quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

LIÇÃO 03 - OS FRUTOS DA OBEDIÊNCIA NA VIDA DE ISRAEL - 1º TRIMESTRE/2012


OS FRUTOS DA OBEDIÊNCIA NA VIDA DE ISRAEL
Texto Áureo: Dt. 11.29 – Leitura Bíblica: Dt. 11.26-32



INTRODUÇÃO
Israel poderia desfrutar da verdadeira prosperidade, mas, para tanto, deveria obedecer a Deus. Esse é um princípio estabelecido pelo Senhor na Aliança com o Seu povo. Um dos textos fundamentais que revela esse Concerto se encontra em Dt. 11, o qual será estudado na lição de hoje, a fim de compreender os frutos da obediência na vida de Israel enquanto nação. Ao final da lição, atentaremos para o papel da obediência no contexto da Igreja.

1. A OBEDIÊNCIA NO PACTO DE DEUS COM ISRAEL
A obediência é condição no pacto de Deus com Israel, por isso, o termo shama – obediência – ocorre 1.150 vezes em contextos que tem a ver com o ato de “escutar” ou “ouvir” à Palavra do Senhor. No Antigo Testamento, a orientação para a obediência é encontrada em Ex. 23.1; Dt. 13.4; 27.10; I Sm. 15.22. Existe uma benção geral para o povo de Israel ao dar ouvidos a Deus (Jó. 36.11), bem como na alegria em obedecê-lo (Gn. 26.5). Através da obediência, Israel confirmaria a sua Aliança com Deus (Ex. 19.5; 23.22; Dt. 11.27; 30.2,8; Jr. 7.23; 38.20; Zc. 6.15). A nação de Israel aceitou os termos desse Pacto, que fora reafirmado em Js. 24.24. A desobediência, por sua vez, resultaria na quebra do Concerto (Ex. 5.2; Jr. 3.13). Em decorrência dessa, Israel receberia o julgamento divino (Jz. 2.2; I Sm. 12.15; Jr. 12.17; 18.10). As punições que sobreviriam sobre Israel, pela desobediência ao Pacto, são identificadas em I Rs. 20.36; Ne. 9.17; Jó. 36.12. Maldições sobreviriam sobre o povo se este não se voltasse à obediência ao Senhor (Dt. 11.18; 28.62; Jr. 9.13; 11.8; 26.13; 42.13). Várias passagens bíblicas mostram as duras experiências que Israel enfrentou por causa da desobediência ao Senhor (Jz. 6.10; Dn. 9.11; Js. 5.6; II Rs. 18.12; Jr. 40.3).

2. FUNDAMENTOS PARA A OBEDIÊNCIA DE ISRAEL
A obediência a Deus tinha alguns fundamentos, primeiramente, era Deus quem determinava, portanto, não cabia a Israel questionar, pois Ele é o Senhor, por isso os verbos das passagens de Dt. 11 se encontram no imperativo: temer, andar, amar, servir e guardar (Dt. 11.12,13). A base para tais imperativos é o amor, palavra utilizada seis vezes por Moisés (Dt. 10.12,15,19; 11.1,13, 22). Moisés ensina ao povo a obedecer não apenas por temer, mas, principalmente, com o coração, isto é, por amor. O Deus de Israel era digno de ser obedecido, pois Ele é o Criador de todas as coisas (Dt. 11.14). Soberanamente, e em graça, Deus escolheu Israel e o retirou do jugo de opressão do Egito (Dt. 10.15,16). Deus não apenas elegeu Israel, Ele também cuida do Seu povo (Dt. 11.7). O cumprimento das promessas de Deus em relação a Israel é a prova dos seus cuidados. O Senhor prometeu a Abraão que faria dele uma grande nação (Gn. 13.14-16; 15.5; 22.17; 26.4). A terra entregue a Israel era de Deus, Ele é o Senhor da terra (Lv. 25.2, 23, 38). A terra que manava “leite e mel” estaria nas mãos daquele povo, contato que esse estivesse disposto a obedecer aos mandamentos de Deus. Mas Ele não era apenas o Deus da terra, mas também da chuva, pois se o povo se negasse a dar ouvidos à Sua Palavra, enfrentaria tempos de seca, tal como o descrito nos tempos do profeta Elias, quando o povo se voltou à adoração de Baal, o deus filisteu da produtividade (I Rs. 18.16). A situação somente seria revertida quando a nação se arrependesse dos seus pecados e se voltasse para o Senhor (Dt. 28.23,24; II Cr. 7.12-14; Dt. 11.12). Diante de Israel, portanto, estava posta a condição: se obedecesse ao Senhor, Ele o abençoaria, caso O desobedecesse, seria castigado.

