quinta-feira, 25 de abril de 2013

LIÇÃO 04 - A FAMILIA SOB ATAQUE - 2º TRIMESTRE/2013


A FAMÍLIA SOB ATAQUE
Texto Áureo: Ef. 6.11 – Leitura Bíblica: Ef. 5.1-6


INTRODUÇÃO
Estamos diante de uma batalha espiritual, a nossa luta não é contra sangue e carne, e sim contra os principados e potestades da região celeste (Ef. 6.12). A família também está na mira do inimigo e das suas hostes. A lição de hoje trata justamente a respeito dos ataques externos e internos que a família cristã recebe nos dias atuais. Ao final, mostraremos, com base na orientação paulina de Ef. 6.10-18, a necessidade de nos revestir de toda armadura de Deus para vencer essa batalha.

1. ATAQUES EXTERNOS CONTRA A FAMÍLIA
A família cristã é alvo de ataques de natureza externa, isto é, de forças que veem de fora, e que tentam desconstruí-la. Uma das principais ameaças à família é o secularismo que predomina na sociedade contemporânea. Secularismo é uma forma de pensar que se opõe a Deus, e que pode ser mais bem definido como mundanismo (I Jo. 2.15). O secularismo é uma doutrina humanista, que partem de sofismas que enganam as pessoas e as distancia de Deus (Cl. 2.8). Esses sofismas estão presentes em vários contextos institucionais, dentre eles destacamos: as leis e a educação. O secularismo, em sua atuação mais engajada, se propõe a afrontar os princípios judaico-cristãos. Por causa disso, os ativistas buscam influenciar a sociedade para que essa aceite com naturalidade as mudanças secularistas por eles propostas. O uso da mídia é bastante influente nesse sentido. Os meios de comunicação de massa repassam valores contrários àqueles exarados na Palavra de Deus. As novelas, noticiários e entrevistas televisivas defendem práticas contrárias aos princípios cristãos para o casamento à família. Na medida em que a sociedade aceita essas práticas, os políticos atuam no congresso com o objetivo de modificar as leis e aprovar leis que nada têm de bíblicas. A educação também tem sido amplamente utilizada a fim de que, desde cedo, as crianças acatem modelos alternativos, e antibíblicos, de família. O próprio Estado favorece essas políticas, justificando que se trata de direito das minorias. Livros didáticos são patrocinados pelo Estado com textos e imagens que contrariam o modelo cristão de família: monogâmico, heterossexual e indissolúvel. Esses sofismas secularistas objetivam desconstruir o padrão bíblico de família. A família cristã pode ser afetada por essa visão. As crianças são as que mais sofrem, pois não dispõem de maturidade, e muito menos de fundamentação bíblica para se enfrentar esses sofismas. 

2. ATAQUES INTERNOS CONTRA A FAMÍLIA
Mas a família cristã não sofre apenas ataques de fora, ela é também ameaçada por forças internas. A indisciplina é um grande problema que a família tem tido dificuldade para resolver. O liberalismo social, que nega Deus e sustenta o materialismo, tem empoderado exageradamente as crianças. A programação televisiva, que também está à disposição dos cristãos, mostra a desobediência como algo natural. Por causa disso, mesmo os filhos de cristãos não querem mais obedecer aos seus pais, que é um mandamento bíblico (Ef. 6.2).  O desempoderamento dos pais, por sua vez, contribui para a formação de uma geração de rebeldes, que não se submete às regras, nem as humanas e muito menos às divinas. O ambiente familiar torna-se extremamente traumático, pais e filhos findam feridos, com sementes que amargura, que destroem os relacionamentos. O ritmo de trabalho dos pais pode favorecer essa condição, alguns trabalham demais, não têm mais tempo para os filhos. Quando voltam para casa, ligam a televisão ou o computador, ninguém dá a mínima atenção ao outro. Ao invés de lerem a Bíblia, e orarem, as famílias cristãs estão na mesma prática das famílias não cristãs. O entretenimento ocupa papel primário nas decisões da família, a vida devocional praticamente não existe. As visitas aos shoppings e as viagens de passeio não é pecado, contanto que não comprometam os momentos devocionais e particulares das famílias. Uma família que é cristã deve viver como tal, não a partir de valores meramente humanos. Os cristãos não precisam se envergonhar de viverem como tais. A sociedade, respaldada em suas leis e propostas educacionais, não podem interferir no cotidiano da família cristã. A atuação de pai, mãe e filhos, dentro do paradigma cristão, deve ser cultivado com respeito. Crianças, jovens e adultos, de uma família cristã, precisam estar cientes que vivem de modo diferente, não de acordo com o mundanismo, mas em conformidade com a Palavra de Deus (Ef. 5.22-33).

