sábado, 22 de junho de 2013

PASTOR RAIMUNDO JOÃO DE SANTANA ESTÁ GUARDADO COM DEUS.

"E ouvi uma voz do céu, que me dizia: Escreve: Bem-aventurados os mortos que desde agora morrem no Senhor. Sim, diz o Espírito, para que descansem dos seus trabalhos, e as suas obras os seguem"
Apocalipse 14:13

Foi recolhido as mansões celestiais as 10 horas de hoje 22/06 o Pastor Raimundo João de Santana aos 88 anos, presidente de honra da Assembleia de Deus no Rio grande do norte e  por 13 anos presidiu a IEADERN, de 1999-2012, após liderar a Assembleia de Deus em Parnamirim(Rn) por 27 anos. Ele foi o décimo- primeiro presidente, foi jubilado em 6 de janeiro de 2012 por motivos de saúde e após profícuos e abençoados 46 anos de pastorado no Rn, foi um dos pastores mais amados e respeitados da Assembleia de Deus no Brasil. Deixa viuva a irmã Ivone, 3 filhas, netos e bisnetos.

LIÇÃO 12 - A FAMÍLIA E A IGREJA - 2º TRIMESTRE/2013

A FAMÍLIA E A IGREJA
Texto Áureo: Sl. 122.1 – Leitura Bíblica: Rm. 1.1-24


INTRODUÇÃO
A Bíblia nos ensina a chamar Deus de Pai, Abba, indicando, assim, que somos todos parte de uma família (M6. 6.9). Na aula de hoje veremos a importância da integração da família cristã dentro dessa família maior. Ao final, destacaremos aspectos práticos a fim de envolver todos os membros da família no contexto da igreja. Esperamos, com esta aula, despertar uma geração de desigrejados que não quer mais envolvimento, principalmente responsabilidades com a igreja local.

1. JESUS E A SUA IGREJA
A igreja é composta por pessoas que foram salvas através do sacrifício de Jesus Cristo. A palavra igreja vem do grego ekklesia significa assembleia, comunidade. Em sua formação gramatical, vem de klesia (chamados) e ek (para), dando ideia de pessoas que foram chamadas por Deus. Não podemos desprezar a igreja porque Cristo demonstrou Seu amor por ela (Ef. 5.25), derramando Seu próprio sangue (At. 20.28). Cristo está trabalhando para apresentar uma igreja santa perante o Pai (Ef. 5.25-27). Ele é o edificador da igreja, a Rocha que a sustenta, Sua pedra fundamental (Mt. 16.18; I Pe. 2.4,5). Ele é o Cabeça da Igreja, isto é, a suprema autoridade, por isso a igreja cristã não deveria ter papas, a Bíblia, a revelação de Deus, tem a última palavra (Ef. 1.22). Sendo Ele a Cabeça, a Igreja é o Seu corpo, espera-se, portanto, que esta dê continuidade à obra que Ele mesmo iniciou (Ef. 1.23; 5.23). A igreja de Jesus Cristo existe para cumprir um propósito, estabelecido desde a fundação do mundo (Ef. 3.10-11). A revelação de Deus, manifesta em Cristo, é dispensada à Igreja, que deve levar até aos confins da terra (At. 1.8). Por isso mesmo é a igreja, e não qualquer outras instituição humana, a coluna da verdade de Deus, ela extrai, da Palavra, os fundamentos a partir dos quais vive (I Tm. 2.15). A relação de Cristo com Sua igreja foi de sacrifício, Ele mesmo se entregou por Ela (Ef. 5.25). Espera-se, de igual modo, que a igreja dê continuidade ao sacrifício de Cristo, que complete Seus sofrimentos de Cristo, não para salvação, mas como marca do verdadeiro discipulado (Mt. 16.24; Cl. 1.24). Mas esse propósito unificador da igreja, por isso vivem em contendas (I Co. 1.10). Jesus espera que sua igreja seja uma, assim como Ele e o Pai são um (Jo. 17.1).