3. A OBEDIÊNCIA NA ALIANÇA DE DEUS COM A IGREJA
Na Aliança de Deus com a Igreja, através de Cristo, a obediência também tem sua relevância. A princípio, é preciso destacar que a obediência – hypakiê em grego – é um ato de fé, uma resposta positiva e confiante em Cristo (Rm. 1.5;15.18). Os crentes, na condição de seguidores do Senhor, devem viver em obediência (I Pe. 1.2), pois esses são reconhecidos como filhos da obediência (I Pe. 1.14). O autor da Epístola aos Hebreus, ao conclamar seus leitores a serem fiéis ao Senhor, mesmo em meio à adversidade, destaca o exemplo de Abraão na obediência (Hb. 11.8), por isso é através da obediência a Cristo que o crente é conduzido à salvação (Hb. 5.9). A base para a obediência da Igreja, consoante ao que fora revelado aos israelitas em Dt. 11, é o amor, isso porque o cumprimento da Lei é o amor (Rm. 13.10), a disposição para fazer a vontade de Deus deva partir do coração, não apenas da imposição de regras externas (Ef. 6.6). O sinal exterior da obediência de Israel era a circuncisão, mas para a Igreja, a obediência é uma disposição espiritual, produzida pelo Espírito Santo (Fp. 3.1-10; Cl. 2.9-12). Essa condição cristã é concretizada na medida em que o crente abandona o pecado e se torna nova criatura em Cristo (Cl. 2.11), ratificada pela presença do Espírito Santo em sua vida (Ef. 1.13; 4.30; Rm. 8.9, 16).

CONCLUSÃO
O povo de Israel deveria viver a partir das orientações entre os dois montes Gerezim e Ebal (Dt. 27-28). O Monte Ebal é considerado o monte das maldições e o Gerezim o monte das bênçãos. Na medida em que cada maldição era proferida, o povo no Monte Ebal diziam “Amém”, significando, “assim, seja, eu concordo”, afirmando as condições do Pacto. Após cada benção ser lida, as tribos do Monte Gerezim declaravam solenemente: Amém. A Igreja do Senhor se encontra também entre dois montes, o Calvário, onde Jesus morreu por nós, e o das Oliveiras, para o qual um dia Ele retornará (Zc. 14.4; At. 1.11,12). Fazemos parte de uma Nova Aliança, não escrita em pedras, mas em nossos corações em Cristo Jesus (II Co. 2.1-3; Hb. 8; Ef. 1.3), por isso, vivemos debaixo da graça, mas isso não quer dizer que temos licença para pecar (Rm. 6.1-14), antes obedecemos em amor, a concupiscência da carne é subjugada pela justiça de Deus, através do Seu Espírito, em nós (Rm. 8.4).
                                           
                                     AUTOR: Pb. José Roberto A. Barbosa
Twitter: @subsidioEBD



BIBLIOGRAFIA

LOPES, H. D. Dinheiro: a prosperidade que vem de Deus. São Paulo: Hagnos, 2009.
ZUCK, R. B. Teologia do Antigo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2009.