quarta-feira, 25 de abril de 2012

LIÇÃO Nº 05 - PÉRGAMO, A IGREJA CASADA COM O MUNDO - 2º TRIMESTRE/2012


PÉRGAMO, A IGREJA CASADA COM O MUNDO
Texto Áureo: I Jo. 2.15,16 – Leitura Bíblica: Ap. 2.12-17



INTRODUÇÃO
Na aula de hoje estudaremos a respeito da Carta de Jesus à Igreja de Pérgamo. O principal problema dessa igreja era a substituição da verdade pelo erro. Inicialmente, contextualizaremos a igreja na cidade, mostraremos que se tratava de uma igreja que negociava a verdade, fazendo conchavos com o mundo, e, ao final, concluiremos ressaltando que a verdade triunfará sobre o erro.

1. A IGREJA DE PÉRGAMO
A palavra “pérgamo” significa “casado”, mas, pelo que depreendemos desta carta, aquela igreja estava casada com o mundo, não com Cristo. Do ponto de vista histórico, Pérgamo era uma das cidades mais importantes da Ásia. Tratava-se de um centro cultural, famoso por sua biblioteca com mais de 200.000 pergaminhos, a segunda maior do mundo, menor apenas que a de Alexandria. O nome pergaminho vem justamente dessa cidade, isso porque no Século III a. C., o rei de Pérgamo, Eumenes, decidiu transformar a biblioteca de Pérgamo na maior do mundo. Para tanto, convenceu Aristófanes de Bizâncio, bibliotecário de Alexandria, a vir para Pérgamo. Ptolomeu, que era o rei do Egito, se revoltou, e em resposta, embargou o envio de papiro para Pérgamo. A saída foi a criação do pergaminho, material de couro alisado, que veio a superar o papiro. Mas aquela cidade não era apenas um grande polo cultural, havia também naquele lugar uma religiosidade efervescente. No topo da Acrópole se encontrava o templo a Zeus, considerada uma das sete maravilhas do mundo antigo. O deus Esculápio era também cultuado naquela cidade, famoso pelos sacerdotes-médicos, onde estava edificada uma escola de medicina. Havia uma mistura entre os conhecimentos médicos e a religiosidade pagã. As curas, na maioria das vezes, eram atribuídas a Esculápio – o deus serpente. O imperador também era adorado em Pérgamo, no ano 29 d. C., foi construído o primeiro templo a um imperador vivo, na época Augusto.

2. UMA IGREJA QUE NEGOCIA A VERDADE
A situação da igreja de Pérgamo era bastante parecida com a que testemunhamos hoje em muitos contextos. A igreja, a fim de tirar proveito do império, e de se enquadrar diante das demandas culturais, acabou por fazer concessões, abrindo mão da verdade, em favor do erro. Como Balaão, que fora contratado por Balaque para amaldiçoar Israel (Nm. 25; 31.16), não são poucas as igrejas que se deixam seduzir pelo deus Mamon (Mt. 6.24). Como o anjo da igreja de Pérgamo, muitos pastores se desviam facilmente da verdade quando recebem alguma proposta política, por meio da qual tirarão algum proveito financeiro. Tais pastores, à moda de Balaão, incitam o povo a pecar, fazem aberturas que consideram “politicamente corretas”, dominados pela ganância (II Pe. 2.15; Jd. 11). Por esse motivo, a igreja de Pérgamo estava atrelada à doutrina dos nicolaítas, isto é, a um anomismo, ou negação de qualquer princípio. O liberalismo moral tem conduzido muitas igrejas à ruina, distanciando-as da Palavra de Deus (Gl. 5.1; Rm. 6.1; Jd. 4). A fim de agradar aos ouvintes, que não mais querem ser rotulados de pecadores, alguns pregadores estão deixando de pregar todo o conselho de Deus (I Tm. 4.1-4). O pecado precisa ser admitido para que se chegue ao pleno arrependimento. A própria fonte do pecado deve ser identificada, pois é o próprio Diabo. O mundo jaz no Maligno, Satanás está no controle dos valores que são defendidos diariamente nos meios de comunicação de massa (Jo. 12.31; Ef. 2.2; 6.12). O consumismo, a pornografia, entre outros são postos como verdades aceitas, mas não passam de engano, repassados desde a antiga serpente (Gn. 3.1-4; Ap. 12.9; II Co. 4.4), lugar de trevas e escuridão (Lc. 22.53; Ef. 6.12; Jo. 3.20).