2. IGREJA, FAMÍLIA DE DEUS
Somos filhos de Deus, a Ele nos dirigimos como Aba, Pai (Rm. 8.18; Gl. 4.1-7; I Jo. 5.19), isso mostra a importância da metáfora familiar na constituição da igreja. Como membros da família de Deus, temos profunda inmidade com o Pai (Rm. 8.15), Jesus Cristo é nosso irmão mais velho (Rm. 8.29), fomos adotados pelo Pai em Cristo (Gl. 4.1-7), não somos mais escravos (Rm. 8.15). Por conseguinte, nos tornamos coerdeiros de Deus em Cristo (Rm. 8.17), participando da Sua morte e ressurreição (Rm. 8.11-13), do Seu Espírito Santo (Rm. 8.14,15), feitos a imagem de Deus (Rm. 8.29), nascidos de Deus (I Jo. 5.4). Essa filiação implica em responsabilidade, pois devemos viver em obediência, em conformidade com o caráter do Pai (Ef. 5.1; I Pe. 1.14-17). A metáfora familiar para se referir à igreja é bastante comum nos escritos de Paulo. Em I Tm. 1.2,18 o Apóstolo chama Timóteo, seu cooperador, de filho na fé. E orienta para que o jovem pastor de Éfeso tratasse os mais velhos, na igreja, como pais e mães (I Tm. 5.4,5). Por isso, os membros da igreja devem ser tratados como partes de uma mesma família (I Tm. 5.1,2), mostrando cuidado um com o outro (I Tm. 5,5,16). A relação da família com a igreja é revelada por Paulo em I Tm. 3.4.,5, colocando a governabilidade daquela como critério para o ministério pastoral. A família cristã, por conseguinte, é uma extensão da igreja, não há como a igreja ter saúde se as famílias tiverem problemas. O marido e a mulher devem viver em conformidade com a Palavra de Deus, em amor (Ef. 5.22,23). No contexto do lar, bem como na igreja, o amor-agape deve ser a base dos relacionamentos. Sem o amor-agape, a igreja, e também a família, não passará de barulho, mera formalidade (I Co. 13.1,2).

3. ENVOLVENDO A FAMÍLIA NA IGREJA
O envolvimento da família na igreja local é uma necessidade, não apenas para a continuidade da congregação, mas também para os próprios membros da família. Estamos nos deparando, nesses dias, com um movimento contrário à igreja. Tais grupos argumentam que a igreja, em sua institucionalização, nada tem de bíblica. É bem verdade que a institucionalização extremada da igreja pode resultar em engessamento. Mas a alternativa é a do equilíbrio, não devemos incentivar o desprezo pela congregação, como é costume de alguns (Hb. 10.25). Os desigrejados pensam que estão contribuindo ao criticar a igreja. Mas na verdade estão retirando muitos do caminho da fé cristã. As crianças, e principalmente os mais jovens, estão sofrendo com esse movimento que critica a igreja. Ao invés de descartar a igreja em sua essência, devemos investir recursos e tempo, para melhorar o convívio em tal contexto. As igrejas devem fazer todo possível para que as famílias se integrem aos trabalhos congregacionais.  Uma igreja com saúde busca, prioritariamente, a construção de relações duradouras entre as pessoas. Muitas igrejas locais estão perdendo a graça, literalmente, porque se tornaram ambientes de opressão. O amor, que é a vida da igreja, não é mais cultivado, as pessoas querem apenas cargos, ao invés de servirem uns aos outros (Cl. 3.22). A igreja local precisa ser um espaço no qual as pessoas possam se relacionar, não apenas tirar vantagens, mas contribuírem com sua edificação, não apenas física, também espiritual. Há igrejas que, tal como a de Laodiceia, têm templos suntuosos, bastante confortáveis, mas que as pessoas não se sentem parte de uma mesma família (Ap. 3.17). Não podemos esquecer que a igreja somos nós, por isso, ela será o que cada membro for. As famílias precisam ir à igreja, não apenas por obrigação, mas para adorar a Deus, e servirem uns aos outros em amor. A liderança cristã deve investir para que o ambiente eclesiástico seja agradável, mas sem abrir mão dos princípios bíblicos, sobretudo do seu papel fundamental, proclamar a verdade do evangelho de Jesus Cristo.

CONCLUSÃO
No Sl. 122 o salmista expressa sua alegria ao ser convido para ir ao Templo, a Casa do Senhor. Nós, os cristãos, não dependemos mais de um espaço físico determinado para adorarmos a Deus, pois Ele busca adoradores, que o façam em espírito e em verdade (Jo. 4.24). Isso, no entanto, não deve ser argumento para as pessoas se distanciarem do templos, que continuam sendo ambiente de adoração, principalmente de exposição das Escrituras. A família cristã pode resgatar o mesmo princípio do salmista, e se alegrar pela oportunidade de ir ao Templo, considerando que, ali, se relacionará com outros cristãos (I Co. 12.12-19), poderá orar coletivamente (Mt. 18.20), e crescer na doutrina de Deus (I Co. 14.26).