3. ENFRENTANDO OS ATAQUES CONTRA A FAMÍLIA
Diante dos ataques externos e internos que a família cristã sofre, faz-se necessário que essa esteja preparada para enfrentar os ataques do Inimigo. Para tanto, devemos estar revestidos de toda armadura de Deus (Ef. 6.11), “fortalecidos no Senhor e na força do seu poder” (Ef. 6.10), para enfrentar as astutas ciladas de Satanás (Ef. 6.13-18). Uma família protegida contra os ataques do Inimigo cinge os lombos com a verdade, não com a mentira que Satanás tenta propagar, usando inclusive a mídia televisiva (Ef. 6.14). Ele é o pai da mentira, e mentiu desde o princípio, fazendo com que Adão e Eva se distanciassem da Palavra de Deus (Gn. 3.4-6; Jo. 8.44). A família cristã não se veste com os trapos que o mundo oferece, mas com a justiça de Deus (Ef. 6.14). A justiça de Deus é o evangelho de Jesus Cristo, cujo fundamento é o reconhecimento do pecado e a justificação por meio dAquele, por Seu Espírito, nos conduz à santificação (Rm. 1.17; 8.14). A família cristã calça os pés com a preparação do evangelho da paz (Ef. 6.15). O mundo está em guerra, os conflitos são considerados normais, mas os crentes vivem em paz, primeiramente desfrutam a paz de Deus (Rm. 1.7; 5.1), e a paz com Deus, para também conviverem em paz uns com os outros (Fp. 4.7). Para apagar os dardos inflamados do Maligno, a família cristã utiliza o escudo da fé (Ef. 6.16). É fé que vence o Inimigo (I Pe. 5.9) e o mundo, com seus sofismas anticristãos (I Jo. 5.4,18).   A família cristã recorre ainda ao capacete da salvação e à espada do Espírito (Ef. 6.17). Enquanto o mundo caminha para a perdição, a esperança da família cristã é a vida eterna, a salvação plena em Cristo Jesus (Rm. 5.5). A espada do Espírito é a Palavra de Deus, poderosa para confrontar os ataques de Satanás (Hb. 4.12; Ap. 1.16; 2.12).

CONCLUSÃO
Nesses dias difíceis, nos quais a família cristã tem sofrido ataques externos e internos, faz-se necessário que os crentes tenham consciência dessa luta renhida, que não é contra sangue e carne, mas contra o próprio Satanás. Diante desses ataques, precisamos nos fortalecer no Senhor, usando a Sua armadura, atuando em todas as frentes, vigiando com toda perseverança, mas sem desprezar a oração, por meio da qual receberemos poder de Deus para enfrentar as forças dos principados e potestades deste mundo tenebroso (Ef. 6.18).

Autor: Pb. José Roberto A. Barbosa
Twitter: @subsidioEBD

BIBLIOGRAFIA
COLSON, C., PEARCEY, N. E agora, como viveremos? Rio de Janeiro: CPAD, 2002.
KOSTENBERGER, A. J. JONES, D. J. Deus, Casamento e Família: reconstruindo o fundamento bíblico. São Paulo: Vida Nova, 2011.

sexta-feira, 12 de abril de 2013

LIÇÃO 2 - O CASAMENTO BÍBLICO - 2º TRIMESTRE/2013


O CASAMENTO BÍBLICO
Texto Áureo: Gn. 2.24 – Leitura Bíblica: Gn. 1.27-31; 2.18-24



INTRODUÇÃO
Diferentes modelos de casamentos são apresentados à sociedade, principalmente na mídia, como alternativos. Mas, de acordo com a Bíblia, a Palavra de Deus, existe apenas um padrão bíblico para o casamento. Na lição de hoje, mostraremos, a princípio, que a Bíblia, a Palavra de Deus, determina como deve ser o casamento, ainda que as culturas modernas, e pós-modernas, queiram impor seus modelos antibíblicos.