3. O TRIUNFO DA VERDADE SOBRE O ERRO
Mas Jesus conclama a igreja ao arrependimento, a tolerância ao pecado deveria ser revista. A igreja de Pérgamo deveria abandonar o erro e se voltar para a doutrina verdadeira. A falta de arrependimento resultaria em juízo, ainda que essa seja uma mensagem impopular nos dias modernos, a igreja não pode se furtar a declarar que Cristo é o Senhor e Juiz (At. 10.42). Ele é quem tem a espada aguda de dois fios, que é viva e eficaz (Hb. 4.12; Ef. 6.17). Contra o erro, que solapa a firmeza da igreja, não há outra saída, a voltar para a Palavra de Deus. Muitas igrejas ditas evangélicas estão se distanciado do padrão cristão porque não têm compromisso com o ensinamento bíblico. A liderança, vendida ao mundo, interessada somente nas barganhas de Satanás, não pregam mais a palavra. Quando o fazem mutilam totalmente as Escrituras, escolhem passagens isoladas, ao seu bel prazer, a fim de fundamentarem seus posicionamentos. Mas nem tudo está perdido, existe, na igreja, como naqueles tempos, aqueles que não negam a fé em Cristo, os quais, como Antipas, são fiéis testemunhas. De acordo com a tradição, Antipas, cujo nome significa “contra todos”, era o pastor da igreja de Pérgamo, que se recusava a aceitar o status político daqueles dias. Ele foi morto pelo império Romano, talvez incriminado como subversivo, mas Cristo o declara: “minha fiel testemunha”. Assim acontece com aqueles que não se dobram diante das ameaças de Satanás. Em vários lugares o poder estatal é usado para martirizar aqueles que com coragem declaram sua fidelidade a Jesus.

CONCLUSÃO
Jesus, o Senhor, tem uma promessa para aqueles que forem fiéis. Eles receberão o maná escondido, que é o próprio Cristo, o pão vivo que desceu do céu (Jo. 6.35; Hb. 9.4). Trata-se de uma comunhão profunda com Cristo que o mundo não conhece. Eles também receberão uma pedra branca, com um novo nome escrito, o qual ninguém conhece senão aqueles que a recebem. Essa pedra, com base nos costumes antigos, pode ser a absolvição que vem do Justo Juiz. O mundo, com seus valores e atitudes, será condenado, mas aqueles que permanecem fiéis à verdade, serão absolvidos (Rm. 8.1). Quem tem ouvidos ouça o que o Espírito diz às igrejas.

                                     AUTOR: Prof. José Roberto A. Barbosa
       FONTE: www.subsidioebd.blogspot.com
Twitter: @subsidioEBD

BIBLIOGRAFIA
MAYHUE, R. O que Jesus diria de sua igreja? São Paulo: Editora Vida, 2005.
STOTT, J. O que Cristo pensa da igreja. Campinas: United Press, 1999.

quinta-feira, 19 de abril de 2012

SUBSÍDIO DA EBD LIÇÃO Nº 04 - ESMIRNA, A IGREJA CONFESSANTE E MARTIR - 2ª TRIMESTRE/2012


ESMIRNA, A IGREJA CONFESSANTE E MÁRTIR
Texto Áureo: Ap. 2.10 – Leitura Bíblica: Ap. 2.8-11


INTRODUÇÃO
Um dos principais desafios da igreja, em meio à secularização, é confessar Cristo como Senhor. Por causa disso, algumas vezes, um preço alto precisa ser pago, o de enfrentar duras perseguições. Na lição de hoje estudaremos a carta que Cristo endereçou à Igreja de Esmirna, veremos que, tal como aquela, devemos, nos dias atuais, ser fiéis à Palavra de Deus, ainda que sejamos perseguidos.