                        Autor: Prof. José Roberto A. Barbosa
Twitter: @subsidioEBD

BIBLIOGRAFIA
DeYOUNG, K., KUCK, T. Por que amamos a igreja. São Paulo: Mundo Cristão, 2010.
HUGHES, K., HUGHES, B. Disciplinas da família cristã. Rio de Janeiro: CPAD, 2006.

sábado, 15 de junho de 2013

LIÇÃO 11 - A FAMÍLIA E A ESCOLA DOMINICAL - 2º TRIMESTRE/2013

A FAMÍLIA E A ESCOLA DOMINICAL
Texto Áureo: Dt. 31.12 – Leitura Bíblica: Ne. 8.1-7


INTRODUÇÃO
A Escola Bíblica Dominical (EBD) é uma das maiores agências de ensinamento da igreja, mas, infelizmente, ainda pouco valorizada. Na aula de hoje estudaremos a respeito da importância da EBD, principalmente para as famílias cristãs. Antes trataremos sobre sua história, e por fim, sua vasta contribuição para a formação de pessoas comprometidas com a Palavra e o Reino de Deus. Esperamos que a aula de hoje sirva de despertamento, principalmente para a liderança da igreja, a fim de que esta perceba o valor dessa escola para a formação da família, e, por conseguinte, de obreiros.

1. A ORIGEM DA ESCOLA DOMINICAL
A Escola Dominical como conhecemos hoje é resultado da contribuição do jornalista anglicano inglês Robert Raikes. Preocupado com a situação social das crianças inglesas em Glaucester, decidiu ocupa-las aos domingos, para não se envolverem com vícios. Isso porque, em decorrência da revolução industrial, as crianças trabalhavam nas fábricas durante a semana, mas ficavam ociosas nesse dia da semana. A alternativa foi criar uma escola gratuita, com a ajuda do Rev. Thomas Tock, ministro anglicano, que conseguiu matricular cem crianças, com faixa etária entre seis a quatorze anos de idade. O objetivo principal da Escola Dominical era trabalhar o desenvolvimento do caráter dessas crianças através do ensinamento bíblico. Inicialmente a Escola Dominical era uma atividade paraeclesiástica, que funcionava na Rua Saint Catharine, como uma obra social. Algumas crianças não queriam vir para a Escola Dominical porque suas roupas eram estavam rotas. Raikes providenciou roupas novas e material de higiene para que elas não se envergonhassem de frequentar aquele instituto infantil. As aulas iniciavam às 10h e prosseguiam até às 14h com aulas bíblicas e também de matemática, história e inglês, com intervalo de uma hora para o almoço. Após a aula as crianças eram conduzidas à igreja, onde recebiam ensinamento doutrinário até às 17h30min. A Escola Dominical surtiu um efeito tão positivo que levou Raikes a divulgar seu resultado em seu jornal no dia 03 de novembro de 1783, data em que se comemora, no Reino Unido, o dia da fundação da Escola Dominical. Em 1784 a Escola Dominical contava com 250 mil crianças matriculadas, como resultado, a criminalidade em Glaucester caiu. O trabalho causou tanto entusiasmo que acabou sendo copiado em outros países, inicialmente nos Estados Unidos. A igreja anglicana não aceitou de bom grado o movimento da Escola Dominical, justificando que se tratava de um ensinamento realizado por leigos. Houve uma solicitação, no parlamento inglês, em 1800, para que as escolas dominicais fossem interrompidas. Quando Raikes faleceu, 1811, de um ataque de coração, 400 mil alunos estavam matriculados nas diversas escolas dominicais do mundo. Nesse mesmo ano a Escola Dominical se abriu para adultos, criando, assim, a divisão em classes. A Escola Dominical foi fundada no Brasil em 19 de agosto de 1855 pelo casal de missionários escoceses Robert Sarah Kalley, na cidade de Petrópolis, no Rio de Janeiro. Apenas cinco crianças assistiram aquela primeira aula, que, posteriormente, se espalhou para o Brasil inteiro através das várias denominações evangélicas.

