso porque o que interessa mesmo para Paulo é que Cristo fosse pregado, que a mensagem do evangelho fosse anunciada. Essa é uma lição para as disputas entre os pregadores nos dias atuais, que querem aparecer mais do que Cristo, diferentemente do que defendeu João Batista (Jo. 3.30).

3. ESPERANÇA NO FUTURO
Paulo contemplava o futuro pelos olhos de Deus, por isso, conforme já destacamos anteriormente, não tinha ressentimentos em relação ao passado. Muito pelo contrário, era mesmo capaz de se alegrar, e viver o presente com gozo espiritual. Ele estava certo de um futuro promissor, não necessariamente neste tempo, mas no porvir, em Deus (Fp. 1.19-21). Paulo não é adepto do estoicismo, doutrina filosófica que se compraz no sofrimento. Ele está preso, e deseja sair da prisão, tem expectativa quando a sua libertação (Fp. 1.19). A oração da igreja motiva a confiança do Apóstolo na sua liberdade. Ele sabe, consoante ao que diz Tiago, que a oração do justo pode muito por sua eficácia (Tg. 5.16). Deus usará os homens para coloca-lo em liberdade, mas isso acontecerá por uma obra soberana do Espírito Santo. É maravilhoso testemunhar os avanços da obra de Deus na vida de um homem ou mulher que olha para o futuro. Um dos principais problemas nas igrejas é justamente esse, há pessoas, inclusive líderes, que focam apenas o presente. As disputas, não poucas vezes, estão alicerçadas em interesses meramente terrenos. Mas Paulo está olhando para o futuro, ele tem esperança, em grego, apokaradokia, que significa “mirada fixa em um objeto de desejo”. Trata-se de uma esperança intensa, direcionada para um foco preestabelecido, ignorando outros interesses. A maior preocupação do Apóstolo é a de não ser envergonhado diante de Deus, ele trabalha para glorificar a Cristo em seu corpo (Fp. 1.20). Ao contrário do que muitos estão fazendo hoje em dia, não estava preocupado em construir seu próprio império. Ele sabia a razão pela qual estava atuando no ministério de Cristo, fora comprado por alto preço, para glorificar Cristo em seu corpo (I Co. 6.20). A glória de Deus deve ser a principal motivação de todo obreiro da seara cristã, Paulo quer glorificar a Cristo em sua vida, e se necessário for, na própria morte.

CONCLUSÃO
Essa atitude de Paulo é justificada porque, para ele, o viver é Cristo, não o dinheiro, ou os bens terrenos, o sentido da vida é o próprio Cristo. Por esse motivo morrer é lucro, ele não está apavorado, como acontece com o homem moderno, com a possibilidade da morte (Fp. 1.21). Para o cristão, a morte não é o fim, mas o descanso das fadigas (Ap. 14.13), é ser aperfeiçoado para entrar na glória (Hb. 12.23). A morte não é motivo de pavor para aqueles que militam na obra de Deus, pois esta, ao chegar, é bela aos olhos de Deus (Sl. 116.15).


                      Autor: Prof. José Roberto A. Barbosa
Twitter: @subsidioEBD


BIBLIOGRAFIA
LOPES, H. D. Filipenses. São Paulo: Hagnos, 2007.
MOTYER, J. A. The message of Phillipians. Leicester: Inter-versity Press, 1984.

sexta-feira, 5 de julho de 2013

LIÇÃO 01 - PAULO E A IGREJA DE FILIPOS - 3º TRIMESTRE/2013

PAULO E A IGREJA DE FILIPOS
Texto Áureo: Fp. 1.9 – Leitura Bíblica: Fp. 1.1-11


INTRODUÇÃO
Estamos iniciando mais um trimestre na Escola Bíblica Dominical, e desta feita, estudaremos a Epístola de Paulo aos Filipenses. Na aula de hoje introduziremos essa que é uma das mais apreciadas cartas do Apóstolo. Inicialmente, mostraremos a relação de Paulo com essa igreja, em seguida, seu propósito, e, ao final, algumas características da Epístola que revelam Cristo como nossa maior Alegria, e exemplo inconfundível de humildade.

1. PAULO E A CIDADE DE FILIPOS
A meta de Paulo era inicialmente adentrar a província romana da Ásia por ocasião da sua Segunda Viagem Missionária, mas não obteve êxito. Por isso, tomou a direção do norte, para a Antioquia da Pisídia, atravessando a cordilheira montanhosa do Sultão Dagh, e prosseguindo para o norte, aonde chega aos limites da Bitínia, uma província senatorial a noroeste da Ásia (At. 16.6). Mas ao tentar entrar na Bitínia, pela estrada do norte, para a Nicomédia, Paulo foi impedido novamente (At. 16.7), voltando-se para oeste. Em seguida desceu para a costa de Trôade, onde recebeu uma visão, a qual o desafiou: “Passa à Macedônia e ajuda-nos” (At. 16.9). Em companhia de Lucas, viajou imediatamente para Samotrácia, chegando a Filipos. De acordo com o relato de At. 16.12, essa cidade era da Macedônia, “primeira do distrito, e colônia”. A relevância dessa cidade remete ao Sec. IV a. C., quando Filipe II, da Macedônia, tomou-a dos tracianos. Por isso ela recebeu esse nome, em sua própria homenagem. Em 42 a. C., essa cidade foi cenário da batalha entre as forças republicanas de Brutos e Cassius e as imperiais de Otávio e Antonio. Por volta de 52 d. C., Paulo, acompanhado por Silas e Timóteo, chega à cidade de Filipos, durante sua Segunda Viagem Missionária (At. 15.40; 16.1-3). O grupo apostólico se encontra com Lídia, de Tiatira, uma comerciante que negociava púrpura (At. 16.14), que se converte a Cristo, levando o primeiro grupo de cristãos de Filipos a congregar-se em sua casa (At. 16.15). O contexto religioso daquela cidade era de sincretismo, o panteão grego de deuses congregava uma série de divindades, tanto de origem grega quanto romana. A deusa Artemis era adorada, sob o nome de Bendis, Marte também era adorado, como deus tanto da agricultura quanto da guerra. Esse sincretismo religioso pode ser atestado em At. 16.16, em que uma jovem escrava era usada por um espírito de adivinhação. Paulo e Silas, após expulsarem aquele espírito da jovem, são presos por causarem prejuízo, sendo posteriormente libertos, tendo a oportunidade de plantar uma igreja naquela cidade (At. 16.16-40). Paulo teve a oportunidade de visitar a igreja de Filipos durante sua Terceira Viagem Missionária (At. 20.3-6).

2. DATAÇÃO, PROPÓSITO E ESTRUTURA
A Epístola de Paulo aos Filipenses está categorizada entre as Cartas da Prisão, as outras seriam Colossenses, Efésios e Filemon. A data provável de escrita é entre 60 a 63 d. C., em Roma, local no qual o Apóstolo estava em prisão domiciliar (At. 28.30,31). O objetivo do Apóstolo, nessa epístola, é agradecer uma oferta generosa que lhe fora enviada pelos filipenses, cujo portador foi Epafrodito (Fp. 4.14-19); e também para fortalecer a fé deles, mostrando que a verdadeira alegria é Jesus Cristo. A expressão-chave da Epístola aos Filipenses se encontra em Fp. 4.4: “Regozijai-vos, sempre, no Senhor; outra vez digo: regozijai-vos!”. O conceito de alegria, chara em grego, aparece 16 vezes em quatro capítulos. É maravilhoso observar que o Apóstolo, mesmo se encontrando em situação adversa, em pobreza extrema, não perdeu a alegria, que é um dos aspectos do fruto do Espírito (Gl. 5.22). Isso porque, conforme atestaremos mais adiante, ele aprendeu a viver contente (Fp. 4.11,12), a encontrar a verdadeira alegria ao focar sua atenção no conhecimento de Cristo (Fp. 3.8), e a obedecer-LHE incondicionalmente (Fp. 3.12,13). O conteúdo da Epístola pode ser assim sumarizado: 1) alegria apesar das vicissitudes da vida (Fp. 1.4,12; 2.17); 2) humildade e serviço como característica do verdadeiro cristão (Fp. 2.1-6); e 3) o valor inestimável de conhecer as profundezas de Cristo, a fonte da alegria (Fp. 3.1-21). Essa Epístola é altamente cristocêntrica, mostrando a comunhão do Apóstolo com Cristo (Fp. 1.21). Existem várias propostas de estrutura, a seguir destacamos uma delas: Introdução (1.1-11) – Saudações e Ações de Graça; As circunstâncias em que Paulo se encontrava (1.12-26) – O avanço do evangelho por causa da prisão de Paulo; a Proclamação de Cristo de todas as maneiras; A disposição de Paulo para viver ou morrer; Assuntos de Interesse da Igreja (1.27-4.9) – Exortação de Paulo aos Filipenses – perseverança, unidade, humildade, serviço e obediência; Os mensageiros de Paulo à Igreja – Timóteo e Epafrodito; Advertência de Paulo a respeito de falsos ensinamentos – a falsa e a verdadeira circuncisão – a mentalidade terrena diante da espiritual; Conselhos finais de Paulo – firmeza, harmonia, alegria, equidade, liberdade da ansiedade, controla da mente; Conclusão (4.10-23) – Reconhecimento e gratidão pela oferta; saudações e benção final.

3. ASPECTOS INTRODUTÓRIOS
Paulo, juntamente com Timóteo, servos de Jesus Cristo, dirigem essa Epístola aos “santos em Cristo que estão em Filipos”, esse adjetivo “santo” diz respeito àqueles que creem em Cristo (Fp. 1.1). Isso porque esses filipenses, tal como os coríntios, foram santificados em Cristo Jesus, que também os chamou para a santificação (Rm. 1.6,7; I Co. 1.12). A expressão “em Cristo” é relevante nas epístolas paulinas, pois revela que a salvação vem dessa condição. Por causa dela, podemos desfrutas da “graça e paz”, do favor imerecido de Deus (Ef. 1.7), e da paz com Deus, podendo, agora, nos aproximar dEle (Rm. 5.1; Cl.1.20). Em Fp. 1.3-7, Paulo agradece a Deus e intercede pelos filipenses, reconhecendo que o Senhor começou uma boa obra na vida deles, e que a completará. O verbo começar, em grego, é enarchomai, que dá ideia de inaugurar. Ele levará adiante o que começou, não desistirá, pois o verbo, no original, revela intensificação. Isso quer dizer que Deus, em cada detalhe das nossas vidas, está trabalhando para construir nosso caráter. Sua meta é nos conduzir até aquele dia, no qual Cristo aparecerá, para arrebatar a Sua igreja (I Ts. 4.13-17; II Ts. 1.10). Enquanto isso, o Apóstolo revela sua preocupação com a expansão do evangelho, do qual os filipenses são também participantes, sendo nele também perseverantes. Essa é uma verdade que Paulo destacará nessa Epístola, que a fé deve nos levar a seguir adiante, apesar das circunstâncias. Essa fé, fundamentada no genuíno amor cristão, deve ser abundante. O alicerce da fé que gera crescimento é o amor, que deve está atrelado ao conhecimento e discernimento, com vistas à sinceridade. Existem muitas versões de cristianismos e evangelhos atualmente. Mas essas não apresentam “frutos de justiça”, e o pior, não são “para glória e louvor de Deus” (Fp. 1.11). A marca da verdadeira fé, e que conduz ao crescimento, é o amor, que deve abundar sempre mais. Todas as versões de cristianismos devem ser avaliadas com base nesse critério, pois é o amor que mostra nossa nova natureza em Cristo (II Co. 5,17), e que somos participantes da natureza divina (II Pe. 1.3,4).

CONCLUSÃO
A Epístola de Paulo aos Filipenses, a ser estudada ao longo deste trimestre, terá como foco a revelação da pessoa de Cristo. Na medida em que temos consciência que estamos nEle, poderemos crescer em amor cada vez mais, mostrando que somos participantes do Seu evangelho. Nesses dias difíceis, nos quais outros evangelhos têm sido pregados, que sejamos despertados por essa mensagem para uma vida de humildade, sobretudo de alegria, independentemente das circunstâncias.


                        Autor: Prof. José Roberto A. Barbosa
Twitter: @subsidioEBD

BIBLIOGRAFIA
MARTIN, R. P. Filipenses: Introdução e comentário. São Paulo: Mundo Cristão, 1985.
MOTYER, J. A. The message of Phillipians. Leicester: Inter-versity Press, 1984.