1. A IGREJA DE ESMIRNA
Esmirna significa myrh, fragrância usada para se fabricar perfume, sua casca exalava uma suave fragrância, como essa igreja, que tinha o cheiro de Cristo (II Co. 1.15-17). Esmirna ficava a aproximadamente cinquenta e cinco quilômetros ao norte de Éfeso e era um ponto marítimo próspero. Ela disputava com Éfeso o status de ser a principal cidade da Ásia. Esmirna esteve ao lado de Roma antes mesmo desta se tornar um império mundial. Nessa cidade o imperador era cultuado, e, devido ao seu prestígio político, obteve a honra de erigir um templo ao imperador Tibério em 26 d. C. Em 155. d. C., Policarpo, o bispo de Esmirna, foi sacrificado, em um complô entre os judeus e os romanos, que lhe pediram a vida. Antes do seu martírio, confessou sua fé em Cristo com a célebre frase: “Tenho servido ao Senhor Jesus por 86 anos. Ele tem sido fiel a mim. Como posso ser infiel a Ele, e blasfemar contra o nome de meu Salvador?”. Não existem informações a respeito de como a igreja foi fundada naquela cidade, supõe-se que essa tenha sido plantada como resultado dos trabalhos missionários de Paulo na região (At. 19.10). A palavra-chave extraída da carta de Cristo à igreja de Esmirna é sofrimento, tendo em vista que essa, diferentemente de Éfeso, demonstrou seu amor por Cristo, mesmo em meio à tribulação. Como Pedro e João, eles se regozijavam em “de terem sido julgados dignos de sofrer afronta pelo nome de Jesus” (At. 5.41), ciente da bem-aventurança de padecer por amor a Cristo (Mt. 5.11).

2. UMA IGREJA MÁRTIR
Para a Igreja de Esmirna, que estava sofrendo perseguição, Jesus se apresenta como o que foi morto, e reviveu (Ap. 2.8). A essa igreja não é direcionada qualquer repreensão, antes palavras de encorajamento. Ele conheçe as suas obras, tribulação e pobreza, principalmente a riqueza espiritual. Jesus se identifica com a igreja que sofre, pois ele mesmo sabe, por experiência – inferimos pelo verbo oida – conheço em grego. Ele sabe da tribulação que a igreja passa, não apenas intelectivamente, mas experiencialmente. A relação política de Esmirna com Roma ensejou dura perseguição contra os cristãos daquela cidade. Aquela era uma igreja atribulada pelo poderio de césar. Essa perseguição política resultava em pobreza, o que geralmente costuma acontecer (Ap. 2.9). A política é algo sério porque implica diretamente na vida das pessoas, posicionamentos governamentais podem favorecer o aumento da pobreza. Em oposição à famigerada teologia da prosperidade, ou melhor, da ganância, Cristo afirma que, mesmo sendo pobres, os crentes de Esmirna eram ricos. A pobreza não é uma maldição, Jesus declara que os pobres são bem-aventurados (Lc. 6.20) e Tiago assegura que Deus escolheu os pobres deste mundo para serem os ricos na fé (Tg. 2.5). Havia uma nítida perseguição religiosa, por parte daqueles que “se dizem judeus e não o são, mas são a sinagoga de Satanás” (Ap. 2.9). Desde o princípio os cristãos sofreram perseguição por parte dos religiosos judeus, Estevão, o primeiro mártir da igreja, fora apedrejado em Jerusalém (At. 7). Os judeus perseguiram Paulo em Antioquia da Psídia (At. 13.50), em Icônio (At. 14.2,5), em Listra (At. 14.19) e em Corinto (At. 18.6).