2.  A IMPORTÂNCIA DA ESCOLA DOMINICAL
A Escola Dominical moderna surgiu através de uma necessidade social, mas, sobretudo, espiritual. Seus princípios remetem ao período bíblico, tendo em vista que Deus, já no Jardim do Éden, deu instruções claras ao primeiro casal (Gn. 3.8-11). Posteriormente, Deus delegou aos pais a responsabilidade de transmitirem aos filhos a Sua Palavra (Dt. 6.7-9). Com o passar do tempo, e em decorrência da institucionalização da religião judaica, os sacerdotes também assumiram essa tarefa (Dt. 24.8), e também os profetas (Is. 6.8-10; Jr. 11.1-4). Os reis piedosos reconheciam a valor do ensinamento da lei de Deus, para tanto favoreciam as condição para que a instrução acontecesse (II Cr. 17. 7-9). O despertamento para a exposição da palavra sempre resultou em despertamento espiritual, tanto na história de Israel quanto da Igreja. Exemplo disso é o grande avivamento judaico após o cativeiro babilônico, nos tempos de Esdras e Neemias (Ne. 8.1-9). No Novo Testamento, Jesus é o exímio exemplo de ensinador, não por acaso era reconhecido como Rabi, Mestre (Jo. 3.2). Após Sua morte e ressurreição, Jesus comissionou sua igreja a fazer discípulos em todas as nações (Mt. 28.19). Esse é um dos principais objetivos da Escola Dominical, ensinar tudo aquilo que Jesus fez e ensinou (At. 1.1,2). Mas muitas igrejas, inclusive obreiros, deixam de dar o devido valor à Escola Dominical, colocando-a em segundo plano. A obsessão por um crescimento meramente quantitativo tem distanciado muitas igrejas da visão de discipulado ensinada por Jesus. O descaso com a Escola Dominical pode ser percebida, por exemplo, pela ausência da liderança nas aulas. Antigamente esse era o principal instituto de formação de obreiros. Os candidatos ao ministério não eram consagrados a menos que fossem alunos assíduos da Escola Dominical.  A realidade tem sido cada vez mais modificada, a própria arquitetura das igrejas não considera a Escola Dominical. Existem espaços para as multidões, mas não há salas de aulas preparadas para receber seus alunos. Os professores são escolhidos não pelo esmero para ensinar (Rm. 12.7), mas pela proximidade com algum líder da igreja. Na verdade, a frequência na Escola Dominical deveria ser um critério para a escolha de pessoas para atuar em todos os trabalhos da igreja. A Assembleia de Deus não tem ainda uma tradição consolidada no ensinamento bíblico em institutos. Por isso, a Escola Dominical, na maioria dos casos, funciona como o último reduto para a formação de líderes. As Escolas Bíblicas, outrora realizadas por vários dias, são realizadas atualmente em apenas um final de semana, deixando muito a desejar. Sem um ensinamento consistente e sistemático da Bíblia estaremos fadados a uma liderança franca, levada por qualquer vento de doutrina, que não maneja bem a palavra da verdade (II Tm. 2.15).

3. A FAMÍLIA NA ESCOLA BÍBLICA DOMINICAL
As famílias também precisam aprender a valorizar a Escola Dominical como recurso institucional para formação bíblica dos membros da Igreja. O currículo da Escola Dominical favorece um ambiente que assiste a todas as faixas etárias da igreja. A família inteira pode ser abençoada através da instrução bíblica na Escola Dominical. Há currículos para as crianças, bem como para jovens e adultos. A Escola Dominical é um instrumento valioso que contribuiu para o cumprimento de Pv. 22.6 na vida das crianças. Os jovens também podem aprender, através da Palavra de Deus (Sl. 119.9), a fugirem do pecado (II Tm. 2.22). Isso porque como estava escrito na contracapa de Bíblia de Dwight Moody “ou este livro me afastará do pecado ou o pecado me afastará deste livro”. Os jovens evangélicos de hoje carecem de formação bíblica, os adultos também. As pesquisas revelam que os evangélicos da atualidade não sabem sequer encontrar passagens na Bíblia. Há quem não saiba, por exemplo, se determinado livro se encontra no Antigo ou Novo Testamento. Existe um movimento forte na igreja evangélico em prol da ortopraxia, isto é, de uma vida cristã condizente com a verdade. Mas é pouco provável que tenhamos ortopraxia sem uma ortodoxia firme (Fp. 4.9). Aqueles que se integram às igrejas somente poderão fazer aquilo que forem ensinados (II Tm. 3.16). É a partir do conhecimento revelado, e da intimidade com Deus que desenvolverão o fruto do Espírito (Gl. 5.22). Para que os crentes possam produzir frutos, é necessário que esses permaneçam em Cristo, a Videira Verdadeira (Jo. 15.1-16). Ele é a Palavra, devemos ouvi-LO, caso contrário, não passaremos de cristãos nominais, descompromissados com a fé genuína, uma vez foi entregue aos santos (Jd. 3). A ilusão das igrejas numerosas está causando um terrível mal ao movimento evangélico brasileiro. O crescimento numérico está contribuindo apenas para um acúmulo de gente, descompromissada com a Palavra, que não podem ser chamadas de discípulos de Cristo, pois se negam a carregar a cruz (Mt. 16.24). A igreja deve estimular as famílias a frequentarem a Escola Dominical, mas ao invés de apenas enviarem seus filhos, os pais devem ir também, conduzindo seus filhos no caminho, dando o exemplo.