1. BÍBLIA, PALAVRA DE DEUS
Um dos objetivos principais daqueles que se opõem ao padrão bíblico para o casamento, é descredenciar a autoridade da Bíblia. Para tanto, afirmam que a Bíblia não passa de um livro humano, e que, por isso, é produto da cultura e de uma época. Por conseguinte, tentam inculcar na sociedade que os valores exarados nas Escrituras não mais se aplicam aos dias atuais. É muito comum ouvir expressões tais como “papel cabe tudo”, ou “a Bíblia é a palavra de homens”. No entanto, uma análise criteriosa da Bíblia mostrará que ela apresenta consistência interna e externa que comprava que se trata de Palavra de Deus, não apenas de homens. A Bíblia não é apenas um livro, mas uma biblioteca – bíblia, plural de livros em grego, composta de 66 livros, sendo 39 do Antigo e 27 do Novo Testamento. Os textos foram escritos por homens, ao longo de 1.500 anos, a divisão em capítulos e versículos foi feita no século XV d. C. A Bíblia, ainda que tenha sido escrita por humanos, não é exclusivamente humano, pois, conforme aponta Pedro, ela foi inspirada por Deus (II Pe. 1.20,21). Paulo assegura que toda a Bíblia, de Gênesis a Apocalipse, é divinamente inspirada, theopneustos em grego, isto é, soprada por Deus (II Tm. 3.16,17). Por conseguinte, ela é proveitosa, é útil para revelar os desígnios de Deus, e principalmente, para sua santificação em Jesus Cristo. Tudo o que foi escrito nas Escrituras tem um propósito, Deus, Aquele que inspirou os autores humanos, assim o fez para a edificação do Seu povo (Rm. 15.4; I Co. 10.11). Por isso a Bíblia deve ser amada e estudada por todos aqueles que professam a fé cristã (I Pe. 3.15; II Tm. 2.15; Is. 34.16; Sl. 119.130). A principal razão para considerar a Bíblia é que o Senhor Jesus lhe conferiu autoridade (Jo. 7.17), tendo em vista que as Escrituras testificam a respeito dEle (Lc. 24.44). Mas é preciso que a Bíblia seja interpretada apropriadamente, atentando para o texto e o contexto, com discernimento espiritual (I Co. 2.14), reconhecendo também nossas limitações (I Co. 13.12).

2. A COSMOVISÃO HUMANA SOBRE O CASAMENTO
O pressuposto daqueles que defendem modelos diferentes de casamento, conforme já apontamos anteriormente, é o de que a Bíblia é um livro meramente cultural, por conseguinte, pode ser questionado. A cultura, de fato, é uma produção humana, e, em sua vertente antropológica, não existem culturas superiores ou inferiores, todas elas são diferentes. A Bíblia também está repleta de aspectos culturais, costumes que variaram de geração para geração. No entanto, há princípios da Bíblia que são supraculturais, isto é, estão para além das culturas locais, e transculturais, podem ser aplicados em todas as culturas, pois a Palavra de Deus é eterna, viva e eficaz (Ml. 3.6; Hb. 4.12). As propostas de casamento, ou contratos que tramitam nas legislações humanas, estão fundamentadas na cosmovisão humanista. O fundamento não é a Bíblia, mas a filosofia pós-moderna, que se sustenta no princípio relativista – não existe verdade, apenas vontade de verdade. Os defensores do casamento poligâmico, homossexual e dissolúvel não têm compromisso com a verdade bíblica, justamente porque não acreditam que ela seja a verdade. Os países que adotaram modelos alternativos, diferenciados da Bíblia, para o casamento, são aqueles que podem ser categorizados como pós-cristãos. O Brasil ainda é considerado um dos principais países cristãos do mundo, mesmo que muitos dos que são contabilizados como cristãos não passam de nominais. Por isso, mesmo aqueles que se dizem cristãos, por desconhecerem a Bíblia, apoiam projetos e propostas legislativas para o casamento que nada têm de bíblicas. Aqueles que professam a fé em Cristo, e que são verdadeiramente cristãos, por conhecerem as Escrituras, que não podem se afastar dos padrões bíblicos para o casamento.

3. O CASAMENTO BÍBLICO
O princípio fundamental do casamento bíblico é o de que Deus, e não os homens, o ordenou, portanto o casamento não é uma opção, mas uma orientação divina. A primeira cerimônia de casamento foi realizada pelo próprio Deus no Jardim do Éden (Gn. 1.28), tornado homem e mulher, uma só carne (Gn. 2.24). A união do primeiro homem e mulher no Éden reafirma o modelo bíblico para o casamento: monogâmico, heterossexual e indissolúvel. A natureza pecaminosa, carnal, impulsionou os primeiros homens à bigamia e poligamia (Gn. 4.18; 5.25), que resultou em invejas e intrigas (I Sm. 1.4-8). Os patriarcas, que optaram pela poligamia, pagaram um custo alto pela decisão (Gn. 29.21-23; 28-31; 30.1-10), bem como os reis de Israel (I Rs. 11.4.7-9). No Novo Testamento, tanto Jesus quanto Paulo foram contundentes  quanto à proibição da poligamia (Mt. 19.3-6; I Co. 7.1,2), não permitindo que essa fosse uma prática comuns entre os cristãos, especialmente entre aqueles que atuam no ministério pastoral (I Tm. 3.2,12). A heterossexualidade é outro aspecto do casamento cristão, já que Deus criou “macho e fêmea” (Gn. 1.26; 2.24). Na religião judaica, o homossexualismo deveria ser punido com a morte, sendo este considerado uma abominação aos olhos de Deus (Lv. 18.22). Não há brecha para a prática homossexual no contexto cristão, sendo essa reprovada pelo apóstolo Paulo (Rm. 1.26). Mas isso não deve ser motivo para homofobia, não podemos esquecer que Jesus ama a todos, inclusive aos homossexuais, por isso, devemos orar por eles, e conduzi-los à verdade, que é Cristo. Não podemos esquecer que todos pecaram (Rm. 3.23), não apenas os homossexuais, e que o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna (Rm. 6.23). O casamento cristão deve ser indissolúvel, portanto, não separe o homem o que Deus ajuntou (Mt. 19.6). Leis e mais leis estão sendo criadas pelas autoridade a fim de favorecer o divórcio, mas os cristãos seguem o princípio bíblico para o casamento, por isso, independentemente das leis humanos, optam por obedecer antes a Deus do que aos homens (At. 5.29).

CONCLUSÃO
Vivemos em uma cultura pós-moderna, e pós-cristã, que nega o Absoluto, e defende o relativismo. Diante desse contexto, nós, os cristãos, precisamos nos fundamentar na doutrina bíblica. No que tange ao casamento, o modelo bíblico é o monogâmico, heterossexual e indissolúvel. Não podemos, enquanto cristãos comprometidos com a Palavra, fazer concessões. Os modelos humanistas, que estão sendo admitidos na sociedade contemporânea, têm fundamentação na filosofia, não na Bíblia Sagrada, a Palavra de Deus.


Autor: Prof. José Roberto A. Barbosa
Twitter: @subsidioEBD

BIBLIOGRAFIA
ADAMS, J. E. A vida cristã no lar. São Paulo: Fiel, 2011.
KOSTENBERGER, A. J. JONES, D. J. Deus, Casamento e Família: reconstruindo o fundamento bíblico. São Paulo: Vida Nova, 2011.

quinta-feira, 11 de abril de 2013

PR JOSÉ WELLINGTON É REELEITO PRESIDENTE DA CONVENÇÃO GERAL DAS ASSEMBLEIAS DE DEUS NO BRASIL - CGADB


Pr. José Wellington é reeleito Presidente da Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil – CGADB

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Com 9.003 votos, o pastor José Wellington é reeleito como Presidente Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil (CGADB), em disputa com o pastor Samuel Câmara, que obteve 7.407 votos. O resultado garante a liderança do pastor José Welington por mais quatro anos.
Presidente:
JOSÉ WELLINGTON BEZERRA DA COSTA (SP)
1º Vice-Presidente (Região Sul)
UBIRATAN BATISTA JOB (RS)
2º Vice-Presidente (Região Centro-Oeste):
SÓSTENES APOLOS DA SILVA (DF)
3º Vice-Presidente (Região Norte):
JONATAS CÂMARA (AM)
4º Vice-Presidente (Região Nordeste):
JOSÉ ANTONIO DOS SANTOS (AL)
5º Vice-Presidente (Região Sudeste):
TEMOTEO RAMOS DE OLIVEIRA (RJ)

FONTE: O Assembleiano

sexta-feira, 5 de abril de 2013

LIÇÃO 01 - A FAMILIA, CRIAÇÃO DE DEUS - 2º TRIMESTRE/2013


A FAMÍLIA, CRIAÇÃO DE DEUS
Texto Áureo: Gn. 2.18 – Leitura Bíblica: Gn. 2.18-24



INTRODUÇÃO
Neste trimestre estudaremos a respeito da família, com ênfase nos desafios dessa no século XXI. Na aula de hoje atentaremos para a família como criação de Deus, não como mero produto cultural, conforme apontam algumas filosofias modernas. A princípio, mostraremos que Deus, e não o homem, é a base da família, em seguida, que a família se sustenta na relação, pois o próprio Deus é relacional. Por fim, ressaltaremos alguns fundamentos bíblicos para a família cristã.

1. DEUS, A BASE DA FAMÍLIA
A sociedade ocidental, e mais especificamente os cristãos, estão diante do desafio de apresentarem uma definição do que seja família e casamento. Isso porque o padrão de família normal, em conformidade com a Bíblia, está sendo cada vez mais questionada. A visão judaico-cristã de família, exarada nas Escrituras, está sendo substituída por valores pautados nos direitos humanos. A família cristã, no entanto, parte do pressuposto que a família é uma instituição divina, por conseguinte, Ele, e não os homens, devem determinar a partir de quais princípios a família deve ser estabelecida. A ideologia libertária, que predomina na sociedade, e respaldada pela mídia, propõe um conceito de família que supervaloriza a liberdade humana em detrimento da vontade de Deus. Não existe outro modelo bíblico, e mais especificamente cristão, para a família e o casamento, diferente daquele revelado por Deus. A partir de Gn. 1-3, compreendemos que: 1) o homem e a mulher foram criados à imagem de Deus para governar a terra para Deus; 2) o homem foi criado primeiro e incumbido da responsabilidade final pelo relacionamento conjugal, enquanto a mulher é colocada junto ao homem para ser sua ajudadora; e 3) a queda da humanidade no pecado implicou em consequências negativas tanto para o homem quanto para a mulher. Ao longo do tempo, a família se constituiu, dentro dos parâmetros bíblicos, a partir de um paradigma patriarcal, ou seja, o pai, no Antigo Pacto, era o senhor da família, de cunho heterossexual, isto é, macho e fêmea, e monogâmico, um homem para uma mulher, e vice-versa.

2. FAMÍLIA, PRINCÍPIO RELACIONAL PARA O CRESCIMENTO
O Deus da Bíblia é trinitário, portanto, relacional: Pai, Filho e Espírito Santo, no Gênesis, Ele é revelado como o Elohim. Essa premissa fundamenta o relacionamento conjugal, para a mutualidade (Gn. 1.26,27). Esse relacionamento tem a ver com distinção e unidade, isto é, pessoas diferentes estão envolvidas em uma unidade. Assim como o Deus estabeleceu uma aliança com Seu povo, o casamento, e a própria família, é uma aliança entre pessoas, com vistas ao crescimento. Mas não existe crescimento sem envolvimento das partes envolvidas, essa é uma premissa. Não existe possibilidade de construção da família, a menos que todos se sintam participantes e responsáveis por ela. O crescimento familiar pode ser interrompido caso um dos componentes da aliança deixe de contribuir. Os pontos fundamentais para o crescimento é o ciclo de amor, graça, empoderamento e intimidade. Isso porque o casamento, como todo relacionamento, é dinâmico, e envolve mudanças. Se o casamento e a família não estiverem preparadas para enfrentar os ciclos de mudanças, correm o risco de se desintegrarem. Quando as mudanças chegarem, caso não sejam bem resolvidas, tudo resultará em um mero contrato, ao invés de aliança (pacto), estará fundamentado na lei (legalismo) e não na graça (favor imerecido), será mantido pelo poder possessivo e não pelo empoderamento, e pela distância ao invés da proximidade. Não podemos esquecer que o Deus da Bíblia deseja se relacionar com a humanidade e espera que as pessoas também se relacionem. Estamos cientes dos desafios porque temos a convicção de que somos pessoas caídas, por isso falhamos, não apenas no relacionamento com Deus, mas também com outras pessoas. Mas temos Cristo como modelo de relacionamento, e o Espírito Santo que nos guia a fim de que possamos crescer em graça nos relacionamentos, inclusive os familiares.

3. FUNDAMENTOS PARA A FAMÍLIA CRISTÃ
A aliança que fundamenta a família é o amor, a convicção de amar e ser amado, cuja expressão maior é o próprio amor de Deus (Jo. 3.16). A primeira aliança de Deus com a humanidade se encontra em Gn. 6.18, na qual Deus faz um pacto com Noé, e por extensão, a toda sua família. Em seguida, Deus faz um pacto com Abrão, e nele, todas as famílias da terra recebam a promessa de bênçãos (Gn. 17.1-2). A aliança de Deus com o Seu povo é o fundamento do casamento e da família cristã, que está sustentado no amor, tendo em vista que o próprio Deus é amor (I Jo. 4.10-16). Por isso a vida familiar deve se pautar pela mutualidade, disposição entre os cônjuges, e também dos filhos, para o amor-agape, que envolve sacrifício (I Co. 13). Outro fundamento para a família cristã é a graça, para perdoar e ser perdoado, esse princípio se encontra já no Antigo Pacto (Ex. 22.25-27), por isso se espera que o ambiente familiar seja pautado na graça, não em mero legalismo. O amor de Deus, manifestado em Sua graça maravilhosa, é a base para o amor e o perdão no casamento (Rm. 10.4). O autoritarismo, ou melhor, o poder possessivo, não é o sustentáculo da família cristã. O contexto familiar precisa ser um ambiente de empoderamento. As pessoas que fazem parte dessa aliança tem como propósito servirem e serem servidas. Não há como uma família subsistir, a não ser que essa seja um espaço de vida abundante (Jo. 10.10). Não podemos esquecer que o Verbo, Jesus, se fez carne, e habitou entre nós, por conseguinte, a família deve ser encarnacional, com espírito de serviço, de diaconia (Jo. 1.1,14). O fruto do Espírito, listado por Paulo em Gl. 5.22,23 deve ser o alimento principal da família cristã, é a partir dele que o crescimento se concretiza (I Co. 8.1). A proximidade, em amor, é o padrão para a família cristã, desde os tempos antigos (Gn. 2.25), é ela que afasta o medo (I Jo. 4.18,19).

CONCLUSÃO
A família, ao invés de ser tomada como uma construção humana, produto da cultura, é uma criação divina. Como tal deve ser respeitada, e se pautar em conformidade com os padrões bíblicos em suas relações pessoais. O compromisso deve está sustentado em uma aliança de amor (incondicional e sacrificial); mantida em uma atmosfera de graça (favor imerecido), que considere a aceitação e o perdão, menos controladora e mais empoderadora, e com proximidade, com vistas ao cuidado para o crescimento (maturidade).

                        Autor: Pb. José Roberto A. Barbosa
Twitter: @subsidioEBD

BIBLIOGRAFIA
BALSWICK, J. O. BALSWICK, J. K. The Family: a christian perspective on the contemporary home. Grand Rapids: Baker Academic, 2007.
KOSTENBERGER, A. J. JONES, D. J. Deus, Casamento e Família: reconstruindo o fundamento bíblico. São Paulo: Vida Nova, 2011.