3. UM CHAMADO À FIDELIDADE
Jesus não prometeu o fim da perseguição, antes encorajou a igreja para que se mantivesse fiel: “nada temas das coisas que hás de padecer. Eis que o diabo lançará alguns de vós na prisão, e terei uma tribulação de dez dias” (Ap. 2.10). Não sabemos se esses dez dias foram literais, mas devam ter sido difíceis, tendo em vista a força do poderio romano que estava a serviço do diabo. A luta da igreja não é contra a carne e o sangue, isto é, contra pessoas, mas contra os principados, potestades, príncipes das trevas e hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais (Ef. 6.11,12). Existem muitos crentes, nos dias atuais, que estão com medo da perseguição. Mas não devemos temê-la, pior que a perseguição é o esfriamento no qual muitas igrejas se encontram. A perseguição não desvia o cristão, antes purifica a igreja, levando-a a confessar, com ousadia, sua fé em Cristo. Alguns dos crentes de Esmirna estavam assustados, e até amedrontados, pois eram pessoas comuns, por isso as palavras de Jesus “nada temas” e “sê fiel até a morte”. A promessa do Senhor é que aqueles que fossem fiéis, mesmo que tivessem que passar pela morte, receberiam a “coroa da vida”. A primeira morte não deveria ser motivo de pavor para os crentes, já que, como diz a letra de um antigo hino, “não se pode matar um crente”. Não devemos temer aqueles que matam o corpo, mas não podem matar a alma, antes temamos Aquele que pode fazer perecer no inferno tanto a alma quanto o corpo (Mt. 10.28). Ser evangélico nominal é fácil, difícil mesmo é ser discípulo de Cristo, o que acarretará em perseguição (II Tm. 3.12). Quem quiser ir após o Senhor deve negar a si mesmo, tomar a cruz do discipulado, até a morte, como aconteceu com Dietrich Bonhoeffer, enforcado no campo de concentração na Alemanha, em 1945, por confessar sua fidelidade a Cristo.

CONCLUSÃO
Cristo é o Senhor da Vida, por isso, a morte foi vencido através da Sua ressurreição. Se nos mantivermos fiéis, na vida ou na morte, não sofreremos a segunda morte. Aqueles que não fraquejarem receberão dEle as seguintes palavras: “Vinde, benditos de meu Pai. Possui por herança o reino que vos está preparado desde a fundação do mundo” (Mt. 25.34). Sejamos, pois, fiéis, em todas as circunstâncias, e, que tem ouvidos ouça o que o Espírito diz às igrejas.


                                    AUTOR: Prof. José Roberto A. Barbosa
Twitter: @subsidioEBD


BIBLIOGRAFIA
LOPES, H. D. Ouça o que o Espírito diz às igrejas. São Paulo: Hagnos, 2010.
STOTT, J. O que Cristo pensa da igreja. Campinas: United Press, 1999.

sexta-feira, 13 de abril de 2012

SUBSÍDIO EBD LIÇÃO Nº 03 - ÉFESO, A IGREJA DO AMOR ESQUECIDO - 2º TRIMESTRE/2012


ÉFESO, A IGREJA DO AMOR ESQUECIDO
Texto Áureo: Ap. 2.4 – Leitura Bíblica: Ap. 2.1-7


                             INTRODUÇÃO

A primeira das sete cartas de Jesus é dirigida à igreja de Éfeso, a mais rica e importante cidade da Ásia Menor. Uma cidade estimada em mais de duzentos mil pessoas, onde ficava o mais importante porto da Ásia. Na aula de hoje, contextualizaremos a epístola, apresentando informações sobre a cidade, destacaremos as virtudes apontadas por Cristo em relação a essa igreja, e ao final, a crítica principal, o esquecimento do primeiro amor.

1. A IGREJA DE ÉFESO
Éfeso era o centro do culto a Diana (At. 19.35), cujo templo é considerado uma das sete maravilhas do mundo antigo. Em tal templo havia várias sacerdotisas do sexo, que atuavam como prostitutas. Nesse templo também era adorada a deusa Roma e o imperador romano. Tratava-se, portanto, de uma cidade religiosa, que integrava adoração a essa deusa com práticas de imoralidade sexual (At. 19.19). Essa cidade fora visitada por Paulo por volta de 52. d. C., em sua terceira viagem missionária, a quem enviou uma das suas epístolas. Ao que tudo indica, a igreja de Éfeso fora fundada por Áquila e Priscila, juntamente com Paulo. Mais tarde o trabalho em Éfeso foi conduzido por Timóteo, companheiro do Apóstolo (I Tm. 1.3). De acordo com Irineu e Eusébio de Cesaréia, depois da morte de Paulo, aquela igreja passou a ser dirigida por João, o evangelista, posteriormente exilado na ilha de Patmos, autor do Apocalipse. Inácio, bispo de Antioquia, nos primeiros anos do século II, escreveu uma extensa carta à igreja de Éfeso, na qual a elogia pela unidade e conduta cristã irrepreensível, e por viverem em amor e harmonia sob a liderança de Onésimo, seu bispo.