CONCLUSÃO
Em alguns arraiais evangélicos já se fala na falência da Escola Dominical, mas nem todos acreditam nessa falácia. Todos aqueles que reconhecem seu valor inestimável, continuam a defendê-la, e a trabalharem por ela. Se existe um trabalho na igreja que merece investimento, inclusive financeiro, é a EBD. O retorno pode não ser financeiro, muito menos imediato, mas renderão dividendos preciosos no futuro para o serviço cristão, sobretudo, para a eternidade. Pais e mães, a família e a igreja como um todo, não devem medir esforços para fortalecer a Escola Dominical na sua congregação.

                          Autor:  Prof. José Roberto A. Barbosa
Twitter: @subsidioEBD

BIBLIOGRAFIA
HANDRICKS, H. Ensinando para transformar vidas. São Paulo: Betânia, 1991.
GILBERTO, A. Manual da Escola Dominical. Rio de Janeiro: CPAD, 1999.

sábado, 8 de junho de 2013

LIÇÃO 10 - A NECESSIDADE E A URGÊNCIA DO CULTO DOMÉSTICO - 2º TRIMESTRE/2013

A NECESSIDADE E A URGÊNCIA DO CULTO DOMÉSTICO
Texto Áureo: Dt. 11.19 – Leitura Bíblica: Dt. 11.18-21; II Tm. 3.14-17


INTRODUÇÃO
O lar e a igreja são parte de um todo, por isso, o culto doméstico, como extensão do culto no templo, deve ser uma prática constante. Na aula de hoje trataremos a respeito do valor do culto doméstico, mas antes, mostraremos sua base bíblica, e ao final, apresentaremos algumas orientações prática para a realização do culto no lar. Esperamos que através dessa aula as famílias cristãs sejam despertadas para a necessidade e a urgência do culto doméstico.

1. CULTO DOMÉSTICO, A BASE BÍBLICA
A família precisa ter oportunidade de cultuar a Deus não apenas no templo, mas também em casa, no ambiente do lar cristão. O fundamento bíblico para o culto doméstico se encontra em Dt.11, mais especificamente no versículo 19, no qual está escrito: “E ensinai-as a vossos filhos, falando delas assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e deitando-te, e levantando-te”. A influência dos pais, na formação espiritual dos filhos, é atestada por Josué, ao declarar: “Mas se vos parece mal servirdes ao Senhor, escolhei hoje a quem haveis de servir; se aos deuses a quem serviram os vossos pais, que estavam além do Rio, ou aos deuses dos amorroeus, em cuja terra habitais. Porém, eu e a minha casa serviremos ao Senhor” (Js. 24.15). A palavra servir, em hebraico, é abad, e significa trabalhar, atuar, dando ideia que os pais devam se esforçar para repassar para os filhos os valores divinos. O próprio Abraão foi escolhido pelo Senhor “a fim de que ele ordene a seus filhos e a sua casa depois dele, para que guardem o caminho do Senhor” (Gn. 18.19). O verbo guardar, em hebraico, é shamar, com o sentido de “dar atenção”, mostrando, assim, que o ensinamento é fundamental no processo de formação da visão cristã dos filhos. Em consonância com esse princípio, em Dt. 6.6,7, o povo de Deus recebe a seguinte instrução: “E estas palavras, que hoje te ordeno, estarão no teu coração; e as ensinarás a teus filhos, e delas falarás sentado em tua casa e andando pelo caminho, ao deitar-te e ao levantar-te. No Novo Testamento, Paulo instruiu aos pais, para que esses, criem seus filhos na disciplina e admoestação do Senhor” (Ef. 6.4). Disciplina, em grego, é paideia, que tem a ver com tutoria, ou instrução. Isso quer dizer que os pais precisam educar, e se for o caso, corrigir seus filhos para que esse aprendam a temer, e sobretudo, amar a Deus. A palavra admoestação, em grego, é nouthesia, que reforça a necessidade de adverti-los mediante a Palavra de Deus, para que eles vivem de acordo com as orientações do Senhor. Timóteo, o jovem pastor, é um exemplo de uma criança que foi instruída, desde a tenra idade, nas Sagradas Letras, que o fizeram sábio para a salvação (II Tm. 3.15), tal ensinamento partiu da sua avó, Lóide, e da sua mãe, Eunice (II Tm. 1.2-5).