2. UMA IGREJA VIRTUOSA
Três virtudes são destacadas por Cristo na igreja de Éfeso, inicialmente era uma igreja fiel na doutrina (Ap. 2.2,3,6), que mesmo cercada pela perseguição, e ameaçada por heresias, permanecia fiel à palavra de Deus. O próprio Jesus havia alertado a Sua igreja quanto aos lobos que viriam com peles de ovelhas (Mt. 7.15), bem como Paulo, na mesma cidade de Éfeso, quanto aos os lobos cruéis que tentariam devorar o rebanho (At. 20.29,30). Finalmente esse tempo havia chegado, e os crentes de Éfeso estavam diante de falsos ensinamentos. Mas a igreja de Éfeso tinha discernimento espiritual, por isso tornou-se intolerante com essas heresias, bem como contra o pecado, que geralmente é resultante dos ensinamentos contrários à palavra. O perigo era justamente a doutrina dos nicolaítas, um posicionamento liberal que não atentava para os princípios cristãos. Eles aceitavam a imoralidade sexual como se fosse algo normal, argumentavam em favor de um cristianismo que pactuava com atitudes promíscuas, semelhante ao que fazem algumas igrejas atuais. Outra virtude dessa igreja é que ela estava envolvida com a obra de Deus. Os crentes eram participativos, não apenas expectadores. Infelizmente, em algumas igrejas, as pessoas vão apenas para os cultos, cantam, dançam, mas não há qualquer relacionamento entre os membros. O individualismo do homem moderno está solapando também as igrejas cristãs, que não sabem mais o que é ter comunhão. Jesus também elogiou a disposição da igreja de Éfeso para enfrentar perseguições. A igreja não se abateu por causa das ameaças daqueles que adoravam a deusa Diana, bem como dos que se dobravam perante o imperador. A igreja cristã tem seus princípios, não pode fazer concessões em relação à imoralidade sexual, muito menos com posturas políticas que vão de encontro à Palavra de Deus. Pior do que a perseguição é o marasmo no qual se encontra determinadas igrejas evangélicas, que andam casadas com o liberalismo, a fim de serem politicamente corretas, ou de mãos dadas com políticos corruptos, a fim de tirarem algum proveito financeiro.

3. MAS QUE ESQUECEU O PRIMEIRO AMOR
A igreja de Éfeso esqueceu o seu primeiro amor, restou apenas o ativismo (Ap. 2.4). Há igrejas que estão centradas em meras atividades, têm cronogramas exaustivos, que são seguidos à risca. Muitas dessas igrejas já perderam o primeiro amor, a espiritualidade está comprometida, por isso, as atividades servem apenas para camuflar a ausência do genuíno amor. Não podemos esquecer que o amor sacrificial  – ágape em grego – é a marca da verdadeira igreja (Jo. 13.34,35). O principal problema da igreja de Éfeso é que ela identificava o mal nos outros, mas não em si mesma, perdeu a capacidade de fazer autocrítica. De fato, se fôssemos julgados por nós mesmos não seríamos julgados, mas quando somos julgados pelo Senhor é para não sermos condenados com o mundo (I Co. 11.20-32). Éfeso era uma igreja ortodoxa, isto é, que tinha uma doutrina correta, mas que carecia de uma ortopraxia, ou seja, uma conduta correta. Esse equívoco pode levar qualquer igreja à ruina, pois ela acaba se tornando hipócrita, acusa os erros dos outros, inclusive os da sociedade, enquanto age a partir dos mesmos valores que repreende. Mas nem tudo está perdido, Jesus apresenta uma solução para esse tipo de igreja: “lembra-te, pois, de onde caíste” (Ap. 2.5). Mais importante do que saber que caiu é identificar a origem da queda. Somente assim será possível retornar ao lugar correto. O filho pródigo somente encontrou a solução para sua condição espiritual quando percebeu que precisa retornar à casa do Pai (Lc. 15.17). Jesus acrescenta: “volta às obras que praticavas no princípio” (Ap. 2.5). O arrependimento genuíno resulta em prática de vida, em obras que sejam, de fato, dignas de arrependimento (Mt. 3.8).

CONCLUSÃO
Há uma advertência final de Cristo à igreja de Éfeso, que deve ser motivo de reflexão de toda igreja que se diz cristã, caso ela não se arrependa, Ele vira contra ela e tirará o seu candelabro (Ap. 2.5). Para que isso não aconteça é preciso, antes que seja tarde demais, retornar ao primeiro amor, pois, sem amor, de nada adianta profecias e mistérios, tudo não passará de barulho (I Co. 13.1,2). Portanto, quem tem ouvidos ouça o que o Espírito diz às igrejas.

                                   AUTOR: Prof. José Roberto A. Barbosa
Twitter: @subsidioEBD


BIBLIOGRAFIA
LAWSON, S. L. As sete igrejas do Apocalipse. Rio de Janeiro: CPAD, 2010.
STOTT, J. O que Cristo pensa da igreja. Campinas: United Press, 1999

quinta-feira, 5 de abril de 2012

SUBSÍDIO DA LIÇÃO 02 - A VISÃO DO CRISTO GLORIFICADO - 2º TRIMESTRE/2012


A VISÃO DO CRISTO GLORIFICADO
Texto Áureo: Ap. 1.17,18 – Leitura Bíblica: Ap. 1.9-18


                         INTRODUÇÃO

Em continuidade à contextualização das Cartas às Sete Igrejas do Apocalipse, destacaremos, na aula de hoje, a visão dada a João, do Cristo Glorificado. A princípio, ressaltaremos a figura do Revelador, que é o próprio Cristo, em seguida, as características da Sua glorificação. E por fim, a reação de João, que deva ser a de todos nós, diante do Cristo Glorificado.

1. CRISTO, O REVELADOR GLORIFICADO
João recebeu de Cristo a ordem para que enviasse às sete igrejas da Ásia menor as visões que lhes seriam reveladas (Ap. 1.9). O Apóstolo Amado estava em espírito, no Dia do Senhor (Ap. 1.10), ao que tudo indica, um dia de domingo, já que esse era o dia em que os primeiros cristãos se reuniam (At. 20.7; I Co. 16.2). “Em espírito” aponta para uma experiência sobrenatural, talvez semelhante ao arrebatamento experimentado por Paulo, registrado em II Co. 12.2. João teve, então, sua primeira visão, sete candeeiros de ouro, que representavam a igreja, tendo em vista que essa é a luz do mundo (Mt. 5.14). No meio dos candeeiros de fogo João viu um semelhante a filho de homem, certamente o mesmo que fora visto por Daniel (Dn. 7.13), a Sua cabeça e cabelos eram brancos como alva lã, como neve, representando Sua santidade e divindade. Os olhos de fogo revelam Sua vitória sobre os inimigos (Ap. 19.12). Seus pés semelhantes ao bronze polido, como refinado numa fornalha destacam Sua força e poderio, pois Ele tinha na mão direita sete estrelas. Sendo Ele a Palavra, sai, da Sua boca, uma afiada espada de dois gumes. A Palavra de Deus que é a espada do Espírito (Ef. 6.17), espada afiada, capaz de discernir as intenções do coração humano (Hb. 4.12). Ele, como aconteceu no princípio, cria uma nova realidade a partir da Sua palavra, como Deus, que, ao falar, a tudo fez (Gn. 1.3).

2. CARACTERÍSTICAS DA GLORIFICAÇÃO DE CRISTO
Essa é uma visão extraordinária, que chamou a atenção de João, inicialmente por Sua supremacia. Jesus é a maior autoridade em meio às igrejas, pois foi Ele quem derramou sangue para resgatá-la (Ap. 1.18,19). Os interesses humanos, inclusive os da liderança cristã, devem submeter-se à voz dAquele que é o Cabeça da Igreja (Ef. 1.22; 5.23; Cl. 1.18). Suas vestes caracterizam a soberania, pois as vestes compridas e o cinto de ouro era uma marca daqueles que tinham autoridade. Após a ressurreição Jesus declarou que todo o poder havia sido lhe dado no céu e na terra (Mt. 28.18). Ele é o Santo, pois não conheceu pecado (Hb. 4.15), o Justo (At. 3.14), o Santo de Deus (Lc. 4.34), nEle não há pecado (I Jo. 3.5). Seu olhar, como chamas de fogo, aludem à capacidade de ver todas as coisas, que se tornam patentes aos Seus olhos (Hb. 4.13). Ele conhece os pensamentos humanos, e os perscruta (Lc. 6.8), bem como os corações (Jo. 2.25), por isso pode se dirigir às igrejas dizendo que as conhece (Ap. 2.2,9,13,19,3.1,8,15). Cristo é graça e amor, mas as igrejas não podem esquecer que Ele, é Fogo Consumidor, que julga o Seu povo através do fogo (I Co. 3.13-15). Por isso aponta os erros das igrejas (Ap. 2.4,14,15,20; 3.1; 3.15, 16). Essas são as características do Cristo Glorificado, que, após a Sua morte e ressurreição, subiu à destra do Pai, recebendo a glória que lhe pertencia antes da fundação do mundo (Jo. 17.5).

3. ADORAÇÃO DIANTE DO CRISTO GLORIFICADO
Diante do Cristo Glorificado, a igreja somente pode prostrar-se e, em submissão, adorar Aquele que é o Primeiro e o Último, que foi morto, mas que está vivo para todo o sempre, o Amém, que tem a chave da morte e do inferno (Ap. 1.17,18). Por isso, João, ao ver o Cristo Glorificado, cai aos seus pés, como morto. Desde a Antiga Aliança, ninguém podia ver a face de Deus (Ex. 33.20), as manifestações divinas provocavam assombro (Ez. 1.28-29; 3.22,23; 44.4). Isaias, no seu chamado para ser profeta, sentiu a miserabilidade do seu pecado, e clamou por perdão (Is. 6.1-5). Saulo, o perseguidor da igreja, não conseguiu ficar de pé diante da revelação e da voz que o impactou no caminho de Damasco (At. 9.3-5). Diante das grandezas das revelações de Cristo, devemos nos humilhar em reconhecimento a Sua potente mão (I Pe. 5.5,6). Muitas igrejas estão perdendo o temor pelo Senhor, não percebem que esse é o princípio da sabedoria espiritual (Pv. 1.7; 9.10; Ec. 12.13). Precisamos atentar para o exemplo de Jó, homem fiel a Deus, que O temia, por isso, se desviava do mal (Jó. 1.8). Quando tememos a Deus a ninguém mais temeremos (Mt. 10.28), pois Ele está no controle de todas as coisas, inclusive da morte e do inferno (Ap. 1.17,18). Isso porque a morte e o inferno não foram capazes de detê-LO. Ele é o Deus Vivo, o mesmo ontem e hoje e eternamente (Hb. 13.8)

CONCLUSÃO
A visão do Cristo Glorificado proporcionou a João a compreensão espiritual dos mistérios de Deus. Podemos ter o entendimento de tais revelações através das páginas da Escritura, no registro bíblico de que as sete estrelas são os anjos das sete igrejas, e os sete castiçais, as sete igrejas (Ap. 1.20). Diante de tais verdades, mantenhamo-nos, humildes, pois a Palavra é revelada aos pequeninos (Mt. 11.25), não aos orgulhosos (I Co. 3.1-3). Imbuídos dessa sensibilidade, permaneçamos com os ouvidos espirituais atentos para ouvir o que o Espírito diz às igrejas (Ap. 3.6).

                                   Autor: Prof. José Roberto A. Barbosa
Twitter: @subsidioEBD


BIBLIOGRAFIA
LADD, G. Apocalipse: introdução e comentário. São Paulo: Vida Nova, 1980.
LAWSON, S. L. As sete igrejas do Apocalipse. Rio de Janeiro: CPAD, 2010.