2.  A IMPORTÂNCIA DO CULTO DOMÉSTICO
O culto doméstico tem grande valor, o principal deles é a comunhão que proporciona no lar, na medida em que os membros da família se unem para adorar a Deus. A família moderna está sendo solapada pela inversão de valores, dentre eles o isolamento. Pais e filhos já não conseguem mais se relacionar, cada um se isola em seu espaço, seja ele físico ou virtual. Por isso é urgente que pais e filhos passem a ter momentos juntos na presença de Deus, a fim de lerem a Bíblia, orarem e cantarem hinos de louvor. Outro valor do culto doméstico é que esse deixa marcas indeléveis para toda vida dos filhos. Como está escrito em Pv. 22.6, quando o filho é ensinado na Palavra, é menos provável que esse venha a se desviar quando adulto. E, se isso vier a acontecer, ele carregará, por toda vida, as instruções que recebeu na infância. Esse é também um momento de partilha, não apenas de problemas, mas também de conquistas, e uma oportunidade singular para tirar dúvidas. O culto doméstico tem um papel fundamental no contexto familiar a fim de espiritualizar as relações. Não podemos esquecer que vivemos em uma época marcada pelo secularismo. A programação televisiva, e até mesmo as escolas, estão pautadas em valores contrários à Palavra de Deus. Através da realização do culto domestico, pais e filhos podem dialogar a respeito dos valores do Reino. Nesse momento todos param suas atividades para ficarem juntos, somente esse motivo já é suficiente, tendo em vista que as pessoas não conseguem mais se relacionarem, nem mesmo dentro do mesmo ambiente físico. A tecnologia está roubando o tempo das famílias, é muito tempo dedicado à televisão e à internet, e quase nada à meditação na Palavra de Deus. Os momentos de adoração, no culto doméstico, favorecem um clima de piedade no lar. Os poucos minutos destinados ao culto doméstico contribuíram para que a família, não apenas dentro, mas também fora do lar, possam ter atitudes mais piedosas (I Tm. 4.7).

3. ORIENTAÇÕES PARA O CULTO DOMESTICO
O culto doméstico não precisa ser demorado, na verdade, é bom que tenha curta duração, não mais que meia hora. É preciso considerar que vivemos em meio a uma sociedade agitada, as pessoas estão assoberbadas de tarefas, inclusive os filhos. Por isso, é melhor fazer um culto doméstico com a duração de 10 minutos diários do que fazer uma vez apenas com uma hora de duração. O horário deve ser apropriado à participação de todos, a fim de que, na maioria das vezes, os membros da família estejam presentes. Se não tiver como realizar o culto doméstico todos os dias, todo o esforço deve ser empreendido para que esse seja feito pelo menos uma vez por semana. A escolha do(s) hino(s) que ser(ão) cantado(s) é fundamental, é importante que seja do agrado de todos, principalmente das crianças. A leitura da Bíblia também deve ser bem pensada, é importante que seja um texto curto, de fácil compreensão, e que tenham caráter tanto instrutivo quanto devocional. A alternância na leitura é um aspecto importante, respeitando inclusive as diferentes versões que são utilizadas. Dependendo mesmo da faixa etária dos filhos, pode ser necessário a utilização de uma versão mais simples, com uma linguagem mais contemporânea. Comentários rápidos poderão ser acrescentados ao texto, evidentemente os pais poderão dar início à exposição, mas é produtivo ouvir o que os filhos têm a dizer a respeito do texto. A oração é um elemento essencial no culto doméstico, cada membro da família deve ter a oportunidade para fazer seu pedido. Nenhum pedido deoração deve ser motivo de reprovação. O respeito pelas necessidades individuais é condição necessária para o êxito no culto doméstico. Essa é uma oportunidade para aprender a colocar os mais simples problemas na presença do Senhor. É importante também que os membros da família se alternem na oração, que todos tenham a oportunidade de elevar sua voz a Deus, através de uma oração simples, sem palavras muito difíceis, sobretudo com sinceridade de coração.

CONCLUSÃO
O culto doméstico está sendo esquecido em muitos lares cristãos. Por causa da correria desses dias, muitos já não mais têm tempo para reunir a família para cultuar a Deus. É importante que pais e mães sejam despertados para a realização do culto doméstico, mesmo que esse tenha curta duração, pelo menos uma vez com semana. Que essa seja uma oportunidade para crescer no temor, sobretudo no amor ao Senhor. O culto doméstico não precisa ser um espaço apenas de repreensão, mas também de edificação, de alegria na presença de Deus (Mt. 19,20).

                       Autor: Prof. José Roberto A. Barbosa
Twitter: @subsidioEBD

BIBLIOGRAFIA
MARCELLINO, J. Redescobrindo o tesouro perdido do culto familiar. São José dos Campos: Fiel, 2004.
MERKH, D. 1001 ideias criativas para o culto doméstico. São Paulo: Voxlitteris, 2003.

sábado, 1 de junho de 2013

LIÇÃO 09 - A FAMÍLIA E A SEXUALIDADE - 2º TRIMESTRE/2013

A FAMÍLIA E A SEXUALIDADE
Texto Áureo: Gn. 1.27 – Leitura Bíblica: I Ts. 4.3-5; 5.23; I Pe. 1.14-16


INTRODUÇÃO
Deus é o Criador do sexo, visando não apenas a procriação, mas também o prazer dos cônjuges. Mas esse tem sido instrumento de banalização na sociedade contemporânea, marcada pela erotização. Na lição de hoje trataremos a respeito desse importante tema, ainda pouco compreendido, até mesmo entre os cristãos. Inicialmente apresentaremos algumas abordagens sociológicas em relação à sexualidade, em seguida, o significado bíblico da sexualidade, e por último, destacaremos os princípios cristãos para a sexualidade sadia.

1. ABORDAGENS SOCIOLÓGICAS SOBRE A SEXUALIDADE
A sexualidade humana é um assunto bastante completo, além de controvertido. Isso porque envolve fatores diversos, dentre eles, o biológico, o gênero, as emoções, pensamentos, comportamentos, atitudes e valores. As abordagens sociológicas modernas e pós-modernas tendem a rechaçar a repressão à sexualidade. A teoria psicanalítica de Freud favoreceu o liberalismo sexual que testemunhamos nesses últimos anos. A percepção do sexo, para esse pensador, é uma expressão da sua animalidade. Assim sendo, sua repressão não passaria de um condicionamento social. Após o período pós-guerra, surgiu um movimento na sociedade com vistas à liberação dessa chamada “repressão sexual”. Uma manifestação concreta dessa abordagem foi a criação da revista Playboy, por Hugh Hefner. Essa atitude também resultou na coisificação da mulher, transformando-a em mero objeto de desejo. A obsessão pelo sexo, bastante comum nos dias atuais, mostra que existe algo errado em relação ao sexo. A erotização exacerbada está transformando as pessoas em sexólatras. Há inclusive uma indústria do sexo para alimentar os vícios, dentre eles a pornografia, que pode levar à prostituição. As teorias sociais mais equilibradas em relação à sexualidade reconhece que essa é tanto biológica quanto social. As pessoas nascem homem ou mulher, mas carecem também de desenvolvimento, para manifestar a sexualidade. Os aspectos psicológicos também não podem ser descartados. O desenvolvimento do desejo sexual acontece no cérebro como resposta ao estímulo social. Uma região do cérebro, denominada córtex cerebral, determina o prazer sexual. A erotização da sociedade está fazendo com que as crianças desenvolvam, cada vez mais cedo, o desejo sexual. A mídia, principalmente a televisão, explora demasiadamente o corpo feminino. Como resultado, a iniciação sexual dos jovens está acontecendo cada vez mais cedo.

2. O SIGNIFICADO BÍBLICO DA SEXUALIDADE
A sociedade contemporânea desconhece, e em alguns casos, se opõe ao modelo bíblico de sexualidade. A negação da doutrina do pecado, revelada na Bíblia, (Rm. 3.23), contribui para práticas contrárias ao padrão divino. A doutrina da queda precisa ser enfatizada, ressaltando suas implicações inclusive quanto à sexualidade. Práticas homossexuais, e também heterossexuais, estão marcadas pelo pecado. O princípio bíblico da sexualidade se encontra em Gn. 1.27,28, homem e mulher foram criados a imagem de Deus, macho e fêmea. O propósito fundamental do ato sexual é a procriação. A sexualidade, por conseguinte, é parte do projeto inicial de Deus, antes mesmo do pecado. A complementação do homem e da mulher se concretiza com maior propriedade durante a relação sexual. O homem e a mulher foram criados, por Deus, para o prazer sexual. Após a queda, conforme atestamos em Gn. 3.17-19, a sexualidade perdeu o equilibro inicial. Isso tem resultado em distorções, não apenas no comportamento homossexual, reprovado na Bíblia (Rm. 1.24-27; I Co. 6.11), mas também heterossexual. Não apenas a prática homossexual é pecado, também a relação com animais (Lv. Dt. 27.21); a prostituição (I Ts. 4.3); a fornicação (I Co. 6.15), o estupro (Dt. 22.25,26), o incesto (Dt. 27.20-23); a poligamia (Lv. 18.18) e o adultério (Dt. 22.22). A palavra grega porneia, no Novo Testamento, comumente traduzida por imoralidade sexual, abrange toda essa gama de pecados sexuais. A sexualidade, de acordo com a Palavra de Deus, é digna de honra, pois “venerado seja entre todos o matrimônio, e o leito sem mácula” (Hb. 13.4). Ainda que Paulo tenha recomendado que o melhor fosse ficar solteiro, ele mesmo reconhece que nem todos têm esse dom (I Co. 7.7-8). Na verdade, ao invés do abrasamento, e de um celibato imposto, o melhor mesmo é casar (I Co. 7.9). E tem mais, marido e mulher têm obrigações sexuais a serem cumpridas (I Co. 7.2-5). A negação do ato sexual, defendido pelo catolicismo, é influência do platonismo grego. O livro bíblico de Cantares é uma expressão poética da sexualidade vivida de acordo o padrão divino (Ct. 1.2; 16; 4.1-5; 5.11-16; 7.1-8).

3. ORIENTAÇÕES CRISTÃS PARA A SEXUALIDADE
Existem muitas dúvidas em relação à sexualidade no contexto cristão. Os crentes geralmente querem respostas para perguntas específicas. Mas a Bíblia não apresenta respostas para todas as perguntas, apenas alguns princípios gerais. A seguir destacamos algumas orientações para a sexualidade cristã: 1) o grau de envolvimento sexual deve ser proporcional ao grau de amor e compromisso, por isso o sexo antes do casamento não pode ser motivado; 2) limites devem ser postos, a fim de evitar desejos desenfreados, que viciam; 3) os cônjuges devem testar suas motivações pessoais para o envolvimento e atividade físicas, não apenas o prazer individual; 4) a comunicação, mais propriamente, o diálogo deve fazer parte do ato sexual, os cônjuges devem conversar a respeito; 5) ambos os cônjuges são responsáveis de, através do diálogo, determinar quais são os limites da relação; 6) nem tudo pode ser permitido, ainda que, não necessariamente seja pecado, o respeito pelo outro deve ser considerado. O princípio da mutualidade deve conduzir a relação sexual, o marido e a mulher devem buscar a satisfação do outro. Como resultado, ambos conseguirão extrair o melhor do relacionamento sexual, consoante a orientação paulina em I Co. 7.4,5. A palavra-chave grega, nesse texto, é symphomnou, isto é, em sintonia. A relação sexual entre um marido e uma mulher, como respaldada pela Bíblia, é uma harmoniosa sinfonia. Isso acontece quando a sexualidade está fundamentada em uma aliança incondicional, não em um mero contrato, ou mesmo no desejo sexual desenfreado, que é pecado. Isso também envolve graça, a aceitação das limitações do outro, inclusive na área sexual. A erotização supervalorizou o orgasmo, ele foi escolhido como manifestação da liberação sexual feminina. É natural que as mulheres o busquem, mas sem transformá-lo em uma obsessão. Os cônjuges devem tirar proveito daquilo que um pode oferecer ao outro no ato sexual, sem cobranças descabidas ou imposições. A intimidade sexual deve aumentar na medida em que também aumenta o grau de compromisso no casamento.

CONCLUSÃO
O sexo foi criado para o homem e a mulher não apenas para a procriação, mas também para o prazer. Marido e mulher, diante de Deus, e em conformidade com a Bíblia, devem investir no ato sexual. Nada há de pecado na sexualidade sadia, dentro da aliança conjugal, firmada perante Deus e os homens. A proibição do sexo, mesmo dentro do casamento, enfatizada em algumas igrejas, é influência do dualismo grego. O ato sexual, se praticado dentro dos princípios bíblicos, é também uma forma de glorificar a Deus (II Tm. 3.16).

                     Autor: Prof. José Roberto A. Barbosa
Twitter: @subsidioEBD

BIBLIOGRAFIA
BALSWICK, J., BALSWICK, J. The Family: a christian perspective on the contemporary home. Grand Rapids: Baker Academic, 2007.
KOSTENBERGER, A. J., JONES, D. W. Deus, casamento e família: reconstruindo o fundamento bíblico. São Paulo: Vida Nova, 